“Amor em águas turvas é um filme divertido e romântico, mas com grande potencial crítico e criativo”.
O filme japonês “Amor em Àguas turvas” é a mistura de uma comédia romântica com suspense, contendo 2 horas de duração, e se encontra na plataforma Netflix. A trama da obra conta a história do mordomo Ubukata Suguru (Ryo Yoshizawa), que em uma das rotas do cruzeiro, o qual trabalha, acaba por ter de resolver junto da passageira Banjaku Chizuru (Aoi Miyazaki) um assassinato.
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Título Original: クレイジークルーズ
Duração: 125 minutos
Ano produção: 2023
Estreia: 16 de Novembro de 2023
Dirigido por: Yûsuke Taki
Gênero: Romance, Drama, Comédia, Suspense
País de Origem: Japão
CRÍTICA DO FILME JAPONÊS AMOR EM ÁGUAS TURVAS
A obra começa apresentando o mordomo Ubukata Suguru (Ryo Yoshizawa) e segue com o encontro dele com a passageira que entra no navio clandestinamente: Banjaku Chizuru (Aoi Miyazaki). Eles descobrem que os seus cônjuges estavam “quase os traindo”. Além disso, ambos presenciam depois, junto de outros cinco passageiros, o assassinato de um senhor rico.
No geral, o roteiro destaca as camadas dos personagens. Assim como o dorama “Perfect Marriage Revenge” (crítica dele está no blog), o filme japonês explora as mudanças dos personagens mediante o desenvolvimento da trama e das situações.
Ademais, a obra trabalha muito com esse mostrar as verdadeiras faces e na crítica do individualismo na sociedade atual. Assim, quatro das testemunhas fingem inicialmente que nada aconteceu para não alegarem que houve o assassinato, devido aos seus motivos pessoais.
A crítica supracitada, portanto, leva a reflexão: até onde as pessoas estão dispostas a ignorar situações para alimentar o próprio individualismo e materialismo? O corpo do falecido é encontrado quando necessário para a leitura do testamento dele para os familiares. E uma empregada quase morreu por egoísmo do filho do defunto.
Além disso, tem-se a crítica das classes sociais e dos maus tratos dos trabalhadores. Há o exemplo de um menino, que é pobre, sendo um acompanhante (um entretenimento, ouso dizer até mesmo um brinquedo) de uma menina rica, a qual os pais não dão atenção.
Já em relação à classe trabalhadora, a crítica e a reflexão são de que quem é pobre, na sociedade atual, é considerado um objeto de submissão aos ricos. A exemplo do protagonista, que enfrenta vários momentos de humilhação durante seu trabalho, pelo simples fato dele ser um trabalhador. Pelos ricos, tal comportamento é justificado com: eu sou o cliente e o cliente sempre tem a razão.

OUTROS ASPECTOS TÉCNICOS
Em relação a direção de fotografia, o filme apresenta enquadramentos e imagens visualmente bonitas. Mas a linguagem cinematográfica utilizada é a padrão, sem muitas inovações.
Já na direção de arte, nota-se referências de um certo noir com elementos do Wes Anderson, as quais enriquecem a obra. No geral, a arte do filme é satisfatória e ajuda para fluir melhor a trama na edição.
Além disso, a trilha sonora cria a ambientação para o suspense do assassinato, bem como auxilia no realismo das festas e eventos.
Por último, mas não menos importante: a atuação e o elenco. A atuação de todos os envolvidos foi muito boa, o que culminou na obra passando rápido diante das 2 horas de duração. Mas isso não somente se dá pelo roteiro, o elenco foi fundamental para que a obra não se perdesse e tivesse o cômico, a escolha feita foi excelente.

MAS VALE A PENA ASSISTIR?
Para quem não tem muita paciência com filmes com mais de uma hora e meia, talvez o filme não seja interessante. No entanto, a sensação é de que passa rápido, o que é um atrativo. Outro ponto positivo é que, mesmo com as críticas socioeconômicas e psicológicas, a obra traz leveza e um romance bacana de assistir.
Levando em consideração o que foi supracitado, vale a pena ver o filme.









