“Romance Real”, escrito por Clara Alves, é um romance com temáticas importantes, cenas divertidas e claro, aquele clichê para chamar de seu!
Vamos falar de Romance Real? Na história conhecemos Dayana, uma brasileira que se vê obrigada a mudar para Londres, após a morte da mãe, para a casa do pai que ela não vê há anos.
Em um novo país, com uma família que ela não conhece, um pai que está ausente há anos, ela começa a se ver no meio de dilemas e tendo que resolver algumas questões antigas.
O que ela não esperava, era encontrar uma menina fugindo do palácio de Buckingham e que começassem a surgir vários rumores sobre a família real. Então, não quero falar mais por medo de spoiler, por isso, vamos para as minhas impressões?

Romance Real
- Autoria:
- Clara Alves
- Páginas (nº):
- 264
- Ano de lançamento:
- 2022
- Gênero:
- LGBTQIAP+, Romance, Jovem adulto
- Editora:
- Seguinte
Aviso de conteúdo: Abandono parental, gordofobia, luto
Está gostando de “Romance Real”? Leia também:
- Veja a nossa resenha de “Conectadas” de Clara Alves;
- Confira o que achamos de “As vantagens de ser você”;
- Leia a nossa opinião sobre “Última Parada”.
“Como eu conseguiria morar com aquele homem e olhar para a cara dele todos os dias pelos próximos anos? O homem que tinha me abandonado quando eu ainda era criança e arranjado uma nova família no exterior? O homem que me encarava sorridente no aeroporto, como se fossemos pai e filha de verdade, e não dois desconhecidos?”

A resenha de “Romance Real” de Clara Alves
Eu tive meu primeiro contato com Clara Alves em “Conectadas” e AMEI a escrita da autora, por isso, comecei a seguir ela em várias redes sociais. Quando vi essa história, fiquei com muita vontade de ler e quando ele chegou para mim, fiquei bem feliz. Mas tive um pequeno problema, quando comecei a ler “Romance Real”.
Na verdade, não foi um problema, mas eu tinha a impressão de que já conhecia a história de algum lugar. Demorei um pouco para pegar o livro para ler, e eu sempre tentava lembrar de onde conhecia aquele início de história. Até que um dia, vi em uma entrevista Clara falando que ela havia começado a escrever e postar a história no Wattpad, uma história hétero, mas que ela não via mais a história daquela forma.
Na entrevista ela conta que houve uma sugestão de tirar a história do Wattpad, reformular e apresentar para uma editora. E, obrigada Seguinte, por continuar trazendo histórias da Clara. “Romance Real” é uma história que se passa em Londres, com uma protagonista bi e zero padrão, por ser gorda. É maravilhoso ver protagonistas gordas nas histórias. Mas vou falar sobre isso mais para frente.
Clara não decepciona, depois de eu ter vencido aquela parte de reconhecimento em que algumas coisas eram semelhantes. Depois de eu ter entendido de onde vinha aquele reconhecimento, a leitura fluiu que foi uma beleza. Em “Romance Real” temos uma protagonista cheia de questões a serem resolvidas.
“(…) Não queria sair dali, me afastar das memórias. Não sei se teria forças. Segurando a camisola antiga da minha mãe, presente da avó dela, que ela sempre me emprestava quando eu estava doente, dizendo que era uma camisola mágica e fazia curar qualquer dor, eu me sentia rasgar por dentro. O cheiro dela ainda estava na roupa, a presença ainda era constante naquele quarto. Era como se a qualquer momento ela fosse entrar ali (…).”

Questões importantes dentro da história
Depois da morte da mãe, Day se vê tendo que ir para Londres, morar com o pai que um dia foi para o país da rainha tentar uma vida melhor para a família e nunca mais voltou. Uma das principais questões que Dayana tem que lidar, é com o rancor que o abandono do pai causou nela. A menina tem dificuldade de perdoar o pai e não é por menos, após ter se mudado, ele se separou de sua mãe e acabou conhecendo e se casando com uma outra mulher, que já tinha uma filha.
Ver o pai tratando a enteada como filha, sendo que nunca ligou para ela, é algo que machuca muito Dayana. Muito além disso, ela tem que lidar com o luto. Tendo perdido a mãe de uma forma bem repentina, ela tem algumas coisas para curar e entender.
Mas não é só Day que tem questões para resolver. Apesar do livro ser bem focado na protagonista, temos outros personagens que são explorados durante a história, como por exemplo, a filha da madrasta de Day. E claro, nossa garota misteriosa do palácio de Buckingham. Apesar de que, durante a leitura, fui fazendo suposições sobre essa personagem, acabamos tendo revelações sobre ela e vendo as coisas que ela precisa lidar.
“Ele contou muitas coisas que eu não estava a fim de ouvir. Parecia estar se justificando pelo fato de nunca ter dado nenhum apoio a mim e à minha mãe. O que ele não entendia de verdade é que nunca tinha sido só questão de dinheiro.”

“Romance Real”: uma comédia romântica para chamar de sua!
Temos um romance bem fofinho durante a história? Claro que temos, afinal, o título do livro é “Romance Real”. Dayana e Diana tem uma história bem fofa, com alguns momentos engraçados e outros bem clichês. Então se prepare para se apaixonar por essas duas e ficar com muita curiosidade de descobrir os mistérios de Diana.
Outra coisa que tem em “Romance Real” é referência. A referência pop está em alta, principalmente para os fãs de One Direction, afinal, Dayana é fã da banda (uma fã que tem a esperança de um reencontro). Os inícios dos capítulos, inclusive, são com músicas do One Direction.
Mas muito além disso, temos referência de comédias românticas, como “Um lugar chamado Nothing Hill” e claro, muita referência da família real britânica (mas essa, é uma família fictícia, e para mim, que ficou bem mais legal que a família original).
Outra coisa que temos na história? Fofoca! Como temos a família real britânica dentro de “Romance Real”, temos também várias fofocas sobre eles, que estão sendo publicadas. Além das fofocas, os capítulos também são intercalados por recordações do passado de Dayana.
“Eu poderia até não ter certeza alguma sobre querer continuar morando em Londres. Mas tinha certeza absoluta de que queria viver naquele beijo para sempre.”
“- Eu só queria dizer… – declarei, olhando para Diana e apenas para Diana -… que sou apenas uma garota, parada na frente de outra garota, pedindo a ela que a ame.”

Representatividade importa sim!
Representatividade importa e faz muita diferença. Quem não quer ver histórias bonitas, com personagens que parecem com eles? Em “Romance Real” temos uma personagem gorda e que passa por alguns dilemas que nós gordas, sempre passamos. A dificuldade de comprar roupas, o assento estreito do avião, a rejeição das pessoas. Mas que tem a sua própria história de amor.
Muito além disso, temos um romance sáfico e com uma personagem bissexual. Clara levanta uma bandeira muito importante dentro da comunidade LGBTQIAP+. E ela faz isso com uma delicadeza, enfim, representatividade sempre vai importar sim.
“Romance Real” é realmente um clichê bem fofo e que vale muito a pena ser lido. Inclusive, é um grande sucesso, já que ele vai ser lançado na gringa em 2024. Voa Clara, você merece!
“Para você, que sempre teve o protagonismo nos contos de fadas negado.
Espero que consiga se enxergar nesta história e sonhar com seu próprio felizes para sempre.”
“Sério, por que não avisam para as pessoas gordas já no começo da viagem que existe um extensor?”

Sobre Clara Alves
Clara Alves estudou jornalismo e já trabalhou no mercado editorial, mas largou tudo para ser escritora em tempo integral. Autora do best-seller “Conectadas”, que já vendeu mais de 100 milhões de exemplares, tem outros nove livros, entre livros solos e antologias com outros autores.
“Romance Real”, que foi publicado pela Seguinte em 2022, como eu já disse, vai ganhar uma edição nos Estados Unidos em 2024. Temos aí, uma grande autora nacional sendo publicada na gringa, galera!
E aí, já leu algum livro da Clara Alves?
“Mas eu não estava em casa.
Aquilo não era um lar.
Em um lar as pessoas não te acusavam de fazer sua irmã postiça ficar doente.
Em um lar as pessoas te aceitavam, não por pena, mas porque queriam te acolher.
Em um lar as pessoas te amavam.
Aquilo não era um lar.
Eu sempre soubera. Mas a ilusão às vezes era mais fácil de aceitar do que a realidade. Era fácil me acostumar com aquilo quando eu não tinha mais nada.”








