Uma princesa precisa descobrir sua própria força em um reino que aboliu a magia – tudo isso misturado com dragões, feiticeiras, aves amaldiçoadas e um noivo desconhecido
Os Seis Grous é o primeiro livro da duologia da autora Elizabeth Lim, publicada no Brasil pela Editora Plataforma 21. A autora apresenta uma ficção que mistura cultura asiática e mitologia oriental, com muita magia, dragões, maldições e pitadas de romance.
Shiori’anma é uma jovem princesa do reino de Kiata, a filha mais nova do imperador, e a favorita. Tem seis irmãos mais velhos, que a mimam tanto quanto o pai. Ela não tem memórias da mãe, tendo sido criada pela madrasta. As duas já foram grandes amigas, mas alguma coisa acabou afastando Raikama – a imperatriz -, e hoje as duas apenas se toleram.
Como princesa, Shiori sabe que entre os seus deveres, está o de se casar para firmar alianças que favoreçam seu reino. Ainda que vivendo momentos de paz, Kiata abomina a magia, e o imperador busca aliados que possam fortalecer essa postura. Assim, há muito tempo um compromisso foi oficializado entre Kiata e um reino distante no Norte, mas Shiori nunca fez nada para se aproximar de seu noivo, tanto, que nem o conheceu ainda.
Além de ser uma princesa bem mimada, Shiori guarda um segredo que poderia fragilizar a posição de seu pai e colocar em risco todo o reino de Kiata: ela tem magia. Ainda não tem domínio de suas habilidades, mas conseguiu infundir ‘vida’ em um pássaro de papel para ser sua amiga, a encantadora Kiki.
Você é você, Shiori. O nó que nos mantém juntos, gostemos ou não.

RESENHA DO LIVRO OS SEIS GROUS DE ELIZABETH LIM
Apesar de todas as tentativas de sabotar o noivado, chega um dia em que suas desculpas acabam. Mas Shiori está preocupada, ansiosa e, depois de comer muito – ela tem traços bem taurinos – foge com a roupa cerimonial para o lago próximo ao palácio. E é aí que a história começa. Ela é salva de um quase afogamento por um dragão!
Seryu é o Príncipe dos mares Orientais e neto do rei Dragão. Consegue assumir uma forma mais ou menos humana, mas com cabelos verdes e olhos cor de rubi. Ele salva Shiori de um quase afogamento, e os dois acabam se tornando grandes amigos. Além disso, uma pérola encantada, que ajudou a salvar a vida da princesa, vai transformar a amizade numa aliança, e Seryu promete ensinar à princesa como controlar suas habilidades.
Mas, a magia é proibida em Kiata, e Raikama vai descobrir o segredo da princesa – que também descobre alguns dos mistérios que envolvem a madrasta. Sendo assim, uma maldição cai sobre Shiori e seus irmãos: ela é banida e, para não ser reconhecida, terá uma tigela sobre a cabeça que não sairá nunca. Seus irmãos são transformados em grous durante o dia, e ela não poderá contar nada a ninguém porque, a cada som que sair de sua boca, um dos irmãos morre. A partir daí a princesa estará por sua conta e deverá encontrar uma maneira de quebrar a maldição, salvar os irmãos e livrar seu pai do casamento com Raikama – e, de bônus, vai conhecer seu destino e com quem o fio de seu coração está conectado.
– Sou Seryu, príncipe dos Mares Orientais e neto favorito do Rei Dragão, Nazayun, Soberano dos Quatro Mares e das Águas Celestiais.
Revirei os olhos para sua afetação. Eu também podia jogar esse jogo.
– Shiori’anma – disse altivamente, apesar de ele já saber meu nome. – Primeira filha do imperador Hanriyu, e a princesa mais querida de Kiata, o Reino das Nove Cortes Eternas e das Montanhas Sagradas da Perseverança.

Leia Também:
UMA PRINCESA QUE VAI APRENDER O VALOR DE PEQUENOS CONFORTOS
Os Seis Grous é daqueles livros que te pegam pela capa, belíssima. Além disso, se inspira em lendas e mitologias – Os Seis Cisnes, dos Irmãos Grimm, é uma das fontes, mas a autora também traz muito da cultura e mitologia asiática, incluindo pérolas de dragão e a deusa da lua.
Shiori foi uma personagem difícil para mim. Apesar de amar a utilização de uma princesa que parte em uma aventura para salvar a si mesma, a achei imatura e mimada. Bom, ela só tem 16 anos, então não dá para esperar muito, mas foi tão protegida que acabou sendo uma princesa bem frívola. Além disso, não conseguia acreditar que uma garota com uma tigela pregada na cabeça fosse levada a sério por alguém. Até emprego ela consegue, ainda que não falasse nada.
Mas é quando entra em cena o jovem Takkan! Ele foi um dos heróis mais fofos que já li. Ele pode cantar, desenhar e ler poemas – é um adorável pão de canela! Desde a primeira interação com Shiori, com a malfadada tigela, como uma simples empregada, em nenhum momento ele a trata como alguém inferior. Estende a mão para quem precisa e não desfaz de alguém só porque não tem o mesmo status social. Ele ainda vai trazer grandes surpresas para a história!
Queria que seu fio se prendesse ao meu para sempre.

MUITA COMIDA E RELAÇÕES FAMILIARES
Outra grata surpresa de Os Seis Grous foi Seryu. Um dragão charmoso e engraçado, sempre foi bem atencioso e cuidadoso com a princesa. Ele apareceu pouco, e acredito que será bem importante no segundo livro. Mas a grande personagem mesmo é Raikama. Seria mais uma madrasta má? A exploração da dinâmica familiar é um ponto forte, e a disputa entre enteada e madrasta ganha contornos ousados.
A ambientação da história é exuberante, ambientada num reino fictício que poderia estar no leste asiático. Tem senhores da guerra, príncipes, outros reinos, e muitos seres místicos e mágicos. A magia não chega a ser surpreendente, mas é consistente e cabe em venenos, maldições e linhagens. Além disso, a comida ganha destaque, já que Shiori adora comer e tem memórias afetivas no preparo de pratos, e as descrições são de dar água na boca!
De uma maneira geral, apesar de ficar incomodada com uma garota com uma tigela na cabeça (bom, sou mineira, só consigo pensar no Menino Maluquinho, do grande Ziraldo!), a história é consistente, fluida – ainda que os capítulos fossem longos. A história traz uma jornada de amadurecimento, um plot surpreendente ao final e um ótimo gancho para a continuação, que já foi publicada no Brasil – A Promessa do Dragão vem aí!
… eu considero o casamento um dever para com o coração. A comida alimenta nossa barriga, os pensamentos alimentam nossa mente, mas é o amor que alimenta o coração.











