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MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS, MACHADO DE ASSIS – LENDO COM UM GRUPO DE AMIGAS | RESENHA

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBAS, MACHADO DE ASSIS – LENDO COM UM GRUPO DE AMIGAS | RESENHA

“Memórias Póstumas de Brás Cubas é uma obra bastante conhecida de nossa literatura, uma vez que temos um autor defunto, e que logo no início, já dedica tais escritos ao verme que primeiro roeu suas frias carnes de cadáver. Popular assim se tornou Brás Cubas. E hoje quero falar um pouco sobre essa releitura em uma edição especial, e na companhia de um grupo de pessoas incríveis.”

O livro Memórias Póstumas de Brás Cuba, do conhecido e um dos favoritos autores nacionais desta que vos escreve, Machado de Assis, ganhou vida no ano de 1881. O autor foi bastante arrojado quando lança um narrador-defunto. Como assim?, os críticos e demais leitores devem ter pensado. Como não bastasse Machado também vem com sua crítica irônica, expor uma camada com privilégios da elite da época em que vivia.

Memórias póstumas de Brás Cubas

Autoria:
Machado de Assis

Editora:
Clube de Literatura Clássica

Ano de lançamento:
2022

Gênero:
Literatura Brasileira, Literatura Clássica

Páginas (nº):
250
Memórias póstumas de Brás Cubas: ao mesmo tempo em que marca a fase mais madura do autor, o livro é considerado a transição do romantismo para o realismo. Num primeiro momento, a prosa fragmentária e livre de Memórias póstumas, misturando elegância e abuso, refinamento e humor negro, causou estranheza, inclusive entre a crítica. Com o tempo, no entanto, o defunto autor que dedica sua obra ao verme que primeiro roeu as frias carnes de seu cadáver tornou-se um dos personagens mais populares da nossa literatura.
Detalhes de Memórias Póstumas de Brás Cubas

Resenha do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas

Você não pense que estaria eu maldizendo o contador dos fatos acontecidos aqui em Memórias Póstumas de Brás Cubas. Primeiro, a dica já está dada no título do livro, quando você o escolhe para ler. Segundo, o narrador é o próprio, o senhor falecido, aquele que se autodenomina defunto-autor. Cousa essa inédita, mas que sim, aconteceu e podemos provar. Pois quem não conhece nem que seja um pouco dessa instigante literatura?

O mundo que conhecemos hoje, já não é mais palco para nosso narrador. Ele conta suas memórias, seus dias vividos. Mas, bem consciente que aqui, desse plano, ele já não mais faz parte. Brás Cubas é alguém que se sente bem livre em falar como quiser e de quem sentir vontade. Não está mais preso às convenções que estar vivo nos impõem. Obviamente, narrando em primeira pessoa, iremos conhecer a versão da história por sua visão de mundo.

Ele realmente morreu?

Memórias Póstumas de Brás Cubas é um livro que nos explica como um protagonista que está morto, e contando sua história, se sentia, como analisava o meio que estava inserido, do que gostava, como se dava seus sentimentos e o que pensava da vida. Também, dessa forma, iremos ter o ponto de vista de Brás Cubas a respeito da sociedade carioca do século XIX. Não podemos nos concentrar muito a linha do tempo do seu discurso, pois desapegado da matéria carnal, Brás Cubas é livre pra ir e vir.

Todavia, ainda a respeito da linha do tempo narrado pelo nosso falecido amigo, logo é percebido a bagunça, uma vez que a própria morte é nos contada antes do fato de seu nascimento. Ou seja, as coisas podem acontecer às avessas, ou da forma que lhe aprouver. Contudo, se você puder acompanhar a linha cronológica, ela acontece… Pois temos a narrativa de sua infância, de seu desenvolvimento, de sua viagem para seus estudos fora do país, seu retorno ao Brasil, e o ápice da história: sua morte.

Um defunto que pode escrever: Assim nasce Memórias Póstumas de Brás Cubas

Acredito que como todos nós que nos deliciamos com Memórias Póstumas de Brás Cubas em mãos, o próprio defunto-autor também se deliciou. Porque ora, imagina. Ele não foi um grande autor, que publicou inúmeros livros, e que veio a falecer. Brás Cubas tão somente era um defunto, e que podia escrever. E isso é algo digno de nota. Mesmo que em sua história de vida não tenhamos grandes feitos, a narrativa é algo que se faz importante se ter conhecimento. Falo isso tanto metaforicamente, quanto a respeito da importância literária da obra.

O próprio defunto-autor nos conta em seu capítulo final que ele tantas coisas não conseguiu realizar… Ele não se casou. Ele não desenvolveu a medicação que tanto queria. Mesmo deputado, ele não foi lá àquelas coisas que se podia esperar dele. E por fim, não espalhou sua semente. Não teve filhos. Conquanto isso, o “tudo o que não realizou” é o que mais importa e denota Memórias Póstumas de Brás Cubas. O leitor pode esperar até próximo das últimas páginas algumas das realizações prometidas ao longo do caminho…

Ode ao Machadão

Machado de Assis é um autor fantástico, por quem eu sempre abro espaço em minha biblioteca e vida literária. É meu autor nacional clássico preferido sem sombra de dúvidas. Também sempre foi muito revolucionário, e causava no leitor e na sociedade sentimentos que não eram tão explorados naquela época em que vivia. Perguntas que até hoje atravessam gerações e que não temos uma resposta concreta. Penso que, se Machado puder nos ver de algum plano qualquer onde esteja, ele se diverte muito com nossos debates e discussões!

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