“O Vilarejo” é um suspense japonês que ressalta questões importantes envolvendo o meio ambiente e o social nos espaços que possuem aterros sanitários e estruturas parecidas. Mas não somente isso, o filme critica a corrupção e traz elementos importantes da cultura japonesa.

“O Vilarejo” é um filme japonês de drama com suspense, que contém 2h de duração, e encontra-se na plataforma de streaming Netflix. Sua estreia mundial foi no dia 21 de abril de 2023, mas no Brasil, a obra estreou no dia 16 de junho de 2023.
Ademais, a história conta sobre Yu Katayama (Ryûsei Yokohama), um jovem que vive numa ilha chamada Kamonmura, cuja atividade financeira maior é um aterro sanitário. Yu trabalha nesse local devido a uma dívida contraída pela sua mãe viciada em jogos e devido a um incidente com seu pai no passado.
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Título Original: Village
Duração: 120 minutos
Ano produção: 2022
Estreia: 16 de junho de 2023
Distribuidora: Netflix
Dirigido por: Michihito Fujiii
Classificação: 14 anos
Gênero: Drama, suspense
Países de Origem: Japão
CRÍTICA DO FILME JAPONÊS “O VILAREJO”
O filme “O Vilarejo” do diretor Michihito começa com uma peça do teatro Noh sendo apresentada e os moradores do vilarejo (aqui nota-se o personagem Yu Katayama quando criança) assistindo hipnotizados, intercalados com imagens de um homem no ato de queimar a própria casa.
Antes de continuar a crítica com a estrutura que sempre faço: um pouco mais da história; comentários de roteiro e atuação; direção de fotografia e arte; abordagem de temáticas, bem como a construção da trilha sonora e por fim um feedback se vale ou não a pena assistir a obra, queria abordar um pouco do que é o teatro Noh (que norteia e dá mais significado ao filme).

O QUE É O TEATRO NOH?
O teatro Noh (Nō) tornou-se popular no século XIV e é uma arte de atuação japonesa. Ademais, essa arte tem sua origem nos rituais presentes nas antigas religiões Budistas e Xintoístas, bem como descende de 3 formas antigas de dança e música.
Além disso, as mulheres não eram permitidas performarem no período medieval, tendo os papéis feminino e masculino interpretados por homens. Assim, quando atuavam, os artistas colocavam máscaras que representavam arquétipos de personagens e utilizavam, sobretudo, de seus movimentos para a performance.
Um ponto também interessante refere-se ao palco, que deve possuir 6m por 6m quadrados e ser feito de madeira cipreste, critérios demandados para a realização desse teatro. Ademais, a imagem da árvore colocada ao fundo, indica que a peça se passará em um mundo espiritual.
Outro ponto igualmente importante é a construção da significação da peça mediante a presença do espectador. Dessa forma, como é uma arte integrada (contendo música, dança e canto) e como possui diversas simbologias, o espectador acaba por criar interpretações para aquilo que está vivenciando.

CONTINUANDO A CRÍTICA SOBRE “O VILAREJO”
Voltando à crítica do filme, as cenas iniciais são cruciais para o desenrolar da cadeia de acontecimentos no presente e futuro do personagem Yu. Assim, a pessoa que queimou a casa e consequentemente parte do vilarejo descobre-se que é o pai do protagonista.
Essa tragédia marca a vida de Yu, que cresce isolado e sem perspectivas, e a da sua mãe também, que vira uma viciada em apostas. Consequentemente, Yu é obrigado a trabalhar no aterro sanitário do vilarejo para pagar as dívidas e tentar sobreviver no vilarejo, mesmo que isso implique em ganhar dinheiro enterrando ilegalmente no aterro, na madrugada, resíduos tóxicos.
No entanto, as coisas mudam com a chegada da Misaki Nakai (Haru Kuroki), amiga de infância de Yu. Cansada da sua vida em Tóquio, Misaki retorna ao vilarejo com o objetivo de pertencer novamente a algum lugar.
Além disso, ela começa a trabalhar no aterro sanitário na parte de marketing e publicidade, colocando Yu na frente de um de seus projetos. Projeto esse que faz o protagonista voltar a ver sentido na vida e perante várias situações. Ambos se tornam amantes e retomam com o companheirismo que outrora tiveram na infância.
Dessa forma, o roteiro no geral amarra todas as pontas que propõe e aponta a junção do passado com o presente como uma ferramenta poderosa de construção da narrativa. Ademais, desde o princípio nota-se que o final não será feliz, mesmo que o desenvolvimento do filme dê a entender que há esperança para a mudança e ao final a felicidade.
Assim, a obra critica os males do ser humano, sobretudo, a corrupção. Os donos do aterro sanitário enganam a população do vilarejo com a finalidade de ganhar em cima disso. Vê-se que a trama perpassa pelas consequências ambientais e sociais envolvendo o aterro e a corrupção.

OUTROS ELEMENTOS CINEMATOGRÁFICOS
Já em relação a atuação, o elenco escolhido compõe de grandes nomes (que já ganharam prêmios internacionais e nacionais, sem falar das incontáveis obras cinematográficas), os quais entregam um trabalho excelente.
Além disso, a direção de fotografia é belíssima, trazendo planos e enquadramentos envolventes, que através da montagem do filme, ganham uma potência e beleza incríveis. Quando ambas ressoam com a direção de arte, a obra toma proporções impactantes.
Utilizou-se como um caminho da paleta: no lixão cores mais acinzentadas, mas com a chegada de Misaki, as cores são mais coloridas, observando tonalidades mais terrosas, com destaque para o amarelo.
Além desses elementos para desenvolver a narrativa e criar também o suspense, a trilha sonora é bem feita e ajuda nesse sentido.
MAS VALE A PENA ASSISTIR?
Ao pensar na complexidade da trama e nos elementos apresentados, sobretudo, sobre o teatro Noh, acredito que o filme vale a pena assistir. Ele traz questões sociais e ambientais importantes para debate e visualização. Porém, se você quer um filme com final feliz e que não vá ficar revoltado (a), não assista.
PS: Deixo aqui avisado que há uma cena de quase estupro de uma personagem e há assassinato no filme (sangue é mostrado), para as pessoas mais sensíveis em relação a esses assuntos, melhor não assistir.
Fontes consultadas









