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FUMAÇA BRANCA, TIFFANY D. JACKSON – CRESCIMENTO, TERROR E EMPATIA

FUMAÇA BRANCA, TIFFANY D. JACKSON – CRESCIMENTO, TERROR E EMPATIA

“Fumaça Branca foi um livro bastante aleatório dentro dos meus gêneros favoritos. Porém, se tem terror na sinopse, o interesse já nasceu! E vamos conhecer a fundo um grande mistério de uma cidadezinha no meio do nada.”

Tiffany D. Jackson nos traz uma história clássica de terror, com uma casa assombrada. Mas, precisamos ficar atentos a todo tempo nas manifestações que ali acontecem. Claro, muita gente vai dizer que é mentira. Que as crianças estão inventando, ou estão imaginando coisas. Só que… O que de fato tem acontecido de tão misterioso nessa casa?

“As lembranças são cacos de vidro cortantes e recém-partidos que me perpassam.”

Fumaça Branca

Autoria:
Tiffany D. Jackson

Editora:
Seguinte

Ano de lançamento:
2022

Gênero:
YA, Jovem Adulto, Suspense, Mistério, Terror

Páginas (nº):
320

Título original:
White Smoke
Mari não vê a hora de recomeçar. Prestes a se mudar com a família para uma cidadezinha no interior dos Estados Unidos, tudo o que a garota quer é esquecer dos traumas e acreditar que o futuro lhe reserva algo melhor.
Porém, assim que chega a Cedarville, Mari nota que o lugar é um pouco estranho. Os vizinhos aparentam esconder algum segredo, e a casa onde a família vai morar — uma construção antiga, enorme e suntuosa — parece não receber bem os novos habitantes. Quando coisas incomuns começam a acontecer, como luzes que se apagam do nada e objetos que desaparecem, Mari se vê envolvida em uma perigosa teia de mistérios.
Mas talvez seja tudo fruto da sua imaginação. Afinal, se o pior já ficou para trás, nada mais pode dar errado…
Ou pode?
Livro: Fumaça Branca

“- E não dá pra crescer onde não te querem.”

Resenha de Fumaça Branca – Tiffany D. Jackson

Mari e Sammy são irmãos. Seus pais se separaram, e agora a adolescente e a criança, vivem com a mãe e seu novo marido. Ah, tem uma filha do marido também envolvida nessa história. Uma (nova) família composta por cinco pessoas. E todas elas são substancialmente muito diferentes uma das outras.

Marigold teve alguma treta pesada no seu passado não muito distante. Você irá perceber isso, e descobrir o que foi, ao longo da leitura. A menina precisou de reabilitação, e agora a confiança de sua mãe praticamente não existe em relação a ela. Quem a poderia julgar? Confiança é algo que se conquista. E Mari pisou muito na bola.

Em tempo, uma oportunidade única de viver em uma nova cidade, com uma casa grande e espaçosa, sem qualquer ônus, surgiu. A mãe de Marigold não pensou duas vezes. Todavia, foi uma decisão quase que unânime. E lá foram eles, da costa da Califórnia, para uma cidade muito estranha e desolada no Meio-Oeste dos Estados Unidos.

Fumaça Branca: lombada

“Mudar é bom. Mudar é necessário. Mudar é preciso.”

Uma família que poderia ser mais unida…

Às vezes Marigold sente que o padrasto, que é branco, e sua meia-irmã Piper, não sabem como é viver em sua pele de garota negra. Mesmo assim, tentando ignorar as pequenas rixas em casa, Mari busca reconstruir sua vida. Coisa que ela realmente precisava tentar desde que ela praticamente acabou com sua reputação lá pela Califórnia.

Sammy, seu irmão, é uma criança inteligente, esperta, e muito alérgico. Por isso a alimentação da família é bastante balanceada, monitorada, e vegana. A mãe de Sammy e Mari também espalha pela casa injeções que salvariam a vida do menino no caso de um ataque alérgico. E mesmo assim, ainda seria necessário de apoio médico. Isso é algo que eles vivenciam como se fosse certo que algo aconteceria de fato.

À medida que a família busca ir se ajeitando no novo local de moradia pertencente ao projeto “Cresca Onde Foi Plantado”, percebem que a casa em que vivem, é a primeira habitada. Esse projeto no qual a empresa que a mãe trabalha está envolvida, visa trazer mais moradores para a área. Só que ali, naquele momento, eles são cercados por casas abandonadas, queimadas, avariadas e vilipendiadas. É uma vizinhança quase que fantasma. Sem contar que os vizinhos que pintam por ali, não os querem bem.

Fumaça Branca: miolo

“Lar não é um lugar, é um sentimento.”

Cedarville – a cidade mais estranha da região

Cedarville é um local rigoroso. Eles contam com uma política antidroga muito forte. As leis usadas no trabalho antidrogas é algo ridiculamente punitivo, visando atingir as comunidades negras. Ademais, existe um complexo penitenciário onde todo mundo da cidade tem um, ou mais membros de sua família por lá. Geralmente, os mais necessitados, os negros, ou aqueles que precisam ir ao extremo para trazer alimento para dentro de casa sofrem, e sem qualquer esperança de melhoria de vida. É fácil sentir esse tom de injustiça na história. A gente sabe que algo está acontecendo…

Para piorar o que já não estava bom, por ali, onde a família de Mari vive, existe muita falação e invenção a respeito de monstros, ou seja lá o que for de mal que vive naquelas casas queimadas. Mari, desde que chegou, percebeu como os trabalhadores que estavam reformando a residência deles se sentiam a respeito do local. E ninguém ficava nem 1 minuto a mais depois do horário de ir embora dali.

“… momentos de desespero pedem ações desesperadas.”

Leia também:

Capa traseira

“Você já se deu conta de que livros são só árvores… com palavras?”

Fumaça Branca: O que terá acontecido em Cedarville?

Passando um tempo que estavam morando por ali, pôde-se perceber que coisas estranhas aconteciam, mas os adultos da situação sempre davam um jeito de justificar. Copos apareciam onde não deviam, algumas sombras, vultos e portas batendo de maneira não natural. E a pequena meia-irmã de Mari que parece ter uma relação bastante sinistra com uma espécie de amiga imaginária…

Ok. Mari tem muito o que digerir. E ela ainda sente falta de fumar um baseado. Para ela, a maconha seria de extrema urgência e relevância. Contudo, ela não conhecia ninguém. Não tinha como ter acesso à droga. E ela não queria prejudicar os poucos novos amigos que fez, uma vez que ali as coisas eram muito pesadas quando o assunto era DROGA. Então, tomada pela ansiedade, bem como a agonia de estar presenciando acontecimentos bizarros, Mari tenta arranjar uma maneira de suprir sua necessidade.

A adolescente tem uma melhor amiga lá na Califórnia, e invariavelmente elas se comunicam por mensagens e ligações de vídeo. Essa amiga é uma espécie de porto seguro para Mari, que bem aos poucos, vai se enturmando com outros dois adolescentes da escola. Ela também tem tentado realizar outros tipos de atividades, mesmo que descubramos que a finalidade não é assim tão estoica.

“- Você está certa. Não é justo. A vida não é justa. Mas a gente segue em frente.”

Teremos uma mensagem com significado!

Em meio a tantos obstáculos, sentimentos reprimidos, vontades não validadas, e estar morando em uma casa assombrada, Mari é uma típica adolescente. Às vezes, ela vai sim pensar mais nela do que nos outros. Estranho seria se ela fosse a senhorita empatia. O adolescente vê quase sempre suas questões como o centro do mundo. E a partir daquilo, é que ele vai decidir se o mundo é um lugar bom de se viver, ou se é péssimo.

Lembrando que essa é uma leitura para o jovem adulto. Então, ter essa visão de como a ansiedade que Mari sente deixa a menina muitas vezes no seu limite, e creio que os mais novos entenderão bem as sensações. A dependência química é algo que ela luta contra. E que, todavia, a espreita a todo o momento sem dó. Fazendo assim com que ela busque formas e alternativas de ver saciada sua necessidade de relaxar depois de conseguir fumar maconha.

E aí mora o significado do título. Como uma jovem idosa, eu no alto dos meus 39 anos não tinha sacado o significado do título. Entretanto, quem disse que não sou persistente?! hahaaha Uma hora eu consegui fazer as sinapses corretas, e olha lá o motivo de tanta fumaceira. Vale ressaltar que as casas da vizinhança, bem como a de Mari, arderam em fogo anos atrás, fazendo diversas vítimas. Acredito que o tom da Fumaça Branca também pode ter uma associação aqui.

A Autora – Tiffany D. Jackson

“… E a verdade é: não tem como parar algo que já está acontecendo.”

E nos finalmentes:

Concluindo, eu achei uma leitura super válida para eu conhecer essa autora de YA, que tem em sua conta muitas obras. Também, para eu me relembrar como é ser adolescente, e viver no limite que achamos ser o mundo real em boa parte dessa fase da vida. Também gostei muito do tom que a autora trouxe entre o mistério da casa assombrada, e tudo que Mari foi descobrindo a partir do novo e famoso emprego da mãe.

Será que o que os levou até Cedarville foi um tipo de embuste, ou realmente uma excelente oportunidade para mudarem de vida, e ressignificar sua existência como família? Fumaça Branca traz para o leitor uma dinâmica diferente de família. Mas, também é uma relação que pode dar certo. O pai dos adolescentes é amigo e parceiro dos responsáveis pelas crianças. O que faz com que tudo fique mais fácil no caso de tomar decisões, dar conselho ou ser “presente”.

Em Fumaça Branca, da Editora Seguinte, Mari aprenderá o valor da família. Irá encarar o que o mau que habita lá fora, nos outros, é capaz de fazer com o ser humano. E que a vingança é um caminho que pode parecer fácil de ser trilhado, mas as consequências são praticamente eternas. Enfim, Jackson conseguiu fazer com que eu me interesse em outras obras suas. Porque por mais que eu esteja muitos anos distante da minha adolescência… Eu ainda tenho três filhos para ver crescer.

“Ansiedade é algo real. Eu não seria desse jeito só para fazer graça.”

Comente este post!

  • Claudia Melo

    Carol,
    Como sempre, resenha sensacional!
    Lemos este livro juntas e detestei a protagonista.
    Quanto ao título, saquei assim que li a primeira menção à maconha e até me lembrei da música do Gabriel, O Pensador: Cachimbo da Paz. Hahaha
    Se eu tivesse lido o livro depois de ler sua resenha, certamente teria aproveitado melhor a leitura. 🙂
    Beijos,
    Clau

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    • Carol Nery

      Ah, Clau… Fico sempre lisonjeada com seus comentários. E adoro fazer parceria de leituras com você. Nosso ritmo é bom, e as histórias ficam mais interessantes, né mesmo? É bom demais poder falar mal das personagens, ou morrer de amor por elas, com outra pessoa que esteja no mesmo clima.
      OBRIGADA, sempre.

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  • Debyh

    Olá,
    Me interessei pelo livro por conta da autora, desde que li o conto dela em Blackout fiquei interessada em ler mais coisas dela. Também gosto do clima de casa mal assombrada, dá para se trabalhar com várias coisas e aqui parece que ela utilizou bem, em breve também espero ler!

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    • Carol Nery

      Que legal. Eu sei que a autora é boa mesmo. Mas, eu não conhecia…
      Foi uma surpresa, mesmo o tema sendo meio estranho, ela conseguiu ganhar minha atenção.

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  • Maria Luíza Lelis

    Oie, tudo bem?
    Vou te confessar que nunca tinha ouvido falar sobre esse livro. Mas pela sua resenha senti que, mesmo sendo totalmente fora da minha zona de conforto, deve ser uma leitura bem interessante. Gostei também das mensagens e reflexões que o livro traz e fiquei curiosa para conhecer a Mari.
    Beijos

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    • Carol Nery

      Eu também não conhecia. E embora a autora seja conhecida, foi minha primeira vez com ela.
      E foi bem interessante! Ela conseguiu me enganar em boa parte da trama.

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