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CRÍTICA | Exit 8 – dos jogos para a tela de cinema!

CRÍTICA | Exit 8 – dos jogos para a tela de cinema!

Exit 8: Entre loops infinitos, culpa e omissão, um homem transforma repetição em confronto interno

Nome: Exit 8
Duração: 1 h 35 min
Gênero: Terror
Classificação do Conteúdo: 14 anos
Elenco: • Kazunari Ninomiya
• Yamato Kochi 
• Naru Asanuma
Diretor: Genki Kawamura

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The Exit 8 é um jogo indie de aventura lançado em 2023, desenvolvido pela Kotake Create. Classificado como um “simulador de caminhada”, o jogo coloca o jogador em um corredor de metrô japonês aparentemente comum.

A proposta gira em torno da observação: o jogador precisa identificar pequenas mudanças no ambiente chamadas de anomalias para conseguir avançar no jogo. Ao reconhecer essas irregularidades e tomar a decisão certa, ele progride em direção à saída; caso contrário, retorna ao início.

Exit 8 provoca reflexão ou só cansa?

Exit 8 apresenta um homem perdido (Kazunari Ninomiya) que tenta encontrar uma saída, mas, na prática, se vê preso dentro de um jogo. O filme nunca revela seu nome nem aprofunda sua história; ainda assim, deixa claro um ponto essencial: ele presencia uma situação de injustiça no metrô e escolhe não agir.

A partir disso, a narrativa o insere em um ciclo repetitivo. Ele precisa avançar por “saídas” seguindo regras simples; voltar diante de anomalias e seguir adiante quando tudo parece normal. No entanto, cada erro o faz recomeçar. Nesse processo, o protagonista confronta sua própria culpa e insegurança; consequentemente, percebe que sua omissão inicial se conecta diretamente ao medo de assumir responsabilidades.

Além disso, o longa se baseia em um jogo que opera sob a mesma lógica de looping infinito, no qual o jogador precisa superar etapas até alcançar a saída 8.

Exibido no Festival de Cannes 2025, o filme chega aos cinemas brasileiros em 30 de abril de 2026. Ainda que tenha despertado interesse, a recepção crítica se dividiu: enquanto alguns reconhecem sua proposta, outros apontam a repetição e a limitação do roteiro.

Para compensar essa estrutura, a direção investe em elementos visuais mais marcantes. Assim, as anomalias ganham dimensões psicológicas, físicas e estéticas, aproximando o filme de um terror mais sensorial. Mesmo assim, essa aposta não resolve completamente o problema do ritmo.

Um filme que se perde na repetição e não atinge seu potencial!

Contudo, o protagonista facilita a identificação do espectador. Sua rotina comum que é trabalhar, pegar metrô lotado, lidar com o cansaço aproxima a experiência do público e sustenta parte do envolvimento com a história.

Ainda assim, embora o filme esboce uma crítica social relevante, ele não a desenvolve com profundidade. Em vez de explorar as estruturas que produzem opressão e esgotamento, a narrativa acaba individualizando um problema que é coletivo. Dessa forma, reduz a complexidade de um fenômeno social a um conflito interno.

Além disso, a repetição estrutural, que poderia funcionar como recurso expressivo, torna-se excessiva. Em vários momentos, a história parece estagnar, o que gera cansaço e pode afastar o espectador, em alguns trechos, inclusive, a vontade de interromper o filme se torna real.

Por fim, a presença de Fita de Möbius II (Formigas Vermelhas), de M. C. Escher, sintetiza bem a proposta do filme. As formigas percorrem incessantemente um caminho em forma de oito, sem nunca escapar dele.

Em suma, a imagem reforça a ideia de repetição, aprisionamento e ausência de progresso não apenas para o protagonista, mas também para todos que permanecem presos a ciclos que não levam a lugar algum.

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