Sou chegou, enfim, na plataforma Disney+ em pleno Natal! A nova animação da Pixar tem como diretor o já conhecido Pete Docter, responsável por outros sucessos como DivertidaMente e Monstros S.A. Fazendo história por si só, a animação traz o primeiro protagonista negro do estúdio, além de abordar sua forte ligação com o jazz e o soul music, e propiciar uma viagem linda e lúdica ao existencialismo.

“Você já se perguntou o que faz de você, VOCÊ?”

Joe Gardner é um desmotivado professor escolar de música que sempre teve o sonho de tocar piano em uma famosa banda de jazz. Desde que se interessou pela música, soube que esse era o seu futuro. Mas as coisas não saíram como gostaria e ele agora está preso em uma profissão que não o deixa feliz. Porém, algo inesperado acontece e ele é selecionado para tocar na banda de uma das mais famosas saxofonistas da cidade. Muito feliz, no caminho de volta para casa ele sofre um acidente e morre.

Se negando a ir “para o além”, ele acaba caindo no Pré-Vida e sendo confundido com um novo instrutor. Neste local acontece a preparação das alminhas que irão para Terra. Todas elas já possuem suas personalidades definidas, no entanto precisam encontrar uma missão, algo que as motive a iniciar a nova vida.

Joe acaba sendo encarregado da alma 22, que está no local há milhares de anos e não possui o menor interesse em descer para Terra. E ambos iniciam uma jornada juntos, onde um não aceita morrer e a outra não aceita viver. Eles precisam se ajudar, entender e encontrar seu destino, e farão isso voltando a atenção para as pequenas coisas, pequenos prazeres, valorizando pessoas especiais e a importância dos laços emocionais.

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“Soul” é um dos filmes da Pixar que mais possui uma temática adulta. Obviamente as crianças irão amar todas as imagens, cores, sons e falas divertidas. Porém, a mensagem vai muito além, ela vai de encontro aos nossos sentimentos e questiona: O que te motiva a viver? Joe Gardner luta incansavelmente pela sua vida, ainda que quem a visse de fora não encontrasse motivos que valessem tanto a pena. Ele não estava realizado, mas não queria desistir de tentar.

Em contrapartida, a 22 é aquela que olha por fora, que avalia sem se envolver, sem se entregar e não quer nem tentar. Isso causa, inclusive, estranheza entre os demais. E a Pixar consegue ser tão fantástica ao retratar tudo isso, que você precisa se atentar aos detalhes. Enquanto as almas que chegam precisam apenas ficar paradas em uma esteira que as leva para o “além”, as alminhas jovens precisam dar um salto no vazio e assim cair na Terra. É a serenidade do dever cumprido versus a coragem de enfrentar o desconhecido. E ambos os protagonistas não estão preparados para tal.

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Além disso, neste universo “pós-vida” existe também uma região onde se encontram as pessoas obcecadas por algo, que se desligam da própria mente e consequentemente da própria vida. Elas estão vivas na Terra, mas ficam ali, temporariamente pairando até que algo as consiga tirar desse transe, dessa rotina obsessiva. Ou não… E mais uma vez somos chamados a autoavaliação, a nos questionar quantas vezes nos prendemos em situações que não nos permitem viver e aproveitar nossa própria vida?

Seguindo a linha de outros sucessos anteriores do estúdio, como DivertidaMente do próprio diretor, esta é uma daquelas animações que você precisa assistir mais de uma vez para pegar todas as mensagens e referências que traz. “Soul” tem uma trilha sonora impecável, com uma forte base no jazz, reforçando ainda mais o seu compromisso com a representatividade.

“⁠Tem uma história sobre um peixe. Esse peixe foi até um ancião e disse:
“Tô procurando um negócio. Um tal oceano.”
“O oceano?” O ancião falou. “Você está no oceano.”
“Isso?” Disse o peixinho. “Isso aqui é água.O que eu quero é o oceano!”

E por fim, digo que “Soul” é uma auto-análise indispensável. Você já parou para pensar o que o motiva a viver, em quando você viu algo que despertou em você o desejo de prosseguir? Já parou para pensar em quanto tempo perdeu idealizando algo sem valorizar cada etapa e cada pessoa em seu caminho? Quantas vezes a rotina, a pressão social e do trabalho, as manias e obsessões o impediram de ver a vida? Seguindo a deixa do próprio título, se prepare para viajar pela sua própria alma!

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Distribuidora: Pixar | Disney+
Estreia: 25/12/2020
Orçamento: U$ 150 milhões
Gênero: Animação
Duração: 01h:47 Diretor: Pete Docter | Elenco: Jamie Fox, Tina Fey