Hoje, depois, amanhã é uma comédia romântica com rivais acadêmicos vivendo o último dia do ensino médio.
Os livros da autora Rachel Lynn Solomon já foram traduzidos para mais de quinze idiomas, geralmente com enfoque em pessoas imperfeitas que se apaixonam. Hoje, depois, amanhã é o primeiro livro da autora lançado no Brasil, publicado pela Galera Record, com um gostinho de sessão da tarde.

Hoje, Depois, Amanhã
- Autoria:
- Rachel Lynn Solomon
- Editora:
- Galera Record
- Ano de lançamento:
- 2023
- Gênero:
- Romance Jovem Adulto
- Páginas (nº):
- 382
- Título original:
- Today, Tonight, tomorrow
O Ensino Médio é uma fase de grandes mudanças. A proximidade das responsabilidades pode assustar, mas Rowan se preparou há tempos para isso. Filha de escritores de livros infantis, sempre teve vontade de escrever, mas acredita que ninguém leva muito a sério seu gênero favorito: os romances comerciais.
Entretanto, até agora, seu maior desafio foi estar à frente de seu maior rival, Neil, com quem tem ainda duas últimas disputas. A primeira delas é a vaga de orador da turma.
Pode parecer só mais uma disputa, mas os dois levam a sério. No caminho para a escola, Rowan vai sofrer um acidente sem grandes consequências, mas que a deixará atrasada e com a roupa manchada, mas ela está pronta para brilhar, porque tem certeza de que será escolhida. É a chance de encerrar com chave de ouro sua vida de estudante, e de passar para trás o nerd do Neil. Bom, mas parece que as notícias ruins ainda não terminaram…
Um silêncio cai sobre nós, um silêncio estranho e ansioso que me faz olhar para as sapatilhas, cruzar e descruzar os tornozelos e bater com as unhas na mochila. McNair e eu não sabemos lidar com silêncios. Somos argumentações e ameaças. Fogos de artifício e chamas.

RESENHA DO LIVRO HOJE, DEPOIS, AMANHÃ DE RACHEL LYNN SOLOMON
A disputa entre os dois se estende há tanto tempo que ela nem se lembra mais de como começou, e se tornou lendária entre os colegas e os professores. Todos sabem que não devem entrar nessa guerra. Mas, com Neil conseguindo a vaga de orador, resta a última e derradeira batalha: O Uivo.
O Uivo é uma competição entre os alunos do último ano, que devem percorrer a cidade atrás de pistas plantadas pelos organizadores – geralmente os alunos que irão se formar no ano seguinte, que também tem como regra a eliminação de alvos pré-determinados. Ao final, o vencedor recebe um valor arrecadado pelos organizadores – valores bem altos – além de ser sagrado o grande vencedor. Se não deu para ser oradora, ganhar o Uivo vai ter de servir…
Acontece que essa disputa entre Rowan e Neil acabou incomodando alguns alunos, que decidem se unir para derrotar os dois. Quando Rowan escuta essa conversa por acaso, sai atrás de seu arqui-inimigo, e assim uma aliança improvável se forma. Conforme o tempo vai passando, os dois vão se conhecendo melhor, percebendo que tem muitas coisas em comum que gostariam de ter compartilhado ao longo do tempo. Pois é, descobrem que perderam muito tempo numa guerrinha de ódio quando poderiam estar juntos. Agora, o objetivo é vencer o Uivo!
Eu sentia uma expectativa estranha vinda de você. Como se eu nunca estivesse à altura dos caras dos seus livros.

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Um romance leve, fofo, com a cara da sessão da tarde, mas que ainda assim traz umas discussões bem interessantes. Vamos aos poucos descobrindo de onde surgiu tamanha rivalidade, e como uma primeira impressão quase impediu uma relação bem bonita, porque os dois descobrem que tem muito em comum.
Primeiro, adoro como a autora enfatiza a questão dos romances comerciais – como ela chama na sua história. Rowan tem medo de ser menosprezada, mas tem muito carinho, porque os romances sempre foram seus companheiros. E acaba se tornando o início da rivalidade com Neil, que adora os clássicos, e não vê valor em qualquer outro gênero.
Além disso, os dois descobrem que são judeus, e mais uma vez temos assuntos bem interessantes, alguns deles que sinceramente nunca parei para pensar… afinal, árvores de Natal são quase obrigatórias, e esse foi só um dos exemplos que os dois abordam quando falam que nem sempre percebemos de fato os diversos credos.
Na cabeça de McNair, o único sentimento que alguém deveria ter ao ler um livro é o de superioridade. Ele é o tipo de pessoa que acredita que toda a Verdadeira Literatura já foi escrita por homens brancos mortos.

UM ÚLTIMO JOGO PARA ENCERRAR UMA DISPUTA… OU NÃO!
O Uivo é maravilhoso… como gostaria de ter participado de um jogo assim. Percorrer sua cidade, passar por pontos pitorescos, lendas urbanas, descobrir um passado que você nunca ouviu falar. O bacana é que a autora menciona que esses pontos são reais, e para ela, foi uma grande homenagem à Seattle. E ver o carinho que vai surgindo, a amizade, depois um algo a mais entre Rowan e Neil foi fofo. Melhor ainda porque os dois nunca conseguiram enganar os colegas – tamanha rivalidade só poderia mesmo vir de algo a mais.
E foi um desenrolar lento, sem pressa, um reflexo da idade e do momento que viviam… Tudo bem que a Rowan, enquanto narradora, conseguiu irritar em alguns momentos. A rivalidade pelo lado dela às vezes beirava o exagero, e queria muito ter o ponto de vista do Neil, que me pareceu mais centrado em relação a essa disputa. Inclusive, ele fala que ter um objetivo – derrotar a Rowan – serviu para ele seguir em frente, porque passou por problemas bem sérios!
Enfim, é um livro leve, jovem, mas que toca em questões de classe, antissemitismo e sexo, discutidas com franqueza. Recomendo para quem gosta de comédias românticas jovens e contemporâneas.
Ofereci minhas partes mais caóticas a este garoto, e tudo o que ele fez foi me convencer de que vai ser cuidadoso com elas.









