Em uma pequena cidade reina a lenda de que, a cada verão, os espíritos de três jovens bruxas voltam para reivindicar a alma de um garoto.
A Maldição do Mar é o livro de estreia da autora estadunidense Shea Ernshaw, publicado no Brasil pela Galera Record, que também trouxe o segundo livro da autora – O Bosque das Coisas Perdidas. Os livros são fantasias jovens com um toque bem sombrio.
Penny Talbot é uma jovem de dezessete anos que mora na Ilha Lumière, perto da cidade costeira de Sparrow, no Oregon. Seus pais compraram a ilha e o farol com planos de reformá-los, mas o desaparecimento do patriarca, há três anos, deixou sua mãe melancólica.
Entretanto, Penny tem outras preocupações em mente, agora que está no início da Temporada Swan. Com a chegada do verão, a cidade se transforma em um ponto turístico, repleto de pessoas ansiosas por descobrir se a lenda das irmãs Swan é verdadeira. Segundo a lenda, há cerca de 200 anos, três jovens foram condenadas à morte, acusadas de bruxaria. Desde então, todos os anos, os espíritos de Marguerite, Aurora e Hazel Swan possuem supostamente os corpos de garotas locais para seduzir rapazes e afogá-los no porto.
Apesar do perigo que paira sobre todos os rapazes, a cidade não pode se dar ao luxo de ignorar o fluxo turístico que a lenda gera. Assim, todos se preparam para mais uma temporada, com pousadas e hotéis lotados, restaurantes prontos para servir, e os jovens ignorando o perigo que os rodeia.
O amor é uma feiticeira – desonesta e selvagem. Espreita atrás de você, suave e gentil e silenciosa, pouco antes de cortar sua garganta.

RESENHA DO LIVRO A MALDIÇÃO DO MAR DE SHEA ERNSHAW
Na festa que marca o início da temporada, Penny reencontra sua amiga Rose, até que conhece Bo Carter, um jovem de 18 anos que veio à cidade em busca de trabalho e de um lugar para ficar. Com todos os hotéis lotados e sem perspectiva de emprego, Bo menciona que pretende ficar pelo porto até conseguir alguma oportunidade. Preocupada, e já sentindo uma conexão especial, Penny se oferece para que Bo fique na ilha com ela até que ele consiga se organizar.
A ilha está meio abandonada, e Bo ajuda a revitalizar o pomar dos Talbot, estreitando sua relação com uma Penny bastante inquieta. Ela sabe que os rapazes serão “reivindicados” pela maldição, e não quer que Bo esteja entre eles.
Porém, quando os corpos começam a surgir, sinalizando o início de mais uma Temporada Swan, Penny se vê com um segredo nas mãos: afinal, é impossível perceber de imediato quando uma garota foi possuída, dificultando identificar os alvos… Mas Penny guarda seu próprio mistério.
Mas a magia não é sempre linear. Ela nasce do ódio. Do amor. Da vingança.

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“A Maldição do Mar” foi uma grata surpresa. Começando pela escrita, a autora consegue equilibrar descrições e diálogos na medida certa, tornando muito fácil me transportar para essa pequena cidade, com seu comércio local e o porto sob um clima chuvoso. A atmosfera é complementada por uma música sobrenatural que ecoa do mar, trazendo a perfeita sensação do mistério.
Além disso, as reviravoltas foram maravilhosas! Ainda que leitores consideraram o enredo principal previsível – sem desmerecer a narrativa –, confesso que fui completamente pega de surpresa. Somente depois é que percebi as sutis pistas que a autora dispersou ao longo da história. Eram tantos mistérios e tanto foco em descobrir a identidade das garotas possuídas que acabei deixando o grande mistério passar.
A história é contada do ponto de vista de Penny, trazendo a sensação de que nunca se pode confiar plenamente no narrador, principalmente porque ela não nos entrega tudo de bandeja, revelando os mistérios aos poucos. A autora ainda insere pequenos flashbacks das três irmãs, enriquecendo a trama.
Em um lugar como Sparrow, os boatos se espalhavam com rapidez, como catapora ou cólera, confundindo mentes, se enraizando na alma da cidade, até que não houvesse como discernir verdade de especulação.

COMO ACABAR COM UMA MALDIÇÃO?
Naturalmente, como em muitas histórias de bruxas, os flashbacks revelam a história das irmãs e como foram acusadas de bruxaria simplesmente por serem mulheres independentes. As irmãs buscavam apenas amor, mas foram recebidas com ódio pela cidade inteira. Quase nos faz torcer por elas, no fim.
Contudo, é difícil acreditar que uma cidade inteira opte por ignorar quase 200 anos de desaparecimentos de jovens, recorrendo à justificativa de pactos suicidas… As autoridades pareciam mais preocupadas com a economia do que com as evidências, o que me leva a pensar sobre como os jovens locais tratavam a história, quase como uma piada.
Enfim, é uma história que consegue ser assustadora, repleta de mistérios e reviravoltas, com um final agridoce. Posso chamá-lo assim? Sei que muitos esperavam uma ousadia maior por parte da autora, mas eu gostei do desfecho. Aqueceu meu coração e me deixou com o medo na medida certa…
A magia nem sempre nasce de palavras, de caldeirões fervendo com especiarias ou gatos pretos espreitando por becos sombrios. Algumas maldições se manifestam através do desejo ou da injustiça.










