“A Lista do Juiz é um livro que nos coloca frente a frente com uma pessoa poderosa, que exerce influência e decisão sobre a vida de outrem, mas que parece ser intocável quando sua justiça pessoal entra em cena.”
A princípio, em A Lista do Juiz iremos viver novas aventuras com Lacy Stoltz, investigadora do Conselho Judicial da Flórida. Quem já leu A Delação (2017), irá reconhecer o nome, bem como entender o tipo de comprometimento com a lei que Lacy demonstra.

A LISTA DO JUIZ
- Autoria:
- John Grisham
- Editora:
- Arqueiro
- Ano de lançamento:
- 2022
- Gênero:
- Thiller judicial
- Páginas (nº):
- 320
- Título original:
- THE JUDGE’S LIST

RESENHA DO THRILLER JURÍDICO “A LISTA DO JUIZ”, DE JOHN GRISHAM
Antes de tudo, como seu trabalho no Conselho Judicial da Flórida é responder as queixas que têm a ver com a má conduta judicial, Lacy sabe bem que seu trabalho não é fácil de ser realizado. E nós, como seres humanos “comuns” só esperamos que existam ética, integridade e julgamentos justos, por parte dos juízes atuantes.
Sobretudo, Lacy tem a impressão que grande parte dos casos que trabalha tem mais a ver com incompetência, do que com corrupção propriamente dita. E é a partir desse ponto que A Lista do Juiz se torna tão importante. Não tem como ela permtir que o que um juiz acha correto fazer, seja lei. Mesmo que uma lei própria, onde ninguém mais saiba de suas artimanhas.
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ONDE ESTÁ O PROBLEMA?
Uma denúncia chegou para Stoltz. É um caso detalhado, extremamente bem elaborado, onde uma mulher negra, que usa um pseudônimo, entrega a ela essa reclamação. O que ela conta a advogada Lacy é que seu pai, um professor universitário na área do direito, se aposentou na Carolina do Sul. Ele foi assassinado, e seu executor nunca foi descoberto.
Essa mulher conseguiu criar elos entre alguns assassinatos que nunca antes foram correlacionados. Do mesmo modo, ela conseguiu um nome para colocar sobre a mesa do Conselho Judicial da Flórida. “A Lista do Juiz” nos trará um juiz, como o próprio título já nos diz, que faz (sua) justiça com as próprias mãos.
Seja como for, esse juiz é alguém conhecido, respeitado, e perigoso. Então qualquer tipo de envolvimento, de buscas que deixem rastros, ou qualquer passo que as duas deem em direção a ele, será monitorado, descoberto, e obviamente, julgado com o juízo de valores do próprio juiz. E isso é sim aterrador.

ATÉ ONDE SE PODE IR POR UMA JUSTIÇA MAIOR
Podemos perceber claramente que ainda assim, Jeri, a mulher que usa pseudônimos mil e troca de celular como quem troca de roupas, é alguém inteligente. Em outras palavras, ela é esperta o suficiente para estar na trilha certa em relação ao assassino. Contudo, ela esta “cega” por algo chamado vingança. E vingança vai além de justiça.
Ao mesmo tempo, o juiz Ross Bannick até hoje não tem qualquer preocupação a respeito do seu trabalho com sua lista pessoal de vingança. Mas, Jeri Crosby, a filha de um dos professores de Bannick, pode ter elencado provas o suficiente para colocar Lacy em seu encalço. O problema mora em Jeri não querer fazer uma denúncia. Por não se expor, Lacy fica um tanto quanto impotente frente seu trabalho.
Bannick é endinheirado, manja de tecnologias, é esperto e, sobretudo, um psicopata. Jeri mostra seu viés como serial killer. E como Lacy está bastante desanimada com sua linha de trabalho, fica um pouco entusiasmada com um juiz correlacionado com uma lista de seis assassinatos. E até chegar ao desenrolar de se Lacy vai ou não colocar a mão no fogo por Jeri, o meio do livro já está aí.

O JUIZ
Conhecemos os fatos, as mortes, os elos entre casos, tudo de forma indireta. Demora para que saibamos como Bannick age por si só. Ele não se mostra ao leitor tal como é… Mas, isso é uma construção. E assim, ele vai percebendo que talvez não seja tão imune assim às represálias. Se não da justiça de algum familiar desesperado.
Grisham como sempre traz para seu leitor fatos verídicos, entrelaçado com parte de sua ficção. Quando não casos inspirados, ou semelhantes, pelo menos descrições de como acontece às coisas nos Estados Unidos. Um bom exemplo é esse: “Este país tem uma média de quinze mil assassinatos por ano. Um terço nunca é resolvido… Desde 1960, mais de duzentos mil.”
E através de uma notificação como essa, é que Jeri percebe que não vai viver tranquila sem que o assassino do seu pai seja reconhecido pela lei. Sua vingança também é pessoal. Mas, ela procura por outros meios para acessar sua redenção. Se isso for valido (ou não), já é outra questão. Creio que não a julgaria por ter essa espécie de sensação.
CAMINHANDO PARA O FIM
Em “A Lista do Juiz” podemos perceber que muita coisa poderia dar errado ao longo dessa investigação. E sobre isso, falo a respeito de Lacy, de Jeri, e de Bannick. Qualquer deslizada, poderia ser fatal. Então todo o planejamento da dupla improvável, precisa ser algo muito bem ajustado e cronometrado.
Contudo, esse é um thriller que não quer fazer com que fiquemos relaxados. A tensão vem crescendo conforme as páginas vão se somando. O juiz Bannick que de bobo não tem nada, começa a perceber que está na mira de alguém. E precisa repensar seus passos, desfazer algumas artimanhas que já deixa pré-programadas, e ir à luta.
Seu modus operandi é doentio. E embora alguns casos tenham mexido com a sanidade do juiz quando jovem, seus critérios para construir “A Lista do Juiz” são tênues. Sua psicopatia não o deixa perceber, ou mesmo se importar, em tirar uma vida por motivos banais. Na verdade, essa foi a sua desculpa para seu descontrole e prazer em matar.

LACY E JERI – UMA DUPLA VÁLIDA?
Quando a advogada Lacy Stoltz pensa a respeito de seu trabalho, ela sabe que a grande maioria dos juízes que investiga se encontra em apuros por causa de problemas com drogas e/ou álcool, ou sua inabilidade em completar suas atribuições judiciais, e até mesmo conflitos ocasionais de interesse (levando à famosa corrupção).
A verdade é que em “A Lista do Juiz” ao ser encontrada e contatada por Jeri, e por validar toda essa história que a filha do professor assassinado há muitos anos atrás conta a ela, Lacy muda o rumo da história. Depois de encontros clandestinos, ligações codificadas, e chamadas inoportunas e até mesmo impertinentes, a advogada já está de corpo e alma nessa história.
E como alguém que não consegue ler um livro do Grisham sem se apaixonar pela forma que o autor conduz um thriller de tribunal (e esse, nem tribunal temos!), só posso recomendar a leitura. A edição enviada pela editora Arqueiro mantém aquela qualidade que já conhecemos e amamos, não deixando nada a desejar.










Camila
Todas as suas resenhas são fantásticas e fiquei com muita vontade de ler! Coloquei na Iista!
Carol Nery
Ahhh, essas amigas!
Muito obrigada, Cams!!!
Grisham não decepciona…
Pedro Silva
Oi,
Eu ainda não li nenhum livro do Grisham, mas esse me pareceu muito interessante. É bom quando reencontramos personagens de outros livros, né? Creio que como a Zeri, também iria ficar com a sensação de injustiça por meio do estado e iria buscar de meios para conseguir descobrir o assassinato do pai. Acho que aprendemos muito sobre direito e tribunal com as obras desse autor. E a tensão que vai crescendo ao longo da leitura deve instigar muitooo , já quero!
Carol Nery
É verdade, Pedro. Concordo com vc em relação à frustração da Jeri, e da vontade de correr atrás de resolver com as próprias mãos.
E concordo também que as tramas do Grisham nos dá um bom conhecimento dessa área jurídica, mesmo porque além de autor, ele foi advogado e entende do que tá falando, né?
Abraços
Erika Monteiro
Oi Carol, tudo bem? Faz um tempinho que conheço o autor e fico admirada com o sucesso que ele faz todos esses anos. O primeiro contato que tive foi assistindo o filme “A firma” com Tom Cruise. Foi ali que descobri que era uma adaptação do livro do John Grisham. Pela sua descrição parece ser um pouquinho diferente de A firma. É um suspense que prende do início ao fim, além de ficarmos o tempo todo querendo saber o que de fato está por trás. Ansiosa para ler esse. Um abraço, Érika =^.^=
Carol Nery
Tudo joia, Erika!
Eu gosto bastante das adaptações das obras do Grisham. Vejo que a grande maioria dos filmes conseguem manter o clima do livro. São boas adaptações. E podem até servir como um teste drive dos livros, pra quem ainda não leu nada dele.
Abraços
Maria Luíza Lelis
Oie! Tudo bem?
Acredita que nunca li nada do autor? Já vi alguns elogios, mas não conheço muito sobre as obras dele. Pela sua resenha, parece ser um livro envolvente e uma trama muito bem construída e instigante. Gostei bastante da premissa e me deu a sensação de ser um thriller bem diferente dos que já encontrei. Acho que vou gostar, então, com certeza vai para a minha lista.
Beijos
Carol Nery
Oi Maria Luíza…
Bom, tem alguns anos que conheci Grisham, e não abro mão. As tramas são muito bem desenvolvidas. Eu não vejo furos, mesmo com tanta história pra contar, e problemas pra resolver ao longo de suas obras.
Outra coisa que faz a gente ficar mais fissurada ainda em seus livros, é que boa parte deles têm uma excelente adaptação à nossa disposição.
Abração
Debyh
Olá,
Já li um livro do Grisham e como não gostei mais nunca mais li outro rs. Achei interessante ter thriller porque o que li não tinha, era só julgamento mesmo e acho que eu iria gostar mais da história desse. Gostei da indicação.
Carol Nery
É verdade… ele tem muitos livros de tribunal. Mas, também tem uma boa gama de obras que não ficam presas ali, nas tribunas. Eu acho que você gostaria em outro tipo de clima, digamos assim. Bom, o cara é um excelente escritor. Só que nem sempre somos o público ideal para tal obra. Eu aprendi a gostar de thriller de tribunal por causa dele, e de suas adaptações para o cinema.
Grande abraço