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POEIRA LUNAR É QUASE UM REALITY SHOW SOBRE UM RESGATE NA LUA

POEIRA LUNAR É QUASE UM REALITY SHOW SOBRE UM RESGATE NA LUA

Poeira Lunar recria uma viagem turística que deu muito errado, e de um resgate acompanhando por uma audiência em tempo real.

Publicado originalmente em 1961, Poeira Lunar teve uma reedição em 2022 pela Editora Aleph, que trouxe uma capa retratando a fictícia Selene. É a embarcação que naufraga em poeira no Mar da Sede, numa lua que se tornou o destino turístico para quem pode pagar.

Poeira Lunar

 

Autoria:
Arthur C. Clarke

Editora:
Aleph

Ano de lançamento:
2022

Gênero:
Ficção Científica

Páginas (nº):
312

Título original:
A Fall of Moondust
Classificação indicativa: +14

Poeira Lunar se passa no futuro, quando a Lua se torna habitável – sob certas condições. Consequentemente um destino turístico para um público que pode pagar por isso. Com um ambiente hostil, o turismo é a chave para a sobrevivência da lua. Um dos principais passeios é a travessia pelos mares lunares, compostos por uma poeira muito fina, que se comporta quase como um fluido, e que permite uma espécie de navegação.


A nave Selene é uma embarcação projetada para flutuar sobre esse mar de poeira. No comando da nave, está o capitão Pat Harris, em mais uma viagem. Sua tripulação conta com a Comissária Turística Lunar, Srta. Sue Wilkins. Os turistas se ajeitam para apreciar o vasto, escuro e misterioso trajeto na longa noite lunar.


Até que o improvável acontece: um pequeno abalo sísmico movimenta a poeira, que acaba por engolir a nave. O Capitão Harris aciona todos os protocolos, mas eles não funcionam. Quando finalmente as autoridades percebem que há alguma coisa errada, o sinal da Selene já desapareceu. É assim que os cientistas mais brilhantes se juntam para tentar recuperar a nave e os passageiros, enquanto são acompanhados por repórteres, que vão transmitir todos os momentos angustiantes da busca pela nave perdida. Mas, haverá tempo?

Ser capitão da única embarcação na Lua era uma distinção que Pat Harris apreciava. Enquanto os passageiros se apresentavam a borda da Selene, disputando os lugares nas janelas, ele imaginava que tipo de viagem seria dessa vez.

RESENHA DE POEIRA LUNAR DE ARTHUR C. CLARKE, DA EDITORA ALEPH

RESENHA DO LIVRO POEIRA LUNAR DE ARTHUR C. CLARKE, DA EDITORA ALEPH

Acho que todos nós, em algum momento da vida, já admiramos a lua, imaginando como seria estar no satélite que tanta importância tem para a vida na terra. O autor, já no prólogo, diz como era olhar para a lua e imaginar como seria – estamos falando de uma época anterior a missão da Apollo 11. Muitos cientistas acreditavam que a superfície lunar era mesmo constituída de uma poeira finíssima. E, então, por que não imaginar pessoas pagando para passear nesse ambiente?

Com uma mistura de ficção científica, um pouco de suspense e um ar meio reality show – já que as câmeras estão apontadas e transmitido toda a tentativa do resgate, vamos vendo os desdobramentos dentro da embarcação. É o fator humano que mais se sobressai. Com um capitão tendo de controlar a nave e as tentativas de comunicação, e ainda tentar controlar o pânico coletivo.

Ao mesmo tempo, temos toda a discussão científica envolvendo os cálculos para descobrir onde a embarcação poderia estar, e quais os recursos envolvidos na tentativa de resgate dos tripulantes da Selene. O autor vai intercalando todo o suspense que acontece do lado de fora e de dentro da nave, mantendo a incerteza e o fôlego do leitor até a última página.

Ele sabia que estava diante da maior batalha da sua vida.

ARTHUR C. CLARKE autor de Poeira Lunar

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COMO LIDAR COM O ISOLAMENTO HUMANO

É essa configuração que os diversos passageiros vão se mostrar em maior e menor grau. Além de Harris e Sue, temos os típicos turistas americanos de meia-idade, o viajante australiano, o ‘Comodoro’ – um senhor experimente que será imprescindível para ajudar o capitão, o cientista – que estará presente tanto dentro da nave, mas que também será representado externamente, bem como o engenheiro/herói e jornalista que estava no lugar e hora perfeitos.

Além disso, vemos toda a movimentação por parte dos responsáveis pelo turismo, os políticos – todos envolvidos, direta o indiretamente no drama da desaparecida Selene. Mesmo que todos tenham seus papéis, poucos são efetivamente explorados, já que o drama em si tem mais foco – além da Ciência. Mas, não se preocupe, nada que impeça a leitura por parte de leigos em física e viagens interplanetárias!

O autor dá uma atenção diferente para a questão do efeito do isolamento nos personagens. Foi interessante ver como o Comodoro, já experiente, trouxe estratégias que diminuíram e aliviaram os efeitos tanto físicos quanto psicológicos. E, ainda que datado do ponto de vista científico, o livro dá um salto futurístico devido a todo o acompanhamento em tempo real do resgate da embarcação. Você provavelmente se lembra dos esforços para resgatar os 33 mineiros no Chile, ou dos meninos tailandeses presos em uma caverna.

Aquele mar implacável excluía qualquer possibilidade de ajuda.

Lombada de Poeira Lunar, publicado pela Editora Aleph

UM THRILLER TENDO COMO PALCO UM RESGATE NA LUA

O autor usou e abusou dos problemas que se acumulavam na embarcação. Mesmo acreditando que tudo daria certo, eram tantos os problemas que surgiam, deixando a sensação de ser improvável encontrar todos vivos. Confesso que uma parte do livro me deixou cansada, tanto pela demora no contato com a tripulação, tanto com os problemas que se acumulavam – seja na nave quanto nos procedimentos de resgate. Mas, as partes finais compensaram.

Sem monstros espaciais ou chuvas de asteroides, Poeira Lunar é basicamente o ser humano contra os elementos. Embora os personagens sejam obviamente perfeitos demais para se adequar ao enredo, ainda assim passam credibilidade. Com uma vibe de “Missão Impossível”, cativa pelas reviravoltas e pela ciência consistente. Um livro curto, ágil em muitos momentos, doce em outros, provavelmente uma boa porta de entrada para conhecer as outras obras do autor.

Sobre Arthur C. Clarke

Arthur C. Clarke foi um cientista e escritor britânico, foi autor de obras de ficção cientifica como A Sentinela (1951) que acabou servindo de inspiração para o filme 2001 – Uma Odisseia no espaço, Clarke também foi extremamente influente no mundo das ciências, sendo autor de diversas obras de divulgação cientifica. Por conta de um artigo seu escrito em 1945 inspirou a criação de um sistema de comunicação via satélite.

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