Adam Silvera traz personagens cativantes em mais uma trama arrebatadora que aborda a criação da Central da Morte em o O Primeiro a Morrer no Final.
O Primeiro a Morrer no Final, do autor Adam Silvera, se passa no mesmo mundo de Os dois Morrem no final, ambos publicados pela Editora Intrínseca. O livro se passa alguns anos antes dos acontecimentos envolvendo Matteo e Rufus, e vai responder uma pergunta crucial: afinal, como surgiu a Central da Morte?

O Primeiro a Morrer no Final
- Autoria:
- Adam Silvera
- Editora:
- Intrínseca
- Ano de lançamento:
- 2022
- Gênero:
- Jovem adulto / LGBT
- Páginas (nº):
- 544
- Título original:
- The First to die at the End
Aviso de conteúdo: Homofobia; Morte; Violência armada; Abuso doméstico; Luto; Violência Armada
Em Os dois morrem no final, conhecemos Rufus e Mateo em um mundo onde as pessoas sabem se morrerão nas próximas 24 horas ao receber a ligação da Central da Morte. Até então, não sabíamos como esse call center havia surgido, e essa resposta vem nesse livro.
Na noite de 30 de julho de 2010, uma pergunta ronda as pessoas: a Central da Morte pode mesmo prever quando alguém vai morrer? Na dúvida, muitas pessoas se reúnem na Times Square para a festa de inauguração da empresa, que recebeu respaldo do próprio presidente dos Estados Unidos.
Orion Pagan está entre eles. Durante anos, esperou o momento em que seu coração não resistiria mais, e sempre andou ansioso por isso. Assim que saiu a notícia, ele se cadastrou na Central da Morte, porque ao menos teria certeza de que, enquanto não recebesse ligação, poderia usufruir de mais um dia de vida.
É de partir o coração perceber como viver custa caro quando se está sempre morrendo.

RESENHA DE O PRIMEIRO A MORRER NO FINAL DE ADAM SILVERA, EDITORA INTRÍNSECA
Valentino Prince não tem preocupação com a morte. É jovem, está recomeçando sua vida em Nova York após desentendimento com a família por conta de sua orientação sexual. Ele e a irmã gêmea decidem recomeçar a vida longe dos pais, mas ela teve de ficar um pouco mais para resolver algumas pendências.
Órion e Valentino se cruzam na Times Square. Órion se encanta por Valentino, se aproxima dele e começam a conversar, esperando o relógio marcar meia-noite para que as primeiras pessoas recebam a ligação da Central da Morte. No último minuto, Valentino resolve se inscrever também, principalmente depois de se assustar muito com um acidente no qual a irmã dele quase morreu.
O ponteiro do relógio aponta meia noite, e as primeiras ligações começam. Um deles recebe a ligação que vai mudar para sempre o rumo de suas vidas. Embora não saibam como o dia terminará, decidem passar o Dia Final de um deles juntos, mesmo que isso possa quebrar o coração do outro ao fim do dia…
A vida não deveria estar prestes a acabar para alguém começar a viver.

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COMO A CENTRAL DA MORTE COMEÇOU – E SEUS TROPEÇOS…
Adam Silvera retorna ao mundo criado em Os Dois Morrem no Final com um prequel – um livro que se passa antes dos acontecimentos do primeiro, apresentando a Central da Morte. Vale mencionar que ele não explica como funciona a central, mas, na verdade, o não saber é parte do que faz a empresa funcionar tão bem.
Um dos pontos de vista do livro é justamente do criador da Central, Joaquin Rosa. Vamos conhecer um pouco de suas angústias, dilemas e intenções aos criar a empresa. Também mostra alguns erros cometidos no primeiro dia ao não incluir alguns dos terminantes nas chamadas telefônicas. Isso vai deixar o leitor angustiado ao longo do livro, porque pode ser qualquer outro dos personagens além daquele que vimos receber a ligação.
Mais uma vez teremos dois adolescentes gays juntos em um momento crítico da vida – nesse caso, talvez apenas para um deles. Os dois livros compartilham, acima de tudo, da crença de que o amor e a esperança podem fazer a diferença na vida das pessoas – ainda que o livro trate justamente da morte, que pode chegar sem nenhum aviso. É para viver como se não existisse amanhã…
O problema é que anestésicos funcionam só para a dor física. Não ajudam em nada a curar um coração partido.

MUITOS TEMAS EM DEBATE, E A ABERTURA PARA MAIS UM LIVRO EM O Primeiro a Morrer no Final
Além de explicar como a Central da Morte começou a operar, também vamos descobrir como o aplicativo do Último Amigo é criado. O aplicativo conecta Terminantes a pessoas que também receberam a ligação, ou que simplesmente queiram sem uma companhia no último dia de uma pessoa. Se apaixonou por Rufus e Matteo?! Eles dão as carinhas por aqui… pode preparar o lenço, porque é impossível não derramar algumas lágrimas.
O primeiro a morrer no final trata de muitos assuntos polêmicos. Por exemplo, os pais do Valentino são muito religiosos, e usam da religião para condenar o filho. Também temos violência doméstica, luto e trauma. São muitos pontos de vista além dos protagonistas, alguns que acrescentam muito para o enredo. É interessante como o autor usa do artifício dos diversos ângulos, porque na realidade algumas pessoas tocam nossas vidas em momentos e intensidades diferentes, e a vida pode ser mudada por toques que parecem ínfimos…
O autor também não oferece um final fácil, em nenhum dos dois livros. Não há recursos mágicos, interferências divinas para salvar a vida de um ou mais personagens. Ainda assim, é fácil de ler, pois o livro tem capítulos curtos, uma escrita fluida, mas ainda assim você termina o livro como se tivesse sido atingido por um caminhão.
Já não sou mais um conto. Agora sou um romance. Melhor ainda, sou um projeto em andamento. Tenho todas essas novas páginas em branco, e vou viver uma vida que valha a pena colocar no papel.

UM FINAL AGRIDOCE CHEIO DE REFLEXÕES
O primeiro a morrer no final vai explorar como alguém – com a vida inteira pela frente – faria em seus momentos finais, e as angústias e planos frustrados vai nos fazer refletir sobre como seria conosco. Só temos uma vida para ser vivida, e deveria ser mais fácil vive-la sem arrependimentos. É um livro melancólico, bonito, instigante, agridoce, mas com momentos de esperança. Alguém morre no final, mas as lembranças que são construídas é que justificam viver. Órion e Valentino construíram esses momentos, e, assim como eles, eu saí com o coração partido, muitas lágrimas nos olhos, mas com a certeza de que a vida merece ser bem vivida…
O AUTOR
Adam Silvera é escritor e trabalhou por anos no mercado editorial. Best-seller do New York Times, é autor de E se fosse a gente? e E Se a Gente Tentasse? que escreveu em parceria com Becky Albertalli. Autor de História é tudo que me deixou, Lembrança aquela vez, Infinity Reaper e Infinity Son , todos sucesso de público e crítica. Nasceu e foi criado no Bronx, em Nova York, e atualmente mora em Los Angeles, onde escreve em tempo integral.









