A resenha de hoje é de “Fat Chance: a vez de Charlie Vega”, escrito por Crystal Maldonado e lançado pela editora Gutenberg esse ano. Então vamos à sinopse?
Na história, conhecemos Charlie, uma adolescente latina e gorda, que vive com a sua mãe e tem uma melhor amiga chamada Amelia. Charlie é inteligente e divertida, e quer muito ser uma pessoa melhor que aceita e respeita seu corpo, mas não é nada fácil, com sua mãe sempre falando que ela precisa emagrecer e nenhum menino nunca prestando atenção nela.
Mas, tudo muda, quando um garoto finalmente se interessa por ela. Brian é bonito, divertido e encantador. É nesse momento que Charlie tem que lidar com vários medos e inseguranças e também, lidar com os desafios da paixão na adolescência. E vou parar por aqui, para não dar nenhum spoiler!

Fat Chance
a vez de Charlie Vega
- Autoria:
- Crystal Maldonado
- Ano de lançamento:
- 2022
- Páginas (nº):
- 336
- Editora:
- Gutenberg
- Gênero:
- Jovem Adulto, Romance, Ficção
Aviso de conteúdo: Racismo e discriminação, gordofobia, dinâmica familiar complexa
Assim que esse livro chegou nas minhas mãos eu fiquei muito ansiosa com a leitura. Queria já começar a ler, porque convenhamos, não são muitos os livros com protagonistas gordas que temos por aí. Sempre sou muito sincera nas minhas resenhas, acho que vocês devem perceber isso. Então, não posso dizer que essa foi uma leitura fácil de fazer, porque não foi. Eu não conseguia me conectar com o livro e acabei enrolando mais do que devia para ler ele. Isso não quer dizer que “Fat Chance” é uma história ruim.
“Vocês precisam ser gentis com vocês mesmas, precisam se cuidar de verdade, porque o mundo pode ser bem frio e cruel. Nunca se sintam mal por se colocarem em primeiro lugar.”

“Fat Chance” traz reflexão para o relacionamento de uma pessoa com o próprio corpo e o de mãe e filha
Charlie tem alguns dramas no qual eu me vi e vejo até hoje, como mulher gorda. A falta de opção de roupas em lojas, as pessoas sempre dizendo como você deveria emagrecer, enfim. Os dramas que Charlie vive, são reais e fez com que eu me identificasse bastante com a personagem, mas em algum lugar a escrita da autora não funcionou para mim. Apesar disso, foi interessante ver o crescimento da garota, como ela foi passando pelos problemas e como foi amadurecendo com eles.
Outro drama que a garota vive é com a mãe. O relacionamento de mãe e filha é muito tenso, não temos muito a visão da mãe dela então não consegui ter empatia com a personagem. Sinceramente? Em grande parte do livro senti um pouco de raiva da mãe de Charlie por algumas atitudes.
“Minha mãe fica falando que, se eu substituir uma refeição por dia, vou começar a ver resultados de verdade no meu corpo – esse corpo rebelde que precisa ser controlado, pelo visto – e vou poder finalmente viver. Como se fosse impossível viver com este corpo.”

Nas amizades nem tudo são flores….
A amizade de Amelia e Charlie é bem bonita, de verdade! As garotas são melhores amigas há muito tempo, mas Charlie sente que vive na sombra de Amelia, que aos olhos dela é perfeita. Algo que gostei da autora é isso, ela mostrar que apesar de um laço de amizade ser muito forte, nem tudo são flores no relacionamento.
Além do sentimento de Charlie de viver à sombra da amiga, temos também o momento em que elas têm a amizade abalada por conta da atitude das duas. É até engraçado como vemos Charlie coloca a amiga em um pedestal e no fim, acaba descobrindo que Amelia também possui inseguranças e problemas como todos.
“Dizem que não é possível estar com alguém até que você se ame de verdade, mas estou aprendendo que também é possível usar a admiração e o apoio de outra pessoa para te ajudar a chegar lá.”

Diversidade é um ponto forte!
“Fat Chance” tem uma personagem principal gorda, só aí já vemos algo diferente no quesito diversidade. Mas muito além de Charlie, sendo latina e gorda, temos outros protagonismos na história. Como por exemplo, Amelia que é negra e está descobrindo sobre a sua sexualidade. E Brian, asiático e que vem de uma família com duas mães.
Algumas pessoas podem achar bobeira o destaque que dou para essa diversidade, mas isso é algo muito importante. Cada leitor tem uma forma de interagir com o livro e a identificação é uma delas. Muito além disso, é necessário sempre conscientizar as pessoas para os diferentes tipos de relacionamentos e de pessoas também. Temos que normalizar os corpos gordos, assim como os magros, os pretos, pardos, latinos e asiáticos.
“Talvez o maior problema da minha vida não era que o mundo me colocava abaixo de Amelia, mas que eu mesma fazia isso.”
Sobre a autora
“Fat Chance: a vez de Charlie Vega” é o romance de estreia de Crystal Maldonado. Formada em inglês e jornalismo, com especialização em estudos femininos, pela Universidade de Connecticut, a autora trabalha com Marketing e vive com o marido, a filha e o cachorro. “Fat Chance” ganhou o “New England Book Award 2021”, além do “Cosmopolitan Best New Book” e “POPSUGAR Best New YA Novel”.
No site da autora, é possível baixar um “guia do leitor” com questões para serem discutidas. Acho bem legal, quando os autores disponibilizam algo do tipo. O novo romance de Crystal, intitulado “No Filter and Other Lies”, fala sobre a adolescência na era das redes sociais e as mentiras. A sinopse me agradou bastante e fiquei bem curiosa para saber mais.
E aí, já conhecia “Fat Chance: a vez de Charlie Vega”?
“Penso no meu corpo, em todas as minhas imperfeições, e nem sempre vejo beleza. Ainda não. Mas estou chegando lá.”









