Ted Bundy nasceu em 24 de novembro do ano de 1946. Atualmente, se ainda vivo, completaria a idade de 73 anos. Para muitos que conviviam com o jovem promissor Theodore, nesse ínterim,  sua vida seria longa e de muito sucesso. Entretanto, conforme já prevemos, não foi assim a história desse belo e charmoso jovem americano.

“Eu quero dominar a vida e a morte.” ~ Ted Bundy

Ontem estreou nas salas de cinema aqui no Brasil, com distribuição da Paris Filmes, o filme Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal. Temos, em aproximadamente 1h50min, um relato sobre um dos mais notórios serial killers da história.

Ted Bundy (Zac Efron) foi um manipulador, sedutor, mentiroso e charmoso estudante de direito. Poderemos perceber esses diversos vieses através dos olhos de Elizabeth Kendall (Lily Collins), sua namorada. Bundy tem a responsabilidade em assassinar, torturar, estuprar e molestar pelo menos 30 mulheres na década de 70. E o filme, de maneira mais branda, apresenta essa figura extremamente chocante.

“O que é uma pessoa a menos na face da Terra, afinal?” ~ Ted Bundy

A respeito do filme, eu acredito que o objetivo foi atingido. A história é de fato um pouco romantizada com forte ênfase nesse drama, uma vez que contada pelo ângulo de Liz, sua namorada. O cineasta Joe Berlinger já é bem conhecido por seus documentários criminais. Em virtude de um dos seus documentários, houve influência em um julgamento ativo, lá nos Estados Unidos.

Zac Efron, encarnando o papel de todo o mal, nesse caso, brilhou em seu desempenho. O rapaz, dantes visto como “colírio” para as adolescentes, reviveu Ted Bundy de forma fenomenal. Efron deve ter assistido inúmeras vezes os vídeos onde Bundy se exibe para a sociedade, de forma tão cínica e ao mesmo tempo tão convincente.

Efron abduziu os trejeitos de Bundy. A forma de olhar, de se virar, de falar e de fazer piadas sarcásticas. Alguns rumores da crítica especializada acreditam que o rapaz poderia concorrer ao Oscar pelo trabalho tão bem realizado. Eu enfim digo: menino Zac Efron cresceu e virou um baita ator.

Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal.

       Ted Bundy / Zac Efron

Sou bastante suspeita ao falar a respeito do tema, pois desde o início da faculdade de Psicologia eu me interesso em estudar a respeito dos serial killers. Uma mente impossível de compreender, de decifrar e de encontrar razões para suas atrocidades. Ted Bundy sempre esteve no topo da lista dos meus preferidos para estudar, e eu vou explicar o motivo.

Geralmente associamos a maldade àquilo que nos assusta, que nos impõe um respeito resignado, ao feio, ao torpe, ao escuro… E no caso de Bundy, seu sorriso galanteador embaçava todo e qualquer aspecto de seus demônios internos. Pelo seu charme, sua lábia, e seu jeitinho de bom moço, Ted Bundy conquistava as garotas na primeira troca de olhares. Seus belos olhos azuis não transmitiam o desvario e perversidade de sua mente sádica.

Mesmo a história de Bundy sendo conhecida mundialmente, não roubarei da experiência de quem ainda assistirá o filme. Dessa forma, então, deixarei esse texto mais breve. Só gostaria de salientar a importância de vocês se aterem ao espetáculo que é a interpretação de Efron, principalmente durante o julgamento. Bônus à parte por conta da presença muito bem representada pelo consagrado ator John Malkovich como o juiz Edward Cowart.

“Eu sou o mais frio filho da puta que vocês jamais vão encontrar, eu gostava de matar, eu queria matar.” ~ Ted Bundy

Durante o julgamento, Bundy parecia estar atuando em um palco. Falo sobre Ted, só que ao mesmo tempo falo também de Efron. Eles se tornaram um só… Ele brilhava e irradiava perante os jurados, o juiz e a plateia. Ele estava na TV, ele estava lutando por sua inocência, por seu direito de ir e vir, por sua vida. E ele faz esse papel muito bem, pois se não soubéssemos realmente das evidências forenses concretas que provam contra ele, poderíamos ser facilmente levados por sua lábia.

Contudo, não acredito que sua falha veio por assumir seu caso como seu próprio advogado. Apesar da sentença, para ele, essa foi apenas mais uma chance de se exibir. Sua, talvez, última chance de provar o quão ilibado ele pensava que era. Como a justiça estava contra ele. E em como seu sorriso cativante poderia ter efeito ao convencer o público de que ele jamais seria capaz de machucar uma mulher.

Gosto muito da forma como o longa nos traz as falas dessas personagens quase que com exatidão. Isso deu um tom de seriedade e comprometimento muito grande com o público. E isso se deve à transmissão na TV do julgamento de Bundy, o que foi inovador e colaborou muito com a glamourização da personagem caricata que foi se tornando Ted Bundy.

Ted Bundy

“E agora mais o aflige, quanto mais Arredado se vê do prazer. Logo
Recobre ódio feroz, e os pensamentos De ofensa, jubilando, assim desperta.
Pensamentos, aonde me levastes, Com que força arroubados que esqueçamos
O que aqui nos traz, não amor, nem esperança
De dar p’lo Paraíso inferno, esperança
De aqui ter prazer, mas sim de o gastar,
Poupando o que há no gasto, outros gostos
Não tenho já…” – Paraíso Perdido: Canto IX.

Acredito que a opção do cineasta, inclusive, em não exibir cenas fortes, ou corpos dilacerados, que retratariam toda brutalidade/monstruosidade dos atos de Bundy, foi algo acertado. Não é necessário, após mais de 45 anos do início dos assassinatos, desrespeitar as vítimas e suas famílias. Ou forçar o telespectador a tão medonha brutalidade. Reafirmo que é uma opinião muito pessoal essa.

Em quase toda a trama Bundy se apega à uma esperança vã. Uma vez que ele propaga para todo muno e para todos os lados sua inocência. Em conformidade com esse sentimento, revela já ter lido o livro Papillon, do autor Henri Charrière, por quatro vezes. O que reforça seu ideal de ser libertado, provando sua inocência.

Uma vez que Bundy foi um homem extremamente egocêntrico e o mais puro exemplo de um ser narcisista… Ele sabia exatamente o que fazer e o que falar para arrebanhar olhares e comentários a seu favor.

TED BUNDY: A IRRESISTÍVEL FACE DO MAL

“Assassinato não é somente um crime de luxuria e violência. Mas sim possessão, as vítimas são parte de você… Você sente a ultima respiração deixando seus corpos… E você olha nos olhos. Uma pessoa nesta situação é Deus.” ~ Ted Bundy

Um monstro inegavelmente inteligente. Uma vida desperdiçada em favor da forma mais maligna que se possa imaginar. De forma soberba e maquinalmente estruturada, Ted Bundy conduz sua história e seu futuro da forma que lhe aprouve. Ele jamais pediria clemência. Mesmo se tornando objeto de fascínio da sociedade, pelos motivos certos ou não, sua onda de devastação precisou ser interrompida, graças a Deus.

Em suma, a mais importante lição que temos ao assistir Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal, é que não podemos enxergar a “celebridade” por trás da figura do assassino. Ele foi um serial killer charmoso, irresistível – talvez –, mas um monstro que devastou no mínimo a vida de 30 vítimas e de suas famílias. Foi um assassino a sangue frio, que até seu último minuto de vida, manipulava a mídia a seu favor.

Fato é que atrás das máscaras, existem inúmeros tipos de pessoas. Não sabemos quais atitudes elas tomam, quais são seus pensamentos. No que é firmado seu caráter. Bundy foi a maior e mais trágica prova que monstros sabem se travestir de mocinhos.

“Nós estamos em toda a parte.” ~ Ted Bundy

Por conseguinte, ainda em tempo, lembro-vos que a Editora DarkSide Books tem uma edição maravilhosa (por fora e por dentro) a respeito da vida de Ted Bundy, escrito por uma amiga que trabalhou com Bundy em uma central de ligação para prevenção de suicídios: TED BUNDY – UM ESTRANHO AO MEU LADO.

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Filme Ted Bundy

 

Data de lançamento: 25 de julho de 2019 (Brasil)
Duração: 1h 48min
Direção: Joe Berlinger
Elenco: Zac Efron, Lily Collins, Kaya Scodelario
Gênero: Drama, Baseado em Fatos Reais
Classificação: 16 Anos
Distribuidora: Paris Filmes