Prevenção ao suicídio

O mês de setembro está acabando e com ele a campanha Setembro Amarelo que, mais uma vez, vem nos sensibilizar e criar estratégias para prevenção ao suicídio. Podendo ser considerado o grande mal do mundo contemporâneo, os números são bastante altos e crescem cada dia mais, sendo assim, já passou da hora de parar de ser negligenciado.

Diversos males, doenças e transtornos podem atingir este fim, então é necessário um maior engajamento da população frente aos sinais e sintomas daqueles que precisam de ajuda. O Blog Coisas de Mineira se sensibiliza com a causa e se preocupa com o bem-estar mental, por isso, estamos fazendo essa semana com todo nosso conteúdo voltado para a campanha. Eu resolvi, ao invés de escrever diretamente sobre o suicídio, utilizar exemplos de pessoas que em meio às dificuldades conseguem encontrar uma forma de lidar com tudo isso de cabeça erguida. São então estes exemplos que eu gostaria de deixar para vocês neste Setembro Amarelo:


1. Glee


Poster glee



É muito provável que todos já tenham ouvido falar dessa série. Iniciada em 2009, durou 6 temporadas, sendo finalizada em 2015. Conta a história dos alunos rejeitados por diversos motivos no colégio McKinley High que se reúnem através da reativação do coral da escola, comandado pelo também rejeitado Professor Schuester. Sendo alvo de gozação e bullying dos outros alunos e também da treinadora do premiado time de animadoras de torcida, Sue Sylvester, o grupo se esforça cada dia para seguir em frente de cabeça erguida e impondo suas vontades. Essa série é um hino das minorias e trabalha diversos temas que podem ser considerados como gatilho para situações mais graves, dentre eles estão: homofobia, racismo, TOC (transtorno obssessivo compulsivo), bulimia, gravidez na adolescência, estética padrão, identidade gênero, violência doméstica…

2. Chasing Life


Chasing life serie



Essa série é muito pouco conhecida e uma das mais lindas que eu já assisti. Mais para frente eu vou fazer uma publicação específica para ela, porque merece, mas por enquanto vou apenas resumir a importância dela aqui para vocês. Conta a história da jornalista April que, através de uma matéria que estava fazendo, descobre que está com leucemia. Como o próprio nome da série diz, a história vai focar na “Mudança de Vida” de April, que rapidamente precisa iniciar seu tratamento. Vai ser neste novo mundo dela que vamos tomar conhecimento de diversas outras histórias e outros pacientes em diferentes estágios de aceitação e de tratamento. Além disso, temos contato com sua mãe,  irmã, irmã adotiva e falecido pai que também passam por fortes situações de gatilho.
Mais do que tudo isso que eu já falei, Chasing Life também é um leque de exemplos de superação e persistência, da luta diária.

3. Atypical


Atypical Netflix



Essa tá fresquinha! Recém lançada na Netflix, conta a história do garoto Sam, de 18 anos, diagnosticado do TEA (Transtorno do Espectro Autista), estudante do ensino médio e que decide começar a namorar. A série acompanha seu dia-a-dia driblando as limitações e o seu empenho em conseguir. Porém, mais do que focar em Sam, a série também acompanha o cotidiano de sua família e as adaptações necessárias a eles no convívio com o garoto.

Direta e indiretamente relacionados ao autismo (ou em alguns casos nem isso), a série aborda diversas situações onde seus personagens buscam a melhor saída. Eu gosto muito destas séries que mostram que o conceito de “normal” está apenas na nossa cabeça e mostram com naturalidade as pessoas que vivem bem e com qualidade apesar de suas limitações e/ou condições especiais. Com outros exemplos neste estilo são: Sheldon em The Big Bang Theory e Emma em Glee, ambos com TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo).


4. Switched at Birth


Série



Bom, se você acompanha as postagens do blog sabe que eu gosto muito desta por diversos motivos, e o principal deles é seu foco em lidar e superar diversas situações. Como eu já expliquei no meu post sobre a série (que se você não viu pode clicar AQUI), se trata da história de duas jovens que descobrem aos 16 anos, através do trabalho escolar de uma delas, que foram trocadas no nascimento. Vivendo em mundos opostos (família rica e família da periferia), Bay, Daphne e suas famílias terão que criar uma estratégia para resolver este problema, tendo ainda os pais biológicos de Daphne o desafio de aprender a linguagem de sinais para comunicar com a garota, uma vez que ela perdeu audição após uma meningite na infância. Além além do tema principal de convivência com a surdez e superação dos obstáculos impostos, a série ainda trabalha com diversos temas importantes como: depressão, racismo, violência, corrupção, abuso sexual, drogas, preconceito, síndrome de Down, frustrações profissionais… e muito mais!



5. 13 Reasons Why

Os 13 porquês

Esta deixei por último de propósito. Tenho certeza que muitos de vocês lembraram dela na hora em que leram “Setembro Amarelo”, e eu vou explicar o porquê de eu quase não colocá-la nessa lista. A série conta a história de Hannah Baker que aos 16 anos cometeu suicídio. Dias depois, como planejado pela garota, 13 pessoas de seu convívio passam a receber fitas gravadas por ela contendo “os 13 motivos” de sua morte, sendo cada uma dessas pessoas responsável por um deles. Com a rotina proposta de receber as fitas, escutar todas e passar para o próximo da lista, os motivos seguem uma ordem cronológica, crescente em gravidade, e acompanhamos a vez do garoto Clay Jensen escutá-las. Sem entender o motivo de Hannah ter se matado e muito menos o porquê de estar na lista, Clay vai escutando fita por fita tentando entrar no mundo em que a garota estava vivendo.

Olha, eu acho a ideia da história muito interessante, porém igualmente perigosa. É preciso muito cuidado ao abordar o tema, principalmente quando o seu público-alvo são os adolescentes que estão vivendo no mesmo ambiente em que a garota vivia. Ao mesmo tempo em que você cria um alerta na cabeça de quem convive com pessoas que apresentam sintomas semelhantes aos de Hannah, você cria também nas “Hannah’s telespectadoras” um alerta de que não existe saída por mais que você procure em todos do seu convívio, e que esta dor interna só é resolvida ao tirar a própria vida.

Ao contrário do livro, que ao meu ver teve uma forma mais responsável de passar a história, a série se perde ao prolongar a trama e incluir situações entre os demais personagens para “preencher o tempo”. A Hannah da série também se perde e se contradiz em diversos momentos (mais por culpa do roteiro do que da atriz que é muito boa), chegando até mesmo a ultrapassar perigosamente a linha da culpabilização da vítima, fazendo alterações  irresponsáveis na história, inserindo na discussão  o famoso e machista “ela consentiu” ou “ela procurou” como um fato pouco trabalhado. Alguns dos motivos que receberam uma fita na série, de tão mal trabalhados parecem “apenas um problema de adolescente” e não traduzem o problema da depressão que a garota estava vivendo, sendo assim, o meu motivo principal ao incluir esta série aqui hoje é o do alerta aos adolescentes que estão assistindo sem a maturidade necessária. Então, se você tem contato com algum deles, fique de olho.

Eu acredito que os motivos que levam alguém a atentar contra a própria vida devem ser discutidos e trabalhados, mas não de uma forma culpar o outro, embora a série seja um excelente espelho para mostrar que bullying não é brincadeira e causa diversos danos físicos e mentais. E principalmente, acredito em exemplos de superação e luta diária para o auxílio das pessoas que estão na situação de Hannah (que infelizmente, na história, não conseguiu apoio e uma saída diferente para o mal que sentia).