Escolhi indicar para vocês hoje uma série que foi finalizada este ano (Aaaaah!). Switched at Birth não foi a série com melhor história, nem com melhores efeitos especiais, ou destaque em premiações, mas discutiu tantos assuntos importantes que acho que está passando da hora de falar dela aqui.

Switched at Birth” (ou “trocadas no nascimento” em tradução livre para o português) conta a história das jovens Bay e Daphne que, devido a um erro no hospital, foram trocadas após o nascimento. Bay vai então morar com casal rico Kathryn e John Kennish, e Daphne vai para o lar da latina Regina Vasquez.

Após 15 anos, através de um trabalho escolar, Bay descobre que existe algo errado em sua filiação além da sua comum implicância com a falta de semelhança com os pais e, após convencê-los a realizar um teste em laboratório, a troca é descoberta.

Daphne é então localizada vivendo com Regina, e as duas famílias precisarão se unir e criar uma estratégia para contornar este erro, tendo ainda os Kennish o desafio adicional de aprender um novo idioma, a Libras, pois a garota teve como consequência de uma meningite na infância a perda da audição.

Essa série é fantástica. Ela é clichê? É sim. É dramática? Demais. Mas aborda temas necessários? Em todos os episódios! Além da inclusão escancarada do suporte familiar e educacional aos surdos e seu desenvolvimento profissional, em seus cinco anos ela também abordou racismo, violência, corrupção, abuso sexual, drogas, preconceito, síndrome de Down, frustrações profissionais… e muito mais!

Talvez você já tenha visto alguns dos atores em outros lugares, pois muitos são conhecidos de outras séries famosas: Vanessa Marano, a Bay, foi a filha do Luke em Gilmore Girls; Katie Leclerc, a Daphne, foi uma das namoradas do Raj em The Big Bang Theory e irá protagonizar a nova série “Confess” baseada no livro homônimo da Colleen Hoove;  Lucas Grabeal, o Toby irmão das garotas, é conhecido por High School Musical; Lea Thompson, a Kathryn Kennish, é conhecida pela famosa franquia “De Volta Para o Futuro”.

Mas preciso enfatizar que a coisa mais sensacional que essa série consegue fazer, principalmente na questão da surdez que é o seu foco, é “matar a cobra e mostrar o pau”, pois além de falar sobre o potencial e desenvolvimento de seus personagens juntamente com a necessidade da inclusão, ela te mostra através de excelentes atores que são surdos como tudo é igual e possível.

Então, mais do que uma série para distrair, ela é uma janela aberta para discussões e conhecimento. Ao colocar dentro da casa de milhões de pessoas que desconhecem o idioma de libras a sua importância e a naturalidade em utilizá-lo, ela familiariza e desmitifica, uma vez que todos os diálogos da série em que apresentam personagem surdo (quase sempre) alguém está fazendo a tradução simultânea.

Existe até mesmo um episódio especial em que não houve nenhum som, apenas sinais e legendas. Só uma observação importante, a língua de sinais utilizadas na série é a ASL (American Sign Language) e não a brasileira Libras, que acabei citando anteriormente apenas para que fosse mais fácil a identificação de vocês, então quase tudo será diferente (assim como os idiomas falados, não é mesmo?!).

Então fica a dica desta série que é uma aula e um conhecimento de vida. São ao todo cinco temporadas, sendo que as duas primeiras já estão na Netflix e as próximas logo logo vão chegar.

________________________________________________________________________________________________________________

Título: Switched at Birth
Distribuidora: ABC
Temporadas: 5
Status: Finalizada
Gênero: Drama
Duração dos Episódios: 45 min