Baseada no livro Anne de Green Gables, da autora Lucy Maud Montgomery, Anne with an E é uma série produzida pelo canal canadense CBC e mundialmente disponibilizado pela Netflix.

Inicialmente, a série não chama muito a atenção de quem passeia pelo catálogo, apesar do visual diferenciado. Confesso que eu mesma não me interessei muito, até passar pelo preview na página inicial. Aí… Foi amor à segunda vista.

Nos 44 minutos iniciais, podemos conhecer Anne, uma órfã ruiva, cheia de sorrisos e muito (muito!) falante. Os monólogos poéticos da menina são cativantes e carregados de imaginação e uma visão de mundo sem igual.

Anne é enérgica, dramática e passional, o que pode ser um pouco demais para os Cuthberts, irmãos que resolveram adotar um menino para ajudar na fazenda, o que obviamente não acontece.

Ambientada no Canadá, ao fim do século XIX, a série nos traz, de forma sensível e leve, temas atuais, como o bullying e o lugar da mulher na sociedade. A roteirista, inclusive, costuma dizer que a série é “acidentalmente feminista”, devido à energia de Amybeth McNulty, atriz que interpreta Anne.

Anne with an E é uma série distribuida pela Netflix

No começo, tive a sensação de que a série era um pouco lenta e dramática demais, mas ao fim do primeiro episódio eu já estava apaixonada. E a parte que muito me cativa é que Anne fala diretamente com todas as pessoas que passaram pela adolescência/infância conturbada.

Sempre fui uma criança quieta e que vivia no mundo da própria imaginação, desde cedo com o nariz enfiado nos livros e claro que super isolada porque as outras crianças me achavam esquisita. E é com essa nossa parte que a série dialoga. É essa parte que desperta e pensa que, afinal, tudo bem.

Tudo bem enxergar a mágica e querer um pouquinho dela na nossa vida, mesmo que através das páginas dos livros. Tudo bem não ser igual a todo mundo. Tudo bem ser uma órfã ruiva que fala bastante e, aos poucos, conquista sua própria família e seu lugar no mundo. Tudo bem querer estudar e desbravar o mundo e quebrar algumas regras.

Foi assim que Anne with an E se tornou uma das minhas séries de conforto. De sentir aquele quentinho no coração quando a abertura começa e somos transportados para o gélido Canadá.

E também pelo fato de ter uma fotografia maravilhosa e ser praticamente um documentário sobre a época e a região, tão reais são os detalhes, o vestuário e as ambientações. Vale a pena cada segundinho que passamos neste mundo, conhecendo a história não apenas de Anne, mas de todos a seu redor.

Pessoas reais, com problemas reais, tratados de forma muito leve e cuidadosa. Tão leve que fica fácil se encantar profundamente por suas desventuras e personalidades. Qualquer tempinho livre que tenho acaba sendo para ver um pouquinho mais da série, que já está em sua segunda temporada, com a estréia da terceira já prevista.

Melhor preservar os spoilers e deixar que vocês mesmos acompanhem a ruiva espevitada que conquista corações já desde 1908, nas páginas ou nas telas. Afinal, sendo poética como a própria Anne seria, os mais preciosos tesouros se encontram escondidos, mesmo que no catálogo da Netflix.