Briana Pinheiro vai mudar seu conceito de desastrada. Depois de ser despedida do terceiro – ou seria o quarto? – emprego em um período de apenas um mês, ela se vê mais perdida do que nunca. Quebrar quase tudo o que toca e o que não toca também, derramar comida nos clientes… Isso é apenas a sua rotina. Mas apesar de um desastre ambulante, ela se esforça ao máximo para permanecer nos empregos e levar algum dinheiro para casa. Após a perda do pai ela, a mãe e a irmã Aisla têm tido muita dificuldade para manter a antiga pensão da família que além de caindo aos pedaços conta apenas com uma inquilina – Dona Lola, com mais de 80 anos, é uma figura e tanto – mas infelizmente com o que ela paga não é possível manter o pagamento da hipoteca e a faculdade de Aisla. Após arrumar uma entrevista de emprego em cima da hora, Briana corre para chegar até lá, mas além de chegar atrasada ela quebra o bebedouro e estraga metade dos projetos da construtora, além de um computador novinho! Sem esperanças, Briana segue o caminho de casa, sem saber o que fará a seguir.
“Tem dias que tudo dá tão errado que a pessoa se pega pensando que não deveria ter saído da cama nem para ir ao banheiro, só para evitar que, sei lá, quando fosse acionar a descarga acidentalmente quebrasse alguma coisa e a casa se transformasse numa enorme piscina.
Deve ser legal ser essa pessoa, pensei, me afastando da porta, desanimada. Ter apenas um dia ruim, ao contrário do que acontecia comigo que vivia uma catástrofe todo santo dia.”
Como se não bastasse todo esse azar, Briana não tem dormido bem. Desde o seu aniversário de 18 anos ela sonha com castelos e lutas de espada em algum lugar na Irlanda, num período que ela desconhece onde ela vive no corpo de uma princesa. Além de toda a batalha para fugir de um casamento arranjado com o assassino do próprio irmão, a princesa tem que lidar com a possibilidade de estar apaixonada por um lindo guerreiro chamado Lorcan O’Connor, e o risco que ele e seu povoado correm por abrigar uma fugitiva do rei. Ela não consegue entender a lógica desses sonhos que sempre repetem a mesma história e são sempre tão reais… Então sempre que ela acorda ela desenha aquilo que sonha, com o seu belo irlandês estampado em mil faces diferentes. Por conhecer tão bem esse rosto, Briana não pode deixar de ficar em pânico quando o cara que a atropela tem EXATAMENTE a mesma cara do seu guerreiro. Além de cuidar para que ela tenha toda a assistência, Gael O’Connor oferece a ela uma vaga coo sua assistente, o que provavelmente resolverá os seus problemas. Aisla não aguenta ver a irmã vivendo no mundo dos sonhos sem nunca ter tempo pro amor, por isso, quando vê Gael levando Briana em casa a noite, começa logo a fantasiar um relacionamento entre os dois.
“Meias verdades são mentiras inteiras, Gael.”

Como toda mocinha da Carina Rissi, o foco de Briana não é um relacionamento amoroso. Tudo o que ela quer é ter dinheiro para pagar as contas, ver a irmã realizar os sonhos e ver a mãe crescer com a pensão. Mas, cá pra nós, depois de sonhar 5 anos com um cara é bastante difícil ignorar a presença dele bem do seu lado, não é? Então, com sentimentos conflitantes, Briana tenta se manter firme, mas cada vez que chega perto dele algo parece mudar dentro dela. O maior problema é que, quando mais ela o conhece, mais ela separa Gael de Lorcan, e mais ela começa a gostar de Gael pelo que ele é. Muitas coincidências entre os dois homens vão deixar Briana confusa quanto ao que pensar e quanto ao que sentir. Nesse meio tempo eles terão que visitar a Irlanda, que é quando toda a nossa história fica muito mais turbulenta.
A primeira coisa que eu me perguntei foi: o que ta conteseno? Juro. Eu não entendia se o Gael e o Lorcan eram a mesma pessoa, porque quando a Briana sonhava ela não era ela mesma, porque esse cara surgiu na vida dela, porque ela é tão azarada… Devo dizer que até o fim da história eu tive quase todas as minhas respostas (exceto porque ela é tão azarada, coitada, Carina!), e que eu fiquei muito, muito impressionada com como todas as peças se encaixaram com  perfeição. Num livro desse tipo, muitas pontas podem ficar soltas, mas a história se fechou perfeitamente. Com uma narrativa suave a Carina conseguia nos transportar para os sonhos de Briana e nos trazer de volta ao século atual sem perder a sua escrita característica em cada situação, deixando o livro com uma divisão muito clara e ao mesmo tempo sem ficar com uma variação brusca.
RESENHE DE LIVRO QUANDO A NOITE CAI - CARINA RISSI
“Ele fica calado por um momento, ponderando sobre tudo o que acabou de ouvir, e então assente com a cabeça.
– Tem razão. Não se consegue compreender o amor. Não é assim que funciona. Nãos e decide amar ou não. Simplesmente acontece, sem que se possa evitar. – Ele  puxa uma florzinha branca de um arbusto e começa a girá-la entre os dedos. – Não devia estar tão convencida de algo sobre o qual não exerce nenhum controle.
– Já se apaixonou, sr. O’Connor? – sondo, intrigada. 
Ele coça o pescoço, as bochechas adquirindo um suave rubor que conflita com sua aparência austera.
– Suspeito que possa estar a meio caminho disso.”
Eu amo os livros da Carina, mas devo dizer que nesse ela caprichou. É uma história tão linda e profunda, tão cheia de detalhes, tão cativante… Simplesmente fiquei encantada e cheia de suspiros quando terminei de ler. Houve muito sofrimento também, claro, afinal, a vida não é um mar de rosas e os livros da Carina também não, mas tudo dentro de um contexto surpreendentemente bem elaborado. Para fechar tudo com um lindo trabalho, a Verus fez uma capa linda com o verde que nos lembra tanto a Irlanda e a ruivisse da Briana para não deixar de fora a peça principal do livro. Cada detalhe se uniu formando uma história única que só poderia ter sido escrita por essa autora maravilhosa. Leiam, e me contem!
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Título: Quando a noite cai
Autora:Carina Rissi
Ano: 2017
Páginas: 448
Editora: Verus Editora
Gênero: literatura brasileira, ficção, romance