Um adolescente sofrendo por causa de um acontecimento ruim, começa a escrever em um diário por causa da insistência de sua mãe e de sua psicóloga. O que ele não esperava, é que dias após começar a escrever, um quase atropelamento iria apresentar para ele pessoas bem diferentes – a cabelo de raposa, o James Dean não-tão-bonito e a menina de cabelo roxo -, e que essas pessoas mudariam sua vida para sempre. Enfrentando a dor que ainda sente, mas com vontade de viver as novas experiências que os três amigos estavam apresentando a ele, “ O Garoto Quase Atropelado ” acompanha o registro no diário de um mês na vida desse menino.
“Ouvir aquela covardia fez meu pulso se fechar e senti como se todo o meu sangue tivesse subido para a cabeça. Só conseguia pensar em quais seriam as razões que levam algumas pessoas a se sentirem tão incomodadas a ponto de agredir outra que nem conhecem, apenas por ela pensar ou agir diferente. Era um daqueles momentos em que você sente verdadeiro nojo do mundo.”
“Uma história inesquecível sobre adolescentes que escolheram acreditar no que sentiam. Você vai se emocionar.” Essa frase é um pedaço do depoimento de Bruna Vieira sobre o livro e está bem na capa, e não sei por que, mas não levei muita fé nela, talvez tenha sido pela capa ou pela sinopse atrás que não revelava muita coisa. Bela ingenuidade minha. “O Garoto quase Atropelado” não apenas me emocionou, mas me tocou profundamente. Havia pensando que seria um daqueles livros adolescentes bem fraquinhos e ficava pensando nas primeiras páginas, “mas que diabos aconteceu com esse menino”, mas com os capítulos passando a minha visão sobre a leitura mudou drasticamente.
“É complexo, mas por tudo que já vivi, tanto relacionado à felicidade como à tristeza, acho que as duas são complementares e precisam uma da outra para existir. como saberíamos o que é felicidade se não soubéssemos como é a tristeza? É quase como se precisássemos sentir a dor para que os momentos bons realmente valham a pena.”

Não é um clichê adolescente, os jovens personagens passam por problemas que qualquer um poderia estar passando. A proximidade com a realidade, talvez tenha sido o mais interessante, ou talvez, seja a vontade de viver e como o autor descreve o sentimento de ser quase atropelado e o que aquilo causou no personagem. Tenho que dizer, que pessoalmente, me identifiquei bastante com os sentimentos do garoto quase atropelado. E tive que dar uma pausa, várias vezes durante a leitura, apesar de ela acabar nos levando. Aliás, acho que essa obra foi uma das mais difíceis em separar partes para ressaltar, eram tantas que gostei.

Publicado pela Faro Editorial em 2015, “O Garoto quase Atropelado” é o segundo livro do escritor Vinicius Grossos, um carioca que vive em Minas Gerais e é formado em Jornalismo pela UFJF. Tenho que confessar que desde o primeiro exemplar da Editora Faro, fiquei encantada com ela, as folhas mais grossas das páginas é algo que gostei bastante. A capa do livro traz uma bicicleta que tem  significado bem importante para a história e no final, Vinicius dá uma tarefa para os leitores poderem completar a leitura. Para mim, a tarefa foi vista como uma boa forma de encerrar a leitura.
“Durante muito tempo, fiquei me perguntando se Deus existia. E se ele existia, por que permitia que coisas ruins acontecessem a pessoas boas? Demorou para eu chegar perto da resposta. No entanto, acho que as coisas ruins vêm para que as boas possam se ressaltar. E é engraçado, mas eu não percebia como a nossa rotina, como a nossa convivência, era simplesmente boa demais, até te perder e sentir a coisa ruim.”
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Título: O Garoto quase Atropelado
Autor Vinícius Grossos
Ano: 2015
Páginas: 272
Editora: Faro Editorial
Gênero: Young Adult, Drama