Em O Ceifador, primeiro livro da série Scythe do Neal Shusteramn, o mundo vive sua utopia: as doenças foram erradicadas, não há mais fome,  as guerra e a pobreza são um uma lembrança distante e os humanos vivem pelo tempo que quiserem, não existem mais governos, juízes ou qualquer outra forma de autoridade além do Nimbo-Cúmuloe e os ceifadores.

Enquanto a primeira é um computador que preza os recursos naturais, controla a tecnologia e fiscaliza a população, os ceifadores são formados por humanos que tem como função matar um número x por ano para assim controlar o número de pessoas na terra e não deixar ultrapassar sua capacidade.

É nesse mundo que somos apresentados a Citra uma jovem que vive com os pais e o irmão, tem uma vida bem tranquila frequentando a escola e tentando descobrir com qual menino vai sair. Com uma língua afiada e uma coragem única, ela é bem impulsiva.

Logo em seguida conhecemos Rowan, um adolescente também em vida escolar que é o filho do meio de vários irmãos e que convive com uma família bem louca, e tem um temperamento calmo e disciplinado. Os dois vêem sua vida mudar depois do encontro com o ceifador Faraday que vê algo neles e os escolhe para ser seus aprendizes.

“Para Rowan, a decisão não foi tão difícil assim. Sim, ele odiava a ideia de se tornar um ceifador — era repugnante —, mas o que mais o incomodava era imaginar qualquer conhecido seu cumprindo essa função. Ele não se via como uma pessoa moralmente superior a ninguém, mas tinha um senso mais agudo de empatia. Sentia a dor dos outros, às vezes mais do que a própria. Foi o que o levou à coleta de Kohl. Foi o que o fez ficar ao lado de Tyger depois de todos os machucados.”
RESENHA DE LIVRO O CEIFADOR - NEAL SHUSTERMAN @editoraseguinteoficial

Gostei muito desse livro, mesmo achando que em algumas partes o Neal Shusteramn se perdeu um pouco. No geral a história me conquistou e me deixou ansiosa para o segundo livro da série, os ceifadores me conquistaram, mas me deixaram um pouco assustada também.

Pois mesmo tento regras que devem ser seguidas, os humano tem uma tendência a se corromper quando há poder em jogo e essa ideia de que você pode escolher qualquer pessoa para se tornar um ceifador não me desceu goela à baixo.

Há também o fato do mundo ser governando pela tecnologia que tem acesso a tudo o tempo todo e me deixou com uma pulga atrás da orelha, pois ainda acho essa máquina muito boazinha.

O CEIFADOR - NEAL SHUSTERMAN

De todos os personagens dessa trama Faraday, o ceifador que começa toda essa história, tem seus momentos e se tornou meu preferido por seu jeito calmo e sua personalidade bem altruísta. A ideia do livro deixou algumas pontas soltas que, com certeza, devem ser explicadas no próximo livro.

O vilão, se assim posso dizer, também não foi uma personalidade que aparecia só para fazer algo ruim e sumia logo em seguida, pelo contrário, o fato do livro ser em terceira pessoa nos deu uma boa visão de seus pensamentos.

“[…]Sou um homem que escolhe coletar com orgulho, não com vergonha. Prefiro abraçara vida, por mais que trabalhe com a morte. Não se engane: nós, ceifadores,estamos acima da lei porque merecemos. Prevejo o dia em que os novos ceifadores serão escolhidos não por causa de alguma moralidade esotérica, mas porque gostam de tirar vidas. Afinal,este é um mundo perfeito — e, num mundo perfeito, não devemos todos ter o direito de amar o que fazemos?”

LEH PIMENTA

Como toda boa distopia a luta pelo poder é bem forte e dá direção à história, mostra facetas da personalidade humana que tentamos esquecer, como o fato de qualquer pessoa poder ser ressuscitada e assim um matar o outro virou uma brincadeira.

Outro ponto que achei positivo no livro ser apresentado em terceira pessoa foi seguir a vida de Citra Rowan, aprendizes de ceifadores, nos dando várias visões sobre esse mundo o que não é bem aquilo que se espera lendo a sinopse do livro. Algumas vezes essa mudança de visão é tão abrupta que até nos deixa um pouco perdidos, mas mais para a frente nota-se que faz toda a diferença para a história.

@editoraseguinteoficial

Um livro de introdução a um mundo totalmente novo, O Ceifador fez seu papel nos apresentando o mundo, os mocinhos e vilões, mas também apresentou como é fácil sucumbir ao poder e o que acontece quando se cede, quando quem deveria fiscalizar se torna corrupto e aquele que deveria ser o guardião está com as mãos presas por leis que não pode quebrar.

Também somos introduzidos a dois jovens com um caráter interessantíssimo que estão em uma jornada complicada onde a morte é o único fim para um deles.

Para finalizar quero dizer que a capa mantida pela editora, faz total sentindo quando se vai lendo a historia, e a diagramação utilizada para compor a obra facilitada bastante a leitura, pois suas letras e espaçamentos são de bom tamanho.

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Título: O ceifador
Subtítulo: Scythe # 1
Autor: Neal Shusterman
Ano: 2017
Páginas: 448
Editora: Seguinte
Gênero: Distopia, Fantasia, Ficção, Ficção científica,  Jovem adulto.