A menina que não acredita em milagres conta a história de Campbell, uma garota que logo jovem descobriu estar doente, que viu os médicos desacreditarem a cada tratamento mal sucedido e que agora sabe que, nunca passará dos 17 anos. O Câncer tomou conta do corpo dela, logo após tomar conta da vida dela, que foi baseadas em consultas, internações e inúmeras tentativas de fazerem as coisas melhorarem.

Quando seu médico diz que não há outra opção, Cam só quer continuar a fazer aquilo que ela sempre fez: seguir em frente, mesmo que a duração do “em frente” seja curta.Alícia, sua mãe, por outro lado, sempre lutou pela sua filha e ainda não está pronta para desistir. Entre consultas transatlânticas sobre o futuro e todo o tipo de rituais e mandingas, Alícia aceita a dica de um amigo muito confiável – que vive num pântano, é dono de cinco iguanas, vive se alimentando de comida de bebê e tem uma coleção enorme de… ervas – e embarca em busca de uma pequena cidade no Maine chamada Promise, um lugar supostamente “secreto”, para o qual é preciso seguir uma trilha extremamente específica para encontrar.

“Era a prova final para Cam (como se ela precisasse disso)
de que o amor verdadeiro não existia. As ligações entre as pessoas eram
temporárias. Egoístas. Oportunistas. Destinadas a perpetuar a espécie. ‘Amor’,
o amor romântico, era apenas uma fantasia que se permitiam porque, caso
contrário, a vida seria chata demais para suportar.”

Cam descobre uma lista antiga, chamada Lista do Flamingo, que a impulsiona a procurar intensidade. Viajar para um lugar “mágico” não é uma aventura para uma garota cética que está prestes a morrer, mas ela topa mesmo assim e embarca com Perry, sua irmã, e sua mãe. O caminho para Promise reserva para Cam muitas reflexões e encontros que mudarão completamente aquele verão, e o resto de vida que ela tem. Mas a chegada na cidade fará ainda mais: além de ver coisas completamente improváveis e conhecer pessoas que ela nunca sonharia conhecer, Cam vai experimentar sensações que ela nunca procurou, mas que eram necessárias para que a vida dela mudasse.

Logo quando chegam na cidade são recebidas por um belo garoto chamado Asher, que além de bonito demais para parecer um psicopata, ainda lhes oferece abrigo gratuito já que o Hotel misterioso da cidade está em reforma. Coisas boas e ruins acontecerão na cidade, e uma notícia triste fará Cam enxergar muito do que ela teimava em não ver. Porque ela persiste com seu ceticismo, mas, não é preciso acreditar em milagres para viver um.

Esse livro é um sick-lit narrado de uma forma bastante sóbria, o que faz ter um teor menos dramático que esse tipo de livro geralmente tem. A escrita da autora é bastante gostosa, dá para ler num piscar de olhos, cheia de um humor bastante ácido que se une à personalidade de Cam e forma uma obra realmente única. A família de Cam está longe de ser a família tradicional, seu pai morreu há alguns anos e sua mãe tem dificuldades em manter um relacionamento duradouro – o que a deu sua irmãzinha Perry, inclusive.

Toda essa atmosfera bem humorada e tão diferente faz a gente se divertir no livro e ainda sim, mexe com a gente nos fazendo pensar sobre o que é o futuro, o que é o pra sempre. Acredito que o que eu mais gosto no livro é como Cam passa por uma transformação natural. Ela vai deixando o egoísmo de lado e ficando mais leve ao longo dos capítulos, e, diferente de um paciente terminal que faz coisas boas meio que buscando a “redenção”, ela as faz porque percebe que é o que ela deveria fazer.

 “ – Algumas pessoasdizem que se deve prestar atenção em coincidências – (…) – Pode mostrar avocê seu caminho. Além disso, essas coincidências são suficientes para manteras pessoas acreditando. Para lhes dar um pouco de esperança.
– Acreditando em quê? Flamingos? Esperando pelo quê?
– A esperança, minha amiga, é a própria recompensa.”

Além disso, há a descoberta do amor. Mas não daquele amor que a gente derrete vendo o casal se apaixonar de uma forma romântica e fofa, no livro ocorre de uma forma muito, muito mais sutil. Cam também muda sua concepção sobre o amor ao longo do livro, e o fato de ela descobrir que o agora é feito de pequenos “para sempre” foi me deixando com o coração aquecido no final do livro.

E acredito que essa era a ideia da autora, nos mostrar esses reconhecimentos para que chegássemos ao final do livro com o pensamento diferente de quando lemos a primeira página. Eu só percebi o quanto esse livro mexeu comigo quando terminei porque ele não fala só de descobertas, fala de aprendizado, de esperança, de aceitação e autoconhecimento. Fala sobre família, amor e amizade, e como nem tudo é o fim do mundo.

E o que eu acho mais importante é que nos mostra o que são verdadeiros milagres, que não precisam ser coisas enormes. Essa edição é maravilhosa, devo dizer que é um dos livros mais bonitos que entrou na minha estante esse ano, com o fundo todo colorido com Flamingos – que são tão icônicos da história – além do mapa das estrelas e o título em alto relevo… A editora realmente caprichou!

Vocês leram? Me contem se essa história mexeu com vocês, quanto mexeu comigo!

Esta resenha foi escrita pela Lorhayne quando ainda estava no Blog. 

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Título: A menina que não acredita em milagres
Autor: Wendy Wunder
Ano: 2017
Páginas: 288
Editora: Novo conceito
Gênero: romance, sick-lit
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