Antes de mais nada, que livro afrontoso! Essa é a primeira coisa que preciso dizer para resumir Matem o presidente de Sam Bourne, pseudônimo do jornalista britânico Jonathan Freedland (ele o utiliza justamente para diferenciar os dois ramos de trabalho). O livro é o mais recente lançamento da editora Record, e vem recheado de intrigas, conspirações,  tratados políticos,  crimes e contravenções… na Casa Branca.

O cenário é uma situação HIPOTÉTICA  (Hipotética, tá gente!!! 😂😉) onde os eleitores americanos elegeram para o cargo máximo de presidente dos Estados Unidos um homem arrogante, agressivo, instável, sem nenhum histórico político ou militar, e pra completar misógino, machista, racista, homofóbico, xenofóbico… bom, a lista é grande. Acontece que a instabilidade e inexperiência deste presidente acabam colocando em risco a vida de todo o mundo quando, irritado com uma simples fala do líder da Coreia do Norte criticando seu governo, ele decide liberar todo o armamento nuclear do país que comanda. Sem alternativas viáveis e legais para retirar o lunático do poder, aqueles que tomaram conhecimento dos riscos de sua permanência decidem que a única alternativa é arquitetar a morte do presidente, como um ato do mais puro heroísmo patriota.

Em um gabinete jurídico da Casa Branca, vários níveis de poder abaixo do Salão Oval presidencial, trabalha Maggie Costello, uma negociadora de paz. Correta e honesta, a moça trabalhava para o presidente anterior e é completamente contra a forma de governo estabelecida pelo atual candidato, tendo permanecido no cargo apenas para tentar fazer algo com um pouco mais de poder que um simples civil. Quando inicia uma grande investigação, incumbida pelo inescrupuloso braço direito do presidente Crawford McNamara ( que vai para o trabalho de bermuda e camisa de rock, pendura calendários de mulheres nuas em todos os gabinetes, não respeita nenhum funcionário e muito menos a Constituição), Maggie acaba tomando conhecimento de uma conspiração para matar o odiado presidente, e se vê no dilema de “o que será o certo a fazer?“.

“Como você pode dizer isso, como se fosse algo normal? Não é normal. Ele é um mentiroso, um trapaceiro, um intolerante e não devia nem chegar perto desse lugar.”

A história é bastante direta e eletrizante. Não dá muita margem à enrolação e especulação, uma vez que se passa em um período de uma semana. Acredito que não seja impossível para ninguém projetar o cenário “hipotético” proposto pelo livro e os riscos que este pode causar, o que torna as situações bastante reais. É possível que você avalie seus conceitos e valores, além de tomar conhecimento da dimensão do poder que está nas mãos do líder dos EUA. Outro ponto interessante dessa “projeção” é que o presidente do livro não aparece diretamente em nenhum diálogo ou cena, e nem mesmo o seu nome é dito (outra super jogada de afronta). A maior parte de sua personalidade, tomamos conhecimento através de relatos dos demais personagens ou pelos seus ridículos e preconceituosos posts nas redes sociais (mais uma coincidência).

Maggie Costello passa por várias situações complicadas ao tomar conhecimento de tal conspiração e sinceramente ninguém gostaria de estar em seu lugar. De traição a tentativa de assassinato, ela enfrenta uma luta contra o tempo para decidir o que é melhor para o país. Uma personagem muito bem construída, com direito a falhas, dúvidas, coragem, erros e acertos. Algo que tomei conhecimento  após a leitura é que o autor possui outros livros onde ela já apareceu, o que aguçou minha curiosidade acerca de fatos do passado de Maggie que foram apenas citados.

“Em condições normais, o relato vívido e brutal de uma violência sexual por parte do presidente bastaria por si só para deixá-la abalada. Mas a verdade chocante era que, àquela altura, uma coisa dessas já não era surpreendente. Considerando-se tudo o que vinha daquele homem, tais revelações haviam perdido o impacto. Maggie temia que estivesse acontecendo com o público americano em geral o que acontecia com ela. Estavam ficando acostumados.” –Matem o presidente

To kill the president

Como uma leitura atual, instigante, provocativa, e até repugnante em algumas falas, aconselho vocês a mergulharem nos mistérios e artimanhas da Casa Branca, principalmente aqueles fãs de séries como House of Cards, Scandal e tantas outras que envolvem este universo de poder.

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Título: Matem o Presidente
Autor: Sam Bourne 
Ano: 2017
Páginas: 404
Editora: Record
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