Comprei Maçãs Envenenadas pela capa (que achei linda) e pela sinopse (que achei interessante). Lendo descobri que se trata de uma história juvenil americana. As protagonistas são três adolescentes de personalidades e histórias bem diferentes. Alice é filha de um escritor, está de luto, pois sua mãe faleceu e seu pai se casou com uma atriz.

Reena é uma patricinha, sua família é indiana, após uma separação repentina seu pai se casou com uma professora de yoga. Molly é uma “cdf” que adora ler o dicionário OXFORD, seu pai resolveu deixar sua mãe e se casar com uma garçonete que está grávida dele.  As garotas detestam suas madrastas e as mudanças que elas trouxeram para suas vidas. Ambas vão parar no mesmo colégio interno.

Boa parte da trama é dedicada apenas a apresentação das meninas e de suas histórias. Isso deixa o começo bem sem graça. No colégio interno as meninas não se entendem bem. Se sentem deslocadas e a princípio não se simpatizam. A narração em primeira pessoa alterna entre as personagens. Achei interessante ver a leitura equivocada que elas faziam umas das outras.

Com o texto sendo narrado hora por uma, hora por outra, nós leitores podemos perceber claramente o que cada uma pensou diante de uma determinada situação. Leva um tempo até que elas finalmente se aproximem, descubram pontos em comum e se tornem as “Maçãs Envenenadas” uma sociedade de enteadas maltratadas que planejam se vingar.

A ideia de um plano de vingança não ganhou muito minha simpatia. Não fui capaz de dar crédito as motivações delas.  O livro dá muitas voltas até que as meninas resolvam de fato agir. Não achei a escrita ruim, mas achei a história um pouco parada. A diagramação está legal, há algumas partes imitando páginas de um jornal noticiando o casamento dos pais.

O nome de cada menina aparece em destaque sempre que o capítulo for narrado por ela. Há letras diferentes em trechos que nos mostram algo escrito por algum dos personagens… Acabei lendo rápido, mas não consegui me envolver muito.  O livro é até legal, tem uma cara bem adolescente e deve agradar a esse público, só não foi exatamente o que eu esperava.

Quando li “Um conto de fadas moderno” eu esperava talvez um reconto às avessas. Uma história diferente, ou princesas más, independentes, ousadas. Mas não era nada disso… De modo geral, a obra acabou sendo o relato de uma fase na vida das três meninas. Uma vivência típica da adolescência com ansiedade, medos, sonhos, frustrações, amores, erros e acertos da juventude.

O final não é grandioso, não é um livro que tenha me tocado ou me marcado de alguma forma. Meus pais se separaram quando eu tinha 14 anos e se eu tivesse lido o livro nessa fase talvez minha visão fosse outra. Acho que teria me identificado um pouco mais naquele momento, pois a autora mostra o tempo todo como as jovens garotas se sentem em relação a separação de seus pais.

Você já teve a sensação de que gostaria mais de um determinado livro em outra fase da vida?

Essa matéria foi escrita por  Nathalia enquanto ainda era colunista do Coisas de Mineira 

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Título: Maçãs envenenadas
Autora: Lily Archer
Ano: 2012
Páginas: 320
Editora: Galera Record
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