A resenha de hoje é do livro “A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil” que narra a história dos tripulantes da nave Andarilha, que viajam de planeta em planeta cavando túneis espaciais que conectam civilizações em todo universo. Após a chegada de Rosemary na nave, a tripulação tem a chance de aceitar um trabalho que dará muito retorno financeiro para todos e poderá melhorar as coisas. O único problema, é que a viagem irá durar um período muito longo em que as paradas em terra firme serão poucas. Com uma tripulação composta por indivíduos de planetas, gêneros e espécies diferentes, trabalhando juntas, os problemas de convivência aparecem.

A caveirinha é um amor, isso todos sabemos, com capas belíssimas e histórias que tiram o fôlego.

O livro mostra um pouco sobre os problemas e os sentimentos de cada um da tripulação, e nos leva para muito mais do que uma viagem a um planeta hostil, nos leva para uma viagem pela história e a vida de cada tripulante da nave.

“Recriminou-se mentalmente por este último pensamento. Era um estereótipo que todos os humanos conheciam, querendo ou não, e revelava uma visão etnocêntrica. Não formam casais como nós, corrigiu a si mesma. Isso não é a mesma coisa que ser promíscuo. Em algum lugar na sua cabeça, o professor Selim estava franzindo a testa para ela. O simples fato de usarmos a expressão ‘sangue-frio’ para denominar alguém pouco emotivo mostra o nosso preconceito inato de primata em relação aos répteis, imaginou-o dizer. Não julguem outras espécies pelas suas próprias normas sociais.”

RESENHA DE LIVRO: A LONGA VIAGEM A UM PEQUENO PLANETA HOSTIL - BECKY CHAMBERSRESENHA DE LIVRO: A LONGA VIAGEM A UM PEQUENO PLANETA HOSTIL - BECKY CHAMBERS
Confesso que a leitura não foi tão fácil para mim, e acredito que a razão disso seja por duas coisas: a primeira é que não tenho costume de ler ficção científica, nunca gostei muito do gênero; a segunda, foi a tipografia escolhida pela editora, que não facilitou a minha leitura (já que geralmente leio dentro do ônibus), achei a letra mais fina do que temos costume de ver nos livros. Mesmo assim, não pude deixar de me envolver com essa história e ser levada pela leitura. A obra não foca em um personagem só, mas sim em toda a tripulação da nave, mostrando os problemas que cada um tem e como eles os enfrentam. Até os personagens que odiei, no fim, acabei amando, tem condição isso?

A obra traz mensagens muito importantes, a primeira delas é que todos somos iguais, todos merecemos respeito, não importa quem você seja, nem mesmo se for uma espécie diferente. O que nos leva a segunda mensagem, não sejamos etnocêntricos com as culturas que divergem da nossa, antes de julgar e atirar pedras, nos coloquemos no lugar do outro em relação aos nossos costumes, que podem parecer estranhos a eles.

Julgar é sempre a primeira forma que lidamos com aquilo que não nos é comum. Com espécies diferentes vivendo em uma mesma nave, vemos como o choque cultural pode ser estranho para a tripulação, mesmo com a convivência sendo grande e durar anos. A autora mostra como os preconceitos e as estranhezas são superadas a cada dia.

“Os humanos não sabem lidar com a guerra. Tudo que sei sobre a nossa história mostra que a guerra desperta o que há de pior em nós. Não temos… maturidade suficiente, ou algo assim. Quando começamos, não conseguimos parar. E já senti isso em mim, sabe, essa inclinação a agir por impulso quando estou com raiva. Não como as coisas que você viu. Não vou fingir que sei como é a guerra. Mas nós, humanos, temos algo perigoso dentro da gente. Quase nos destruímos por causa disso.”
A LONGA VIAGEM A UM PEQUENO PLANETA HOSTIL - BECKY CHAMBERS
Outro ponto que me deixou imensamente feliz é a questão do empoderamento feminino. Não são os personagens do sexo masculino que tem destaque em trabalhos perigosos. Vemos Kizzy, como uma excelente técnica na nave, e Sissix sendo uma incrível piloto. Além de aparecer outros personagens do sexo feminino sendo “fodas” durante a história. E por último, mas não menos importante, o livro fala sobre as relações pessoais, sobre o amor, a amizade, o companheirismo.
Mostra uma espécie em que durante o início da sua vida é fêmea, e ao final é macho. Outra em que mostrar carinho e afeição é algo tão natural que não deve ser escondido e reprimido. Além de mostrar um conceito de família que sempre apoiei. Família não depende de sangue e sim de amor e carinho, como disse Shakespeare: “amigos, são a família que Deus nos permitiu escolher”.

Como disse no início, a editora DarkSide é conhecida por ser um amorzinho nas diagramações, e com essa publicação não foi diferente. A capa não tem desenhos elaborados, e é até simples, mas possui um charme que transforma o livro em um dos mais bonitos da minha estante, todo o brilho que ela possui não deixa que ela seja extravagante e sim, passa a ideia de onde a história se passa, no espaço.

No interior também temos algumas passagens em que a página toda remete ao espaço, seja com a página toda preta com pontos brilhantes que vemos como estrelas, ou até mesmo quando temos o mesmo azul da capa no miolo. Outro detalhe, que ajuda no charme da publicação é a capa dura (<3). Lembro que quando cheguei em casa com ele, uma das meninas que mora comigo o pegou na hora e disse que era a capa mais bonita que ela já tinha visto.

A LONGA VIAGEM A UM PEQUENO PLANETA HOSTIL - BECKY CHAMBERS

“A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil” é o primeiro livro da autora Becky Chambers e da série Wayfarers, e foi lançado primeiramente através de um financiamento coletivo. Chambers é filha de cientistas espaciais, e tem os pais como fontes de várias informações para as suas histórias. O segundo livro da série já foi lançado nos Estados Unidos, e o terceiro tem a data de lançamento para Julho deste ano.

Cheguei a ler a sinopse do segundo e do terceiro volume, porque queria saber como a história iria continuar e devo dizer que preciso que a DarkSide lance logo os dois (por favor caveirinha, eu nunca te pedi nada). Chambers conseguiu com que eu, uma pessoa que nunca gostou de ficção científica, amasse a história e o mundo que ela criou, e não era para menos, “A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil” foi indicado para prêmios respeitados como o “Arthur C. Carke Award” e o “Hugo Award”, além de ter sido vencedor do “Prix Julia Verlanger” de 2017, e ter conquistado vários fãs da ficção científica.

“Conforme Rosemary continuava a observá-las, a estranheza do ato começou a se dissipar. Era diferente, sim, e ocorrera muito de repente, mas não lhe causava desconforto agora. Havia uma beleza estranha naquele ato, algo sobre a maneira como as mãos se moviam, a naturalidade com que tocavam uma à outra. Embora fosse desconcertante, Rosemary começou a sentir uma pontinha de inveja – não sabia se da mulher ou de Sissix. Queria que alguém lhe desse tanta atenção assim sem motivo. Queria ser confiante suficiente para retribuir um gesto daqueles.”

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SÉRIE: BECKY CHAMBERS

1. A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil
2. A Vida Compartilhada em Uma Admirável Órbita Fechada
3. Record of a Spaceborn Few ( Ainda não lançado )

Autora: Becky Chambers
Ano: 2017
Páginas: 352
Editora: DarkSide
Gênero: Ficção Cientifica
Onde compra: AMAZON