A Heroína da Alvorada . Que desfecho! Que história maravilhosa! Se eu precisasse apontar uma série que me impressionou demais nos últimos anos, ela com certeza seria  A Rebelde do Deserto (confira a resenha do primeiro livro AQUI). Em pensar que eu comprei o primeiro livro porque vi na livraria e achei a capa linda… Mas ao mesmo tempo que foi muito emocionante viver estes momentos finais e eletrizantes da saga da jovem Amani, preciso dizer que foi também muito difícil, por saber que estava chegando ao fim dessa trama tão envolvente. E quantas perdas no caminho…
O livro começa exatamente onde termina o segundo “A Herdeira do Trono” (confira a resenha do segundo livro AQUI) e por isso, se você tiver lido há algum tempo, vai precisar reler algumas partes ou resenhas do livro anterior para se situar novamente. Estamos no momento crítico em que toda a força da rebelião e os inimigos estrangeiros caíram na armadilha do ardiloso Sultão que, utilizando-se de fogo eterno da alma dos djinnis (deuses imortais sagrados primordiais), criou um cerco em volta de toda a cidade e patrulha as ruas com abdals, seres de bronze que criou para aniquilar os rebeldes com o fogo de djinni. Ou seja, quem está dentro da capital Izman está preso e quem está fora não pode entrar. Seriam reduzidos a cinzas.
Para complicar ainda mais, metade da rebelião foi capturada e enviada para uma prisão mítica dos Livros Sagrados que, até então, Amani nunca soube que realmente existia e nem imagina onde fica. Seus desafios são então imensos: ela precisa conseguir sair de Izman, precisa conseguir encontrar e entrar na prisão sagrada em Eremot (onde foi presa a Destruidora de Mundos, o ser primordial que mais fez mal à humanidade), precisa lidar com as mortes que tem acontecido no caminho “para o bem maior” e, claro, lidar com os assuntos pendentes do seu passado, do qual fugiu

O livro é uma bomba de adrenalina. Diferente de muitos em que você precisa ler um grande número de páginas para se animar, neste o tumulto já começou na última e triste linha do livro anterior. A melhor opção, no meu caso, foi reler as últimas 80 páginas do anterior e já engatar neste para assim, em 2 dias, terminar todas as batalhas pelas areias do deserto.

A escrita de Alwyn Hamilton em sua saga de estreia é muito fácil e fluida, você lê diversas páginas sem nem perceber. Me lembrou muito a escrita da Colleen Houck, autora de “A Maldição do Tigre”, pois trata de nomes, culturas e vestimentas bem diferentes, porém com uma naturalidade que te insere no contexto. Agora, o que eu não sabia quando comecei essa saga é que ela seria tãoooooo má no final! Eu entendo que uma rebelião toma vidas, que estes se entregam como sacrifício para o bem maior, mas por que tantas? E por que essas? Não sofria tanto desde *SPOILER* Dobby e Edwiges em Harry Potter.

Como já disse, foi maravilhoso poder ler a conclusão de A Heroína da Alvorada. O último capítulo é digno de lágrimas. A força de valorização feminina que ele tem precisa ser evidenciada, pois são vários os momentos em que você percebe como as mulheres tem ali a força e o controle de tudo, por pura competência e nada por aparência.

A protagonista em si, como eu já disse em resenhas anteriores, é um modelo real nosso, que tem medo, que é egoísta, insegura, mas que em todas as oportunidades se esforça para ser alguém melhor (o máximo que conseguir, sem falso moralismo). Outro fato importante é que o universo retratado é completamente machista, e elas vão aos demonstrando seu valor e ganhando seu espaço em meio a todas essas adversidades, e quando você percebe, trechos da história apontam como as mulheres já eram importantes para a civilização há muito mais tempo.

“- O primeiro mortal era uma mulher?
 É claro. Milhares de meus irmãos imortais perderam a vida quando enfrentamos a Destruidora de Mundos. Sabíamos que não éramos páreo para ela. Então não criamos um soldado à nossa imagem, mas à imagem dela.”

A Heroína da Alvorada

 

A editora Seguinte está de parabéns pela escolha de trazer todo esse crescimento de Amani para o Brasil. Ainda mais de parabéns pelas edições que produziu, com uma capa mais linda que a outra, páginas amareladas e com detalhes nas aberturas de cada capítulo. E principalmente por ainda trazer um gostinho final para nossos corações abandonados que é o livro extra de contos passado de Miraji, chamado “Contos de Areia e Mar“. Contos tem um papel muito importante para história visto que a narrativa nos 3 livros intercala em diversos momentos capítulos contados em primeira pessoa por Amani com histórias contadas sobre eles posteriormente, até com título. Já preciso!
Então é isso…
☀️”Uma Nova Alvorada! Um Novo Deserto!”☀️

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Título: A Heroína da Alvorada – Vol. 3
Autora: Alwyn Hamilton
Ano: 2018
Páginas: 384
Editora: Seguinte
Gênero: Fantasia, Ficção, Jovem Adulto