O acampamento Kairós é o sonho de férias de Fabi. Há alguns anos ela separa fotos do lugar, já pegou panfletos e tudo mais, mas a situação econômica da sua casa depois que seu pai morreu não é nada boa, e esse acampamento é bem caro. A história não passaria disso se Fabi não tivesse ganhado um sorteio para ir para lá com tudo pago, bem no período do seu aniversário. Enquanto isso, Adolfo vai para o acampamento como uma espécie de castigo. Não importa quanto conforto e “diversão” tenha nesse lugar, quem é capaz de ficar seis dias sem celular? Com perspectivas completamente diferentes das férias, esses dois vão se encontrar e viver uma bela história.
“Sabe aquela cena em que um olha para o outro e já estão apaixonados sem trocar uma palavra sequer? E o cupido? Caraaaca, maluco! Que piada. Um carinha usando fraldas que fica atirando flechas nos outros. Acho que, se o meu cupido um dia apareceu, eu o confundi com o mosquito da dengue e o matei esmagado numa parede.”
Nesse livro, vemos a Fabi – que já apareceu no livro A consultora teen – e Adolfo – de Confusões de um garoto – que são diferentes um do outro, mas que tem muito mais semelhanças do que discrepâncias. Vemos o surgimento da amizade entre Fabi e as meninas do seu alojamento, além das discussões sobre padrões de beleza e insegurança que enchem a cabeça de jovens nessa época da vida. Adolfo também acaba se tornando um grande amigo para seus companheiros, e aprende, mais do que tudo, a reconhecer em si mesmo coisas que estavam erradas e que mudaram, e coisas que devem ser mudadas.
Devo dizer que esta é uma obra infanto-juvenil, então não se deve esperar uma narrativa complexa ou densa. Você lê o livro em poucas horas e mal percebe quando acabou. O que eu mais gostei é que me lembrou minha adolescência, com o clima de diversão de acampamentos que eu fui. Além disso, sei que qualquer garota de 12/13/14 anos terminaria esse livro suspirando com a bela história de amor contada nele. É uma história leve, mas cheia de ensinamentos que podem ser compreendidos e usados por pessoas que estão passando pela mesma fase da vida que os protagonistas da história.
Esse é o primeiro livro que li da autora Patrícia Barboza e devo dizer que lamentei por ter conhecido a sua escrita nessa idade. Com toda a certeza, eu apreciaria muito mais se fosse mais jovem. Algo que me incomodou nesse livro foi a maturidade excessiva dos dois protagonistas. Pode parecer meio bobo, mas quando li pensei “ei, ninguém é tão bem resolvido e tão maduro aos 14 anos!”, mas por fim eu percebi que isso acaba se tornando um ponto positivo. Como esses personagens acabaram de superar episódios difíceis na vida, o relato deles pode servir de inspiração para os leitores dessa obra.
“- Afim, apaixonada, num crush repentino, não sei o termo certo pra definir. O fato é que eu não consigo evitar olhar para ele se nós estamos no mesmo ambiente.
-Ahã. Seeei…”
Fiquei bastante surpresa por gostar tanto desse livro. Foi uma leitura extremamente fluida, e acredito que seria um excelente livro para quem está começando agora nesse mundo da leitura. Os capítulos são narrados de forma alternada pela Fabi e pelo Adolfo, e o tom do romance me lembrou o filme ABC do amor (com Josh Hutcherson). A diagramação ficou linda, com a fonte mudando entre os relatos dos dois, além de ter a caneca do acampamento como desenho de entrada dos capítulos. A capa é uma fofura, e acaba por ser uma síntese do acampamento: diversão, amizade e chocolate quente – que é um símbolo fofo do amor dos dois, mas só lendo que você vai entender!
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Título: Férias, amor e chocolate quente
Autor: Patrícia Barboza
Ano: 2017
Páginas: 175
Editora: Verus
Gênero: infanto-juenil, ficção, literatura nacional