Assim que peguei “Darkmouth” em minhas mãos, percebi que o livro foi caprichosamente editado para encantar. A começar pela capa, com cores fortes contrastando com o fundo preto e uma imagem que imediatamente me fez pensar nas aventuras que provavelmente eu iria encontrar.
As primeiras páginas nos colocam diante do mapa de Darkmouth, uma cidade pequena, afastada de tudo, que em pleno século XXI ainda se encontra bastante isolada do restante do mundo. Estranho, não é?! Mas nós leitores não estamos diante de um lugarejo qualquer e sim de uma Vila Flagelada atacada por lendas.

Criaturas monstruosas como Minotauros, Basiliscos e Manticoras invadem a cidade. Elas surgem através de portais que se abrem de maneira inesperada, ligando o mundo ao “lado infestado” e caberá a Finn proteger os moradores dos ataques desses monstros. Ser um caçador de lendas é um legado passado de geração em geração, o que não deixa nenhuma escolha ao menino.
Finn tem 12 anos e vem sendo seriamente treinado por seu pai. A Conclusão (rito de passagem que o transformará em caçador) ocorre aos 13 anos. O garoto até tenta cumprir com seu dever se dedicando como pode ao treinamento, mas não costuma se sair bem e seus fracassos o deixam ainda mais desmotivado.
A verdade é que ele não tem o menor interesse em dar continuidade ao legado da família e adoraria poder escolher seu próprio caminho. A narração é feita em terceira pessoa, os capítulos são curtos e cheios de diálogos e há muitas ilustrações deixando a história ainda mais interessante.
Cada desenho, detalhe de letra, página imitando “O Guia dos Caçadores” dão um ar lúdico e chamativo a obra. Finn está no centro de tudo, mas os personagens secundários também são bem legais. Achei que história, personagens e ambientação se encaixaram muito bem. Aventura, perigo, fantasia… Ingredientes que acredito irão despertar o interesse do público infantojuvenil.
Lendo cheguei a sentir pena do personagem Finn. O protagonista vive um grande dilema. Toda a pressão para se tornar um caçador de lendas o deixa sempre dividido entre atender ao desejo do pai ou fazer o que realmente quer. Percebi o quanto ele não podia e não conseguia ser ele mesmo. Desejei muito que o menino conseguisse se sair bem nessa situação.
Considero uma boa leitura para quem gosta de infantojuvenis ilustrados, com uma pitada de ação. Ler é embarcar na fantasia e ver os confrontos caçadores x lendas. Há um pequeno mistério na trama que gira em torno de uma profecia, mas o desfecho não é conclusivo, visto que a história termina em aberto e nós ansiosos temos que lidar com a aflição de uma última página dizendo: Continua.
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Essa matéria foi escrita por  Nathalia enquanto ainda era colunista do Coisas de Mineira 
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Título: Darkmouth
Autor: Shane Hegarty
Ano: 2017
Páginas: 336
Editora: Novo Conceito
Selo: #Irado
Genêro: Aventura, Fantasia, Ficção, Horror, Infantojuvenil