A história de “ATÔMICA: A CIDADE MAIS FRIA” se passa próximo a queda do muro de Berlim, no cenário em que a Guerra Fria estava num ponto decisivo: ou acabava ou definitivamente se tornava a Terceira Guerra Mundial. Uma agente secreta do governo britânico é mandada para investigar a morte de um outro agente e o suposto sumiço de uma lista com nome de todos os agentes secretos ativos em Berlim, em uma cidade onde ela nunca havia ido e  em um cenário da qual ela nunca participou, onde amigos e inimigos são quase impossíveis de se distinguir.

As duas Berlim, tanto ocidental quanto a oriental, estavam em ponto de ebulição clamando pela liberdade, criando cada uma sua própria maneira, uma contra-cultura dos valores impostos pelos governos vigentes. Ruas cheias de protestos, onde qualquer um pode ser um espião duplo ou até mesmo triplo e informações valem mais do que a própria vida dos envolvidos. Inglês, russos, alemães, franceses e americanos, todos em busca da tal lista, em um jogo de gato e rato em que não há heróis e nem vilões. Berlim se mostra um cenário perfeito para um jogo de intrigas e espionagens.

“ATÔMICA: A CIDADE MAIS FRIA” tem um clima de espionagem bem anos 70 que dita o tom da trama, onde ninguém é o que parece ser e todos tem um segundo interesse. A agente do MI6 tem que tomar sua próprias decisões e seguir seus instintos para sobreviver nesse cenário.

Salta aos olhos a arte em preto e branco que dá o tom certo a Berlim, uma cidade fria e sem detalhes, onde só a ausência do certo ou errado é notada.  Bem escrita, com ritmo lento (mas perfeito para a trama que esta sendo contada) e desenhada em preto e branco, ela reforça o clima noir. A arte simples, porém marcante, do ilustrador Sam Hart, é perfeita para história pois complementa e não ofusca o argumento do escritor.

A grande sacada do ilustrador é o fato de não ter detalhes que tirem sua atenção da trama principal, como por exemplo o fato da grande parte dos coadjuvantes da obra não ter o rosto desenhado. Por outro lado, o ilustrador representa bem a aparência frágil da espiã “Lorraine Broughton” que tem como características a inteligência, sagacidade e ser de poucas palavras, o que mostra que ela tem o perfil exato para a missão

Como um leitor experiente e acostumado com a trama de super-heróis, em maioria norte-americanos, senti falta de ação nessa história. Mas acredito que a DarksideBooks acertou em trazer este novo estilo literário para os quadrinhos nacionais. Com arte e argumentos bem diferentes do usual, a graphic novel em capa dura e do tamanho de um livro facilita a leitura. Por ser um estilo diferente, que não estou acostumado, demorei algumas páginas para entrar no clima da história, mas, após esse começo, absorver os fatos foi natural.

Essa resenha foi feita por Hugo Pimenta, meu irmão, colecionador de quadrinhos a 30 anos. 

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Título: Atômica
Autores: Antony Johnston e Sam Hart
Tradutor: Érico Assis  
Editora: DarkSide® 
Edição: 1a
Especificações: 176 páginas, capa dura
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