Há algum tempo vinha namorando um livro da Editora Record, que pode até não ter um estilo que tenho o costume de ler, mas que a história me interessava bastante. Apesar de não ler muitas publicações desta temática, sou uma viciada em filmes e séries que tenham um roteiro parecido. Aliás, recentemente a obra foi adaptada para o cinema com um filme homônimo. Hoje a resenha é de “12 Heróis”, do jornalista Doug Stanton.

Na história, logo após o atentado de 11 de setembro, membros da Força Especial dos Estados Unidos se colocaram de prontidão para o que o governo necessitasse. As equipes da Força Especial eram divididas em grupos de doze soldados, após o atentado às torres gêmeas, algumas equipes foram enviadas ao Afeganistão com o intuito de ajudar os afegãos com a guerra.

Os soldados das forças especiais eram treinados para o combate e para ajudar os locais que eram enviados a se “reerguer” após as lutas, com engenheiros e médicos na equipe. Depois de uma campanha que até então vinha sendo bem sucedida, a rendição de seiscentos soldados talibãs provocou uma reviravolta no jogo, quando estes se revoltaram e emboscaram os americanos.

 

“Esta era a regra número um das Forças Especiais: deixar os homens fracassarem para que nunca mais fracassassem novamente. Fracassando, eles aprenderão a ser soldados bem-sucedidos. Dean acreditava de fato que não havia algo que não pudesse melhorar, sobretudo ele próprio.”

 

Eu estava bem ansiosa para ler esse livro, e fiquei feliz quando finalizei e não me decepcionei com a história, apesar de ter algumas coisas que eu gostaria de mudar na diagramação (o que falarei mais para frente). Narrado em terceira pessoa, e a partir do ponto de vista de vários personagens: dos soldados, dos familiares que ficaram nos Estados Unidos, dos chefes de guerra do Afeganistão, e até mesmo do ponto de vista de um Talibã. Isso foi uma coisa que me deixou muito intrigada durante a leitura, a forma como o autor conseguiu captar tantos pontos de vista, intriga essa, que mais para frente foi esclarecida.

“Mark embarcou no ônibus e seguiu para o campo de pouso, onde está o C-17 resmungando para partir na pista de decolagem. Depois de menos de seis semanas de preparação, ele e o restante do Quinto Grupo estavam prontos para destruir um país.” 

Uma coisa interessante na história foi a ordem cronológica que Stanton resolveu colocar no livro. O prólogo começa bem depois do 11 de setembro, na rebelião em que os americanos ficaram emboscados. Logo depois, a primeira parte volta no tempo para o 11 de setembro, contando o caminho que foi percorrido até aquela rebelião do prólogo. Isso fez com que o início do livro ficasse agitado, dando um gostinho de quero mais para o leitor. Outra coisa que fez com ele não acabasse sendo uma leitura desgastante, foi a constante mudança de ponto de vista.

A leitura não foi muito fácil, talvez isso tenha acontecido porque ele não é dividido em capítulos, e sim em cinco partes. Uma coisa que não gostei na diagramação é que no meio da terceira parte (a mais extensa de todas) possui algumas páginas com folhas brancas, mais grossas e com várias fotos que foram tiradas na época da campanha dos soldados. O que me incomodou não foi o fato de cortar a parte três no meio, e sim de cortar uma frase também. A capa da publicação é a mesma foto do pôster do filme, e percebi que na reedição americana, ela também foi utilizada, assim como o nome do livro passou de “Horse Soldiers” para “12 Strong”.

Outro ponto interessante em “12 Heróis” é o fato de que nos agradecimentos, Doug Stanton, ao mesmo tempo em que agradece as colaborações explica como foi todo o trabalho de coleta de informações e as dificuldades que teve de encontrar os “soldados silenciosos”. Stanton é jornalista, palestrante, roteirista e autor de best-sellers. Graduado pela Interlochen Arts Academy, em Michigan, e pela Hampshire College, em Massachusets, Doug é colaborador de publicações como The New York Times, Book Review, Time, Washington Post e Men’s Journal. Além de “12 Heróis”, o autor publicou também “The Odyssey of Echo Company” e “In Harm’s Way”, este último se tornou leitura obrigatória para os oficiais da Marinha dos Estados Unidos, e seu audiolivro foi vencedor do Audie Award 2017, na categoria história.

“De acordo com a crença daquele soldados, que Mitchell estudara, se um afegão matasse um homem de propósito – ou seja, se deliberadamente mirasse e atingisse alguém -, a alma do morto se tornaria uma responsabilidade sua. Por outro lado, se o homem fosse atingido acidentalmente – por uma bala perdida disparada de qualquer jeito -, então ele morria por vontade de Deus. Mitchell esperava que Deus estivesse olhando para baixo e incentivando os combatentes da Aliança.”

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Título: 12 Heróis
Autor: Doug Stanton
Ano: 2018
Páginas: 490
Editora: Record
Gênero: História, Não Ficção 
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