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OS DOIS MORREM NO FINAL – ADAM SILVERA | RESENHA

27 setembro, 2021 por

Os Dois Morrem no Final é o aguardado livro do autor Adam Silvera, coautor de E se fosse a gente?, escrito em parceria com a querida Becky Albertalli, que chega pela Intrínseca agora no mês de Outubro.

Título: Os Dois Morrem no Final
Autor: (Adam Silvera)  Tradução: (Vitor Martins)
Ano: 2021  –   Páginas: 384
Editora: Intrínseca
Gênero: Jovem Adulto/LGBTQ+
Gatilhos: Violência, conteúdo sexual, palavrões
Classificação indicativa: +16 anos
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O livro tem uma premissa interessante: o que você faria se soubesse a data da sua morte? Nesse mundo, há um sistema chamado Central da Morte, que liga logo após a meia noite, informando que a pessoa tem no máximo mais 24 horas de vida. Com o objetivo claro de dar uma oportunidade para que resolvam suas questões, essas chamadas, no entanto, sempre pegam a pessoa desprevenida – acima de tudo quando se está apenas começando a vida.

Mateo e Rufus são dois jovens que não se conhecem, mas que recebem a ligação da Central da morte no mesmo dia: 05 de setembro. Eles não sabem onde nem como, só sabem que vai acontecer. E agora? O que fazer com o tempo que lhes resta? Com vidas completamente diferentes, a sensação é a mesma, um sentimento de que se é jovem demais.

“A morte é inevitável para todo mundo e, hoje, é uma certeza para mim.”

Mateo vive com seu pai, que se encontra em coma no hospital. A mãe morreu no parto, e ele é um garoto introspectivo, que nunca ousou muito, e que sabe que tem muitas facetas a apresentar ao mundo. Mas, vive com medo das pessoas, da morte, até que se vê acuado pela ligação.

Rufus vive em um Orfanato, pois acabou de perder pai, mãe e irmã num acidente – todos receberam a ligação no mesmo dia, e ele sem sente excluído, e ao mesmo tempo, zangado porque acha que sua família nem tentou lutar contra esse desfecho! Vive com os guardiões, junto de mais dois órfãos, que se tornam verdadeiros irmãos.

Mas esse mundo também tem uma invenção que pretende ajudar os ‘terminantes’, ou seja, quem tem as horas contadas: um aplicativo com o sugestivo nove de Último Amigo, com a finalidade de unir pessoas, sejam elas terminantes ou simplesmente solidárias. Mateo e Rufus buscam um último amigo e, após encontrar pessoas bem esquisitas, se esbarram. Rufus, com seu jeito despojado, resolve mostrar o mundo para o acanhado Mateo, e os dois decidem arriscar tudo, vivendo suas últimas 24 horas juntos!

“Como me recusei a viver invencivelmente todos aqueles dias em que não recebi o alerta, desperdicei todos os meus ontens, e agora já não me resta nenhum amanhã.”

OS DOIS MORREM NO FINAL – ADAM SILVERA

Os dois morrem no final... é um título que parece um baita spoiler, e por isso mesmo pega a gente logo de cara. Confesso que iniciei o livro já esperando a reviravolta, porque não seria possível… ou seria? Passado o primeiro susto, conhecer Mateo e Rufus foi uma das coisas mais deliciosas que me aconteceu esse ano – li em apenas um dia! Obrigada, Intrínseca, pela prova antecipada, e por me deixar destruída, e amando, e feliz, e triste! Tudo ao mesmo tempo.

Mateo é um jovem de 18 anos que passou a vida se reprimindo, e, apesar de ser cômodo se refugiar em seu último dia, entende que é a última chance de se conhecer… Rufus é um cara de 17 anos, lindo, negro, bissexual, amargurado por perder a família, mas que quer viver até seu último minuto intensamente. É um encontro de mundos que se colide e que se acolhe. O que teria sido desses dois sem essa ligação da Central da Morte?

Ao mesmo tempo, há uma beleza na libertação que o título nos traz, porque sabemos que no final, a morte espera por todos nós. A forma de conduzir esse ‘último dia’ é que faz toda a diferença. Daí a beleza de encontrar um garoto todo paixão, e outro todo recolhimento. As discussões que permeiam as últimas vinte e quatro horas são questões existenciais, aquela necessidade de acreditar em vida após a morte, o medo pelo desconhecido, a necessidade de viver tudo com uma urgência que não cabe mais.

“Não importa quando, todos nós encontramos nosso fim. Ninguém continua vivendo para sempre, mas o que deixamos para trás nos mantém vivos para outras pessoas.”

OS DOIS MORREM NO FINAL sinopse

Os Dois Morrem no Final nos traz as últimas 24 horas de Mateo e Rufus, mas o autor ainda traz mais personagens que vão se cruzar – mesmo que seja um encontrão ao sair do metrô, e cujas estórias acabam contribuindo um pouco com as dos outros. Como se nossas vidas estivessem emaranhadas de tal forma, que um bater de asas cause uma explosão! E isso vale para os funcionários da Central da Morte, ao Terminantes, amigos, familiares, completos desconhecidos.

Li, desejando que Mateo e Rufus vivessem para sempre, mas o que tornou esses dois tão especiais talvez tenha sido justamente saber que essa estória teria um fim. Eles criaram memórias, sobre esse último dia e sobre eles mesmos, e é assim que a gente sabe que vive para sempre: quando alguém se lembra de nós.

Os dois morrem no final fala de pertencimento, de família, libertação, legado, aceitação. É entender que algumas coisas são inevitáveis, e não adianta lutar contra o inevitável. Que pode parecer clichê, mas é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar para pensar, na verdade não há!

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