Quem não tem, nunca teve e quer saber qual é o sentimento de ter um amigo verdadeiro? “O Melhor Está Por Vir”, longa com Patrick Bruel e Fabrice Luchini é uma comédia dramática que se aprofunda na amizade entre Arthur (Fabrice Luchini) e César (Patrick Bruel).

Tudo começa quando os companheiros de longa data, veem suas vidas virar de cabeça para baixo quando descobrem que um dos amigos está com câncer. O mal-entendido entre eles é o artifício que permeia toda a trama. E, embora assuntos sérios como doença e morte possam causar desconforto, é possível observar a leveza e a descontração ao abordar a fragilidade da vida.

Numa época individualista e de amigos virtuais de ocasião, o filme mostra a boa e velha amizade, daquelas que une pessoas (na alegria, na tolice e na tristeza) por décadas e sem qualquer explicação lógica (além do acaso do primeiro encontro) e como tudo isso vale ouro, principalmente nas horas mais frágeis de cada um.

Não há fronteira familiar que barre a amizade verdadeira. Na trama, vemos o personagem de César solar e energético, determinado a compartilhar momentos mágicos com aquele que ele acredita estar condenado a morte e Arthur apático e preso em suas neuroses. Em certo momento ambos vivem a saga em busca de momentos inesquecíveis do passado e procurando realizar alguns sonhos/desejos impossíveis…, um tentando amenizar a dor do outro.

 

O filme “O Melhor Está Por Vir” do Matthieu Delaporte e Alexandre De La Patellière conta (sem enrolação) a história que se propuseram a narrar. Mesmo com os clichês de praxe tem uma trilha instrumental inconveniente,que certamente, há de emocionar boa parte do público. O roteiro é clássico e planta com inteligência algumas dúvidas nas certezas do espectador.

Nem sempre o humor francês faz sentido, mas isso é mero detalhe. A imersão no tema (câncer) não é novidade no cinema, porém Delaporte e De La Patellière, não parecem preocupados com o ineditismo do tema. Estão mais interessados em contar uma boa e melodramática história, sobre o valor da amizade, do amor, da solidariedade, em cujo entrelinhado aparece a doença terminal.