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O MELHOR DOS IMPREVISTOS – MARINA CARVALHO | RESENHA

11 outubro, 2021 por

O Melhor dos Imprevistos é o novo lançamento de Marina Carvalho, autora de Um Dorama para Chamar de Meu, que acabou de ser lançado pela Astral Cultural.

Título: O Melhor dos Imprevistos
Autora: Marina Carvalho
Ano: 2021
Páginas: 272
Editora: Astral Cultural
Classificação indicativa: +16 anos
Aviso de conteúdo: gravidez inesperada.
Nota: 4/5
Gênero: Romance Contemporâneo
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Elza é uma estudante de medicina que acaba de se formar. Depois de anos se dedicando ao curso, está de férias com sua turma, comemorando a formatura na paradisíaca Paraty. Além da turma, tem bem próximo seus quatro melhores amigos: Lucas, Juliano, Vicente e Benjamim – todos muito diferentes entre si, mas que forjaram um laço muito forte durante a graduação.

Em uma das noites, eles estão em um barzinho, onde um grupo de rock se apresenta, e ela se encanta pelo baterista – talvez por lembrar seu crush da adolescência, o saudoso Heath Leadger. Olhares são trocados, e o que se faz depois de passar anos se dedicando aos estudos? Se jogar numa aventura…

“Eu olhei para ele, ele olhou para mim, assim, ao mesmo tempo. Não dá para prever quando nossos olhos encontrarão os de outra pessoa e isso mudará o rumo das coisas.”

O Melhor dos Imprevistos - Marina Carvalho

Acontece que a vida sempre nos reserva surpresas, e a primeira espera por Elza no casamento da prima, que se passa um dia depois da viagem a Paraty: ela vai se encontrar com Felipe, o baterista que resolveu fazer da aventura com Elza, sua despedida de solteiro… ele pede desesperado que ela não conte nada para a prima, e Elza entende que o dia do casamento não é melhor momento para contar que o futuro marido é um cafajeste.

Mas, poucos meses depois do evento, mas um imprevisto bate às portas de Elza, na forma de dois pontinhos num teste de gravidez… ainda bem que seus quatro amigos estão com ela o tempo todo, acalentando e dando forças, e ela decide que sua filha será uma produção independente: conta aos pais, mas não conta quem é o pai.

Ela se joga no trabalho – faz residência, e sete anos se passam. Os amigos viraram os tios de Giovana, e a menina cresce feliz, cercada de carinho, mas longe da família de Elza – ela se afasta para não ter de encontrar Felipe e sua esposa, Gabriela.

“A vida não castiga as pessoas à proporção dos erros que elas cometem. Essa tal justiça invisível, entre aspas, é um consolo que usamos para que nos sintamos confortáveis.”

Entretanto, mais uma surpresa está guardada para Elza… há um novo diretor na escola onde Giovana estuda, e na reunião de apresentação, Elza se depara com Felipe! Será que ela terá forças para evitar a verdade? Até onde é permitido – do ponto de vista moral, esconder a identidade do pai para sua filha? O que será que Felipe vai achar ao descobrir que tem uma filha de 7 anos? Muitos dilemas – essa é a vida real, não é mesmo?

Olha, eu confesso que a sinopse do livro me pegou: parecia um novelão, daqueles com muito drama e um final bem clichê – que é bom, admito que gosto muito deles. Mas… a Marina resolveu que podia entregar mais.

Primeiro, bora falar da trama… minha mãe sempre me diz que mentira tem pernas curtas, ou que manter uma mentira tem um gasto incrível de energia. Elza se afasta da família, para não prejudicar o casamento da prima, mas esse custo compensa? Mentiras são armadilhas que criamos, e um dia essa conta vem… Elza errou, tentando acertar, mas vai descobrir que as consequências podem ser mais prejudiciais. Foi bom ver como a autora conduziu todo esse imbróglio.

“A verdade é que, quando escondemos um segredo, pode ser até mesmo uma coisa à toa, qualquer ventinho se transforma em vendaval.”

Os amigos da Elza são uma delícia à parte. Queria quatro amigos tão fiéis como eles, daqueles grupos que a gente encontra na escola e leva para a vida. Além disso, mesmo após anos, muitos segredos vão caindo, e muita discussão acontece quando eles se permitem conhecer por inteiro! E é quando a diversidade e a representatividade tomam forma: temos um personagem negro, um homossexual e um bissexual. De uma forma simples, um dos personagens coloca à mesa o porquê a orientação sexual de alguém tem de ser pauta de discussão.

Outro recurso empregado em O Melhor dos Imprevistos que eu amei foi o Recuo da bateria… um personagem tem sentimentos confusos, e para não estragar o mistério, a Marina resolve chamá-lo de Recuo da bateria! Sensacional, passei boa parte do livro especulando quem seria esse personagem. Além do romance, tem mistério também.

O Melhor dos Imprevistos trouxe a ambientação em terras mineiras! Encontrar as ruas de Belzonte, o nosso Parque Municipal – é o nosso Central Park, guardada as devidas proporções(!), encontrar nosso café da manhã… quem nunca se encantou pelas quitandas mineiras? É um charme a mais e um carinho para nossas montanhas.

Também me identifiquei com a Elza: ela sempre tem seu nome vinculado à cantora Elza Soares – uma grande homenagem, mas diz que não foi essa a inspiração. Eu passo pelas mesmas justificativas, meu pai diz que não se inspirou na cantora Maysa Matarazzo para me nomear, mas…

Sou fã do nosso amado samba, e passei o livro todo cantando muitas das músicas que entremeiam a narrativa: Elza e os quatro amigos, para distrair a correria da graduação, montam um grupo com um nome nem um pouco criativo: Fundo de hospital. Por isso, muitas situações são complementadas belamente por trechos de músicas, principalmente por samba. Cantei muito – olha aí a inspiração musical resvalando no nome…

Com uma escrita fluida, O Melhor dos Imprevistos é uma recomendação leve e fofa, que coloca em pauta discussões importantes, e que deixa a gente com o coração leve e feliz. Aponta como as mentiras podem virar uma bola de neve, traz a família como um ponto de apoio, ainda que nem sempre perfeita, e que os amigos verdadeiros devem mesmo ser levados para a vida. Ainda, que o amor pode estar ao nosso lado, e que dar uma chance para o desconhecido pode trazer boas surpresas!

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