O Mal Nosso de Cada Dia foi um dos lançamentos da editora DarkSide Books que eu estive mais insana para colocar minhas mãos sobre ele. Foi tipo: anunciaram, eu comprei na pré-venda, a Giovanna já me convidou para uma Leitura Coletiva, a gente ficou esperando todos receberem o livro, e pronto! Foi uma leitura SENSACIONAL. Já falo desde o primeiro parágrafo que eu atribuí a maior nota para esse livro, e o favoritei para a vida.

E sobre o que O Mal Nosso de Cada Dia fala? Em primeiro lugar, saiba que “se espremer, sai sangue”. Sim, o nível de violência e sanguinolência é extremo. Você vai se dando conta de que não há para onde correr, todos temos nossas lutas diárias. Às vezes, parafraseando o mestre King, os monstros vencem. E nesse clima bem realista, quero falar um pouco sobre a história propriamente dita, e minha experiência com ela.

As coisas acontecem nas terras da Virgínia Ocidental, bem como no sul de Ohio, num cenário aterrador pós Segunda Guerra Mundial. Iremos acompanhar a história de diversos personagens. Muitos mesmo, e se você achar melhor, já vá selecionando post it, ou anotando quem é quem.

Algumas pessoas têm mais dificuldade de assimilar tanta gente em um livro só. O enredo no início do livro é bastante esparso, não confundindo o nicho de cada personagem, e isso me ajudou a me situar na narrativa. Gostei muito da divisão de capítulos.

“Ando muito ocupado correndo atrás de gente que não presta.”

DARKSIDE BOOKS

Não temos noção dos motivos de Pollock vir nos entregar um romance tão empapado de sangue, vingança, dor e tristeza. Mas, a impressão que tive, é que o autor quis mostrar a vida como ela é. Não de forma fantasiosa, porém daquela forma que nos escancara que, se algo de ruim tiver que acontecer, VAI acontecer.

Bem realístico, porém desolador. No entanto, extremamente viciante. Saiba você que Knockemstiff realmente existe – eu pensei que era fictícia. E pelo que andei lendo, o autor tem uma estrita relação com esse local. Ele é natural de Ohio e escreveu uma coleção de contos a respeito de suas experiências em Knockemstiff.

Temos nessa obra uma forte ligação com a religiosidade do homem em sua busca incessante para alcançar o sagrado. O Cristo Crucificado não atende mais as orações do seu povo? Ou será que sente falta dos sacrifícios em seu nome? Por causa da religião e de uma fé cega, algumas das personagens tornam-se inconsequentes, incongruentes, desajustadas, abusadas (física e psicologicamente), expostas ao ridículo, corruptas, e até levam uma vida criminosa. Onde está Deus?

“Quando você se apressa, é aí que comete algum erro.”

Então, estou aqui e agora, rodeando tudo o que li (e nem sei se já digeri completamente), e percebendo o quanto eu queria poder sair falando com você TUDO sobre esse livro. Contudo, muito controlada que sou, não quero deixar você saber demais, para que possa se jogar de corpo e alma sem aviso prévio. Quer dizer… Você já está sabendo mais do que eu quando peguei essa maravilhosa edição em minhas mãos.

Sorte que eu sou “dessas”! Gosto do grotesco na literatura. O abominável me atrai. E eu gosto de descobrir que o mal não escolhe uma pessoa ou outra. Ele está aí fora. A gente que precisa se cuidar, olhar para os dois lados antes de sair de casa, e não falar com estranhos. Tipo isso!

O Mal Nosso de Cada Dia nos apresenta Willard Russell. Ele está retornando da Guerra, onde teve uma experiência bastante traumática. Sua mente não o deixa esquecer aquela cena, onde ele vive a remoer este acontecimento. Nesse retorno para sua casa, em uma parada do ônibus, ele “conhece” uma garçonete, e se apaixona loucamente pela moça.

Chega à sua casa, abraça sua mãe, seu tio, e declara que quer casar com tal garçonete. E o detalhe, é que nem o nome dela ele sabe… Mas, foi dessa união Willard/Charlotte, que nascerá nosso protagonista (bom, pra mim ele é!) Arvin Russell.

“Pistolas não foram feitas pra caçar. Elas servem pra matar gente.”

DONALD RAY POLLOCK

Arvin é um garoto que cresce meio que isolado. Os pais moram em um local afastado, e ele é o único garoto do ônibus escolar que não é parente de alguém. Ele vive algumas situações marcantes em companhia do seu pai, e esses ensinamentos do estilo “faça o que eu faço”, ficaram marcados para sempre na sua psique. Ao se tornar adolescente, O jovem é do tipo que aprendeu a esperar o momento certo de agir. E ele tem um gostinho especial em se vingar de quem o provocou ou ofendeu alguém que ele considere muito.

Eu disse que temos vários integrantes importantes na construção do livro. Só que não vou falar sobre cada. Essa parte vou deixar como que encoberta para que assim, quem sabe, sua curiosidade em saber quem mais paga seus pecados em Terra, se aguce.

Tenho certeza que se você é do tipo de leitor que curte esse gênero de leitura e o tipo de escrita, certamente não se arrependerá dessa aquisição. Creio que foi das minhas melhores leituras do ano. E acho que é porque não tenho medo de olhar pra dentro de um abismo, e ele me olhar de volta…

Li que o trabalho de Pollock em O Mal Nosso de Cada Dia é belo e duro. Ao mesmo tempo em que as personagens seguem vivendo, buscando aguentar mais um dia, confiando no cuidado divino e na provisão do Pai… Elas também caem em desespero, em desgraça, em desesperança, e num medo fátuo de perecer sem estar em paz com o Salvador. A lógica é clara, as cenas narradas são vívidas, e a gente se pega no meio disso tudo ansiosos e desbaratinados, a mera menção do que ainda poderá acontecer de pior.

“Vó, tem um monte de filhosdumaputa que não prestam por aí.”

 

DONALD RAY POLLOCK

A certeza que temos é que não há tempo para remissão. Ninguém poderá ser salvo do fim ao qual está destinado. Conforme a história vai convergindo para o fim, os caminhos vão sendo entrecruzados, e o tempo vai ficando mais nublado. Personagens que nos dão a impressão de estarem sempre sujos, impuros, e suados, caminham como ovelhas destinadas ao matadouro, para enfrentarem o supremo juiz. Seu nome é Donald Ray Pollock.

O livro supracitado conta com uma adaptação que estreou no dia 16 de setembro, no serviço de streaming Netflix. Com um elenco estrelado, O Diabo de Cada Dia consegue passar pelos pontos principais do livro, com uma história coesa e intrigante. A escolha do elenco foi com precisão cirúrgica, e eu já estou pronta para assistir novamente esse filmão. Mas, isso… Ah! Isso é assunto para outro post..

“E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo.” – 1 João 4:3

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Darkside Books

O Mal Nosso de Cada Dia
Autor: Donald Ray Pollock
Ano: 2020
Páginas: 304
Idioma: português
Editora: DarkSide Books
Gêneros: Crime, Ficção, Literatura Estrangeira, Suspense e Mistério
Onde comprar: AMAZON
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