O Instituto foi minha última leitura do “mestre do horror”. Como fã confessa, eu leio pelo menos 1 livro do King por mês. E além de ter lido ele, também finalizei a leitura de Love: A História de Lisey.

Eu gosto muito de ter a oportunidade de ler livros ambientados em décadas diferentes, e perceber a sempre versátil arte da escrita de Stephen King. Isso realmente ainda me surpreende, mesmo após estar quase chegando ao meu 60º livro lido dele. E confesso que não é a toa que ele continua sendo o meu preferido.

Em O Instituto conhecemos logo na primeira página, Tim Jamieson, um ex-policial que segue em busca de uma oportunidade de trabalhar como Segurança, em Nova Iorque. Porém, após uma negociação antes de seu voo sair, e parte por uma impulsividade, Tim não segue direto para NY.

Ele começa um trajeto através de caronas rumando para Carolina do Sul, até chegar a uma cidadezinha – daquelas famosas cidades localizadas no meio do nada. Ali ele conseguiu um emprego de vigia noturno e acaba se estabelecendo por lá até Deus sabe quando. Ele conquista aos poucos a confiança do xerife também.

“Eles entendem de cultura tanto quanto um jumento entende de álgebra.”

DuPray é uma cidade minúscula, daquele tipo que todos se conhecem, todo mundo sabe sobre a vida de todos, e qualquer intruso ou forasteiro logo será detectado. E ficamos buscando entender, através da sinopse e do que ouvimos falar que O Instituto se tratava, o porquê de conhecermos Tim.

Qual o significado dessa parte da história, e porque logo em seguida ele simplesmente some das páginas… Isso é King pregando mais uma de suas peças. Construindo uma história por trás de uma história. E só nos basta acompanhar, ansiosos pelas arestas serem aparadas e que a grande compreensão nos ilumine.

Ah, ressalto aqui que esse livro trata do pior tipo de terror – que quando King escreve, eu estremeço. E esse mal é sobre o ser humano. Não gosto de ser confrontada com nossa grande e possível capacidade para praticar o mal.

“Os Estados Unidos ainda eram um bom lugar, por mais que alguns (inclusive ele mesmo, de vez em quando) pudessem discordar.”

 

Inesperadamente, pelo decorrer do enredo, conheceremos a história de vida de Luke Ellis, o menino gênio, com um cérebro impressionável, e de apenas 12 anos. Nunca foi segredo que King curte crianças com poderes especiais – iluminados? – ao longo de suas obras. Podemos passar pela adolescente Carrie White, indo a Danny Torrance, por Charlie McGee, e por aí vai, chegando a Duddits (O Apanhador de Sonhos, um tanto esquecido, claro). Essa lista de nomes poderia crescer muito!

Além de um QI muito alto, Luke possui alguns traços leves de telecinesia (TC). Ele e sua família estão se preparando para se mudar para Boston, onde Luke irá frequentar a MIT – Massachusetts Institute of Technology. Entretanto, no meio da noite sua casa é invadida por pessoas estranhas e letais (agentes?). Luke é sequestrado, o pior pode ter acontecido a seus pais, ainda que o menino não saiba de nada, não tenha entendido nada.

Ao mesmo tempo em que Luke acorda em um quarto decorado exatamente como o seu, ele percebe que a porta se abre para um corredor com pôsteres de crianças brincando e mensagens motivacionais.  Logo conhecerá e fará amizade com Kalisha, e será introduzido aos mistérios do lugar onde agora se encontra: O Instituto. Kalisha o ajuda a entender algumas coisas sobre o lugar. Ensina a Ellis como se portar de maneira menos prejudicial a ele próprio, bem como o apresenta aos demais “detentos” ou sequestrados. Todos são crianças.

“A maior parte da ação desse romance ocorre no Instituto (do título do livro), uma instalação ultrassecreta administrada por agentes obscuros cuja tarefa é proteger o futuro da humanidade prevendo vetores de conflito antes que eles se materializem.” ~ Nina Allan (em tradução livre)

O INSTITUTO - STEPHEN KING

 

“(…) estavam de mãos dadas, segurando bonecas idênticas, como elas. Fizeram Luke pensar nas gêmeas de um filme antigo de terror”.”

Nesse local as crianças são testadas, vacinadas e torturadas. Tudo para apurar ou descartar as capacidades de telepatia (TP) e telecinesia deles. Existem testes doloridos, testes humilhantes e testes mortais. Mas, os adultos não se importam com as crianças ou ao mal que lhes estão acometendo. Tudo por um bem maior! O que interessa é o serviço que “estamos” prestando à pátria e ao mundo.

Como uma espécie de compensação, ou mais ‘behavioristamente‘ falando, como forma de reforço positivo, se as crianças se comportam durante os testes, elas recebem fichas que podem ser usadas em máquinas que lhes proporcionam cigarros, bebidas alcoólicas, e guloseimas variadas. E quando elas não se comportam, o reforço negativo, e posteriormente a punição é geralmente algo muito severo.

Contudo, o pessoal de O Instituto não contava em receber uma criança tão inteligente quanto Luke, ou tão “poderosa” quanto Avery, que vocês conhecerão ao decorrer das páginas. E juntos, esses amigos irão descobrir que as chances de serem devolvidos a seus pais ao fim dessas experiências é praticamente nulo. Dando assim início a um grande plano de fuga, resgate e quem sabe, destruição.

“Grandes eventos se apoiam em pequenos suportes.”

O INSTITUTO - STEPHEN KING

Mais uma vez King coloca alguém sem qualquer probabilidade de êxito, quando analisamos com um olhar crítico ferrenho, para desbravar o mundo atrás de justiça. Gostei muito de ter entrado – mais ou menos – na mente de uma criança superdotada. E ver como mesmo sendo muito inteligente, dotado de diversos tipos de conhecimentos, ele ainda é somente uma criança.

Alguns funcionários dedicados de O Instituto acreditam que qualquer pessoa que conheça a fundo o propósito do funcionamento do local, assim como a necessidade da realização desses experimentos, não poderiam condená-los ou considerá-los monstruosos. Um mal necessário? Mas, mesmo que abusando, destruindo, torturando e matando crianças? Qual a crítica mais profunda King quis nos alertar aqui?

Finalizando, acredito que um livro que poderia ser considerado mais próximo de A Incendiária do que qualquer outro terror que King tenha nos entregado ao longo de sua carreira, no fim, é sim uma obra de terror atual. Aquilo que comentei anteriormente e que não sai da minha mente. Pois é o que mais me assusta. O que o ser humano é capaz de fazer ao próximo, se suas justificativas amenizam sua consciência?

“SE VOCÊ PENSOU QUE A MACONHA FOSSE PERMITIDA NA CAROLINA DO SUL, PENSOU ERRADO.

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Autor: Stephen King
Ano: 2019
Páginas: 544
Gêneros: Ficção / Literatura Estrangeira / Terror
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