O Clube do Crime das Quintas feiras é o primeiro livro do autor Richard Osman, e que já teve os direitos de adaptação comprados, tendo Steven Spielberg como produtor, sendo publicado no Brasil pela editora Intrínseca.

Coopers Chase é um retiro para pessoas na melhor idade – e aqui eles levam esse assunto de forma literal. Bom, ao menos Elizabeth, Joyce, Ibrahim e Ron, que resolveram transformar o grupo de discussão de Ópera Japonesa – é o que consta na agenda da sala de reunião, em O Clube do Crime das Quintas-Feiras.

O Clube foi criado por Elizabeth e Penny, uma inspetora aposentada da polícia de Kent e que levava as pastas com os casos não resolvidos de assassinato. Depois que Penny sofreu alguns derrames, Ibrahim e Ron se juntaram ao grupo, e a última a chegar foi Joyce, por conta de sua experiência enquanto enfermeira.

“Hoje o Clube do Crime das Quintas-Feiras tem um caso no mundo real. Não são apenas páginas amareladas com tipografia borrada de uma outra época. Um caso real, um cadáver real e, em algum lugar à solta, um assassino de verdade.”

O Clube do Crime das Quintas Feiras

O Clube se reúne para espantar o ócio, e a ideia era de revisitar velhos casos. Até que um assassinato ocorre próximo a eles, e evidente que eles se sentem mais empolgados que assustados. Oficialmente, temos os detetives Chris e Donna que, mesmo contrariados, acabam aceitando a ajuda do Clube, uma vez que eles estão sempre um, ou dois, passos à frente da investigação.

A única pista sólida é uma foto ao lado do corpo, onde aparece o homem assassinado, rodeado de alguns rapazes. Ao longo da investigação, ainda precisarão se deparar com a destruição do cemitério – Coopers Chase foi construída sobre um antigo convento, e quando as máquinas escavadeiras chegam ao local, mais um crime é cometido. Imagine a felicidade desse grupo, agora são dois crimes a serem solucionados! Ou será que eles estão interligados?

E quanto mais avançam na investigação, mais segredos são revelados, fazendo o passado se entrelaçar intrinsecamente ao presente, e esse grupo peculiar discute o crime enquanto apreciam uma taça de vinho!

“Matar alguém é fácil. Esconder o corpo é que costuma ser a parte difícil. É assim que você é pego.”

O Clube do Crime das Quintas Feiras – Richard Osman

Esqueça aquela trama pronta em livros de mistério e suspense. Nada acelerado e, mesmo que tenha reviravoltas sensacionais, não se parecem em nada com o tradicional – mesmo porque muitas dessas reviravoltas nem estão ligadas diretamente ao crime. Além disso, esse grupo de aposentados subverte completamente a lógica que aplicamos aos nossos idosos: estão alertas, e querem viver, mesmo porque sabem melhor que ninguém que a vida deve ser plenamente vivida.

Aliás, esse é um dos pontos que mais me encantou: o livro é pontuado pela sabedoria plena que só a idade traz. Os personagens são cativantes, e têm essa bagagem de suas histórias, levando mais gotas de mistério além dos dois assassinatos. Ou seriam 3?

Fato é que esse grupo rouba a cena, e acompanhá-los em busca da solução do crime se torna melhor por causa deles. Mesmo porque estão livres das amarras da lei, e usam de todas as armas ao seu alcance – inclusive a aparente deficiência atribuída à idade, para conseguir o que querem. As conversas, as confusões, típicas da terceira idade, são recursos amplamente utilizados pelo autor. Mesmo que em alguns momentos pareça que a narrativa se prolonga, e que esteja se dispersando, nada mais é como a forma com que esses personagens lidam com suas ‘limitações’. Adorei como cativam os detetives… discussões regadas a chá e bolos, enquanto discutem o crime, e as fofocas do dia.

“Nessa vida precisamos aprender a contar os bons dias. É preciso colocá-los no bolso e levá-los sempre conosco.”

 Richard Osman

O Clube do Crime das Quintas feiras vai pegando a gente devagar, afinal, são muitos personagens, muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, além de um tom diferente: afinal, trata-se de um humor britânico, afiado, mas que achei delicioso. E o autor ainda traz muitas reflexões sobre a velhice, como as gerações mais novas tratam seus idosos, e até o ponto de vista deles em relação à essa situação. Justamente por isso foi tão gostoso ver esses personagens usarem da ilusão de vulnerabilidade para desvendar os crimes.

Mesmo que esse grupo seja maravilhoso, não há um embelezamento da idade. Há muita discussão sobre independência, dignidade e autoconfiança. Se permitir envelhecer com amor-próprio.

Como se trata de um romance policial, voltemos aos crimes: o autor montou um grande quebra-cabeças, que vai se desenrolando aos poucos, com pontos trazidos pelos detetives – bem poucos, e todos os passos do Clube, e como eles são tão mais eficientes! Talvez por isso a obra tenha sido disputada por várias editoras, e bateu recordes de vendas com apenas uma semana após seu lançamento, atingindo a marca de 1 milhão de exemplares vendidos no mundo em seis meses!

“Vários anos atrás, todos acordavam cedo, pois havia muito o que fazer e o dia só tem vinte e quatro horas. Agora acordam cedo pois há muito o que fazer e seus dias estão contados.”

O Clube do Crime das Quintas Feiras – Richard Osman

É uma obra leve, divertida, gostosa de ler, com mais de um mistério, e algumas das resoluções que estavam tão óbvias, que me perguntei como não havia visto antes!? Ou seja, aquele romance policial que cumpre fielmente seus objetivos.

Me encantei por esse grupo, e fiquei muito feliz ao saber que haverá uma continuação prevista para ser lançada em breve, com o título ‘The Man Who Died Twice’, no Brasil ele terá o nome de “O homem que morreu duas vezes” e tem previsão de chegar em setembro.

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livro-O-Clube-do-Crime-das-Quintas-Feiras-–-Richard-OsmanTítulo: O Clube do Crime das Quintas Feiras
Autor: Richard Osman
Tradução: Jaime Biaggio
Ano: 2021
Páginas: 400
Editora: Intrínseca
Gênero: Romance policial
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