Mindhunter Profile: Serial Killers é o último lançamento da editora DarkSide Books, no que compreende a coleção do selo Crime Scene®. Tem como autores o ex-agente do FBI Robert K. Ressler, em parceria com Tom Shachtman, que entre outras profissões, é autor e jornalista. Como uma grande entusiasta do estudo da mente criminosa que sou, venho hoje trazer a resenha a respeito dessa obra, bem como falar sobre minha vivência com o livro nos 3 dias que levei para devorá-lo.

“Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. E se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você. ~ Friedrich Nietzsche”

Em primeira mão, ressalto que você não deve confundir, ou comparar Mindhunter Profile com Mindhunter: O Primeiro Caçador de Serial Killers Americano, esse último publicado pela editora Intrínseca, em 2017. Embora John Douglas apareça em algumas citações em Profile, aqui, em Mindhunter Profile as experiências são contadas pela ótica de Robert K. Ressler. Robert foi o criador do termo Serial Killer (assassino em série), ainda na década de 70. A termologia utilizada até então era Stranger Killer (assassino desconhecido) – numa crença não verdadeira que o assassino nunca conhecia suas vítimas.

Mindhunter

Neste livro você irá encontrar os relatos de Ressler, cheio de fatos, de como eram realizadas as entrevistas com os maiores Serial Killers dos Estados Unidos. Ele registra nesta obra os encontros com Charles Manson, John Wayne Gacy, Ed Kemper, Ted Bundy, entre outros. Minha mente de psicóloga apaixonada pela análise do comportamento e pela construção e desenvolvimento dos perfis psicológicos do sujeito com Transtorno de Personalidade Antissocial quase explode!

Eu, como vocês já sabem, estou passando uma fase de poucas leituras devido os enjoos constantes da minha terceira gravidez. Contudo, eu não conseguia deixar esse livro de lado. Fui devorando em grandes bocados a cada oportunidade que tinha de tê-lo em mãos. Ressalto aqui que Ressler foi recrutado logo no início de sua carreira, para trabalhar com a Unidade de Ciências Comportamentais do FBI, traçando perfis de criminosos violentos. E a partir daí muita coisa mudaria na “caça” aos ditos monstros da vida real, que são os Serial Killers.

“Entre os anos de 1976 e 1979 ele ajudou a organizar as entrevistas de 36 assassinos em série que estavam presos. O objetivo era encontrar traços em comum entre os históricos destes criminosos e os possíveis motivos que os levaram a cometer crimes.

~ DARK BLOG

Fato é que o FBI, surpreendentemente, sabia bem pouco a respeito da mente do criminoso que mata em série. O trabalho de Ressler juntamente com profissionais da Saúde Mental pôde explorar novos vieses dos traços de personalidade desse público.

Ressler deu consultoria à Thomas Harris antes de sua famosa série de livros a respeito do SK Hannibal Lecter. Isso, porque o ex-agente do FBI foi tão respeitado em seu meio, e possuidor da capacidade de orientar Harris nas criações de perfis. Entretanto, Ressler ressalta que muita coisa criada pelo autor é ficção, não correspondendo muito com a realidade da caça a um criminoso de alta periculosidade – bem como as funções e atuações dos agentes do FBI dentro dessa caçada. Foi bastante informativo e legal saber sobre isso, pois sou uma admiradora de Harris e seus livros.

Algo fácil de se perceber na narrativa de Mindhunter Profile, é que Ressler não se faz de rogado. Ele está sempre levantando o valor de sua contribuição, e o quanto era capaz de exercer esse ou aquele papel. Enquanto se lê a obra, se pode ter certa impressão de que o autor é bastante narcisista e dado a autoelogios. Mas, creio que o lugar que ele ocupava, e tudo o que conseguiu perpetrar dentro da Ciência do Comportamento o faz digno de seus títulos e prêmios. Assim, eu deixava essa má impressão passar a cada capítulo.

“Somos levados a hesitar entre uma explicação que não transgride as leis naturais – é um sonho, uma fantasia – e outra que recorre ao sobrenatural – são monstros, demônios. ~ Tzvetan Todorov”

Sobre traçar perfis, esse é um dos temas que eu mais gostei de ver o autor discorrer. É muito surpreendente poder perceber como essa arte quase se torna uma ciência objetiva. Muito do conhecimento a longo prazo, devido a muitos estudos de casos, fazem com que os perfis traçados sejam quase 100% objetivos. E coloca a polícia no rastro do indivíduo culpado pelos crimes. No entanto, temos que ter a clarividência de que isso é uma ferramenta utilizada na caçada ao SK, e que mesmo a assertividade sendo tão alta, não há como ser totalmente perfeita.

Como você não pode deixar de imaginar, os 20 anos de rastreamento a Serial Killers relatados aqui em Mindhunter Profile, por Robert K. Ressler, são bastante impactantes. Existem trechos onde as descrições dos crimes podem aterrorizar ou até mesmo assombrar leitores mais impressionáveis, ou sensíveis. Então tenha um pouco de cuidado ao embrear nessas páginas. As imagens inseridas entre as histórias não são tão explícitas e amedrontadoras. Achei isso bem pertinente, uma vez que nem sempre o leitor tem interesse em ver cenas de crimes, cadáveres, e toda destruição causada por um assassino em série.

Todavia, ainda a respeito das imagens, na minha humilde opinião, teria sido mais interessante se as histórias correspondessem às imagens. Tem momentos que estamos lendo sobre um caso, e a foto é de algum SK que só aparecerá daqui algumas páginas à frente. Apesar disso, a DarkSide continua sendo totalmente excelente na qualidade de suas obras. O livro é maravilhoso visual e graficamente. As páginas recebem grifos em cor laranja, em determinados trechos, o que dá uma sensação de intimidade com a história. Nota 5/5 para mim, como não poderia deixar de ser.

“A fantasia o consumia. Ele não pensava em quase mais nada. E decidiu agir. Fazer o desejo bizarro virar realidade. Foi o primeiro passo na estrada pro Inferno. ~ Derf Backderf”

 

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Livro: Mindhunter Profile – Serial Killers
Autor: Robert K. Ressler, Tom Shachtman
Ano: 2020
Páginas: 416
Editora: DarkSide Books
Gêneros: Crime, Literatura Estrangeira, Não-ficção
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