{ #CRÍTICA } TEATRO MUSICAL | LES MISÉRABLES

Meu post de hoje é sobre a experiência cultural mais linda que tive esse ano: o musical “Les Misérables” que está em cartaz no Teatro Renault em São Paulo. Adaptação do livro de Victor Hugo, publicado em 1862, a peça entrou em cartaz em Paris no ano de 1980 e na Broadway em 1987, e este ano ganhou sua segunda versão brasileira (a primeira aconteceu em 2001).

Trata-se da história de Jean Valjean, um condenado por roubar um pão, que está cumprindo sua pena em plena França do final do século XIX. Sob a supervisão do implacável Javert, Valjean vive dias de trabalho árduo e inumano. Acontece que, devido a um indulto, Jean Valjean consegue uma libertação temporária e decide não retornar para a prisão. Escondido em uma igreja, ele tenta roubar as peças valiosas desta e é capturado, mas o padre não o denuncia e sim o aconselha a mudar de vida. Ele decide então que será agora outro homem.

Les misérables Brasil

Anos se passam e Jean Valjean é agora Monsieur Madeleine, dono de uma fábrica e o prefeito da cidade. Não sendo reconhecido por Javert, ele vive uma vida diferente da que tinha, sendo um gestor justo e humano. Em sua fábrica trabalha a doce e sonhadora Fantine, que mantém em segredo seu árduo trabalho para sustentar sua filha Cosette que vive com um casal de estalajadeiros da cidade.

Vítima do ciúme e inveja das demais funcionárias, e sem conseguir pedir refúgio a Valjean, o segredo de Fantine é descoberto e ela é jogada nas ruas, sendo obrigada a recorrer a todos os níveis de serviços para conseguir o dinheiro que tanto precisa. Ela vende sua dignidade para manter Cosette, mal sabendo que a pobre garota, apesar de todo seu esforço, vive uma vida precária com o aproveitador casal Thénardier, onde todos os privilégios são dados à filha deles chamada Éponine.

O destino de Fantine, Valjean, Cosette, Javert, casal Thenardier, Éponine, vai se cruzar e desdobrar de diversas formas, tendo como pano de fundo a revolução política e a luta estudantil com suas barricadas contra os abusos sofridos pela população.

Les misérables

Se você ainda não teve a oportunidade de conhecer esta obra fabulosa Les Misérables, não sabe o que está perdendo. O livro possui inúmeras edições, inclusive versões resumidas devido ao tamanho da obra completa (1.500 páginas); Já foram produzidos dois filmes sendo um de 1998 e o mais recente de 2013, com atores de peso como Hugh Jackman (Jean Valjean), Anne Hathaway (Fantine), Russell Crowe (Javert), Eddie Redmayne (Marius), Amanda Seyfried (Cosette), Helena Boham Carter e Sasha Baron Cohen (Thénardiers), e diversas indicações ao Oscar; agora o principal, e que estou aqui hoje para falar, é sobre a versão brasileira do musical da Broadway que está no Brasil desde março deste ano, em São Paulo.

A produção conta com nomes extremamente talentosos do teatro musical brasileiro, e que está na hora de vocês conhecerem. Desde o ano passado, quando foi anunciado que “LesMis” entraria em cartaz (no momento em que eu ainda estava em luto pela saída de Wicked 💔), fiquei super ansiosa para conferir a versão e tive todas as minhas expectativas atendidas. É algo tão gigantesco e rico, que te deixa maravilhado desde que coloca os pés no teatro. A infraestrutura do Teatro Renault permite a montagem de uma peça deste tamanho e, juntamente com a  espetacular orquestra, insere o espectador nas ruas francesas independente do lugar em que esteja sentado (e existem lugares onde o ingresso é 25 reais a meia!!!). Uma maravilhosa experiência visual e sonora (principalmente) que todo mundo precisa experimentar!

No papel de Jean Valjean foi escalado o espanhol Daniel Diges, que já havia interpretado o papel em seu país. Apesar de extremamente talentoso, Diges talvez seja uma das únicas ressalvas que tenho sobre o elenco pois, como as músicas são todas em português, seu forte sotaque e o fato de não falar nosso idioma dificultam o entendimento e logo a sensibilização do espectador quanto à história do personagem. Este fato ficou evidente para mim quando, no 2° ato, o seu excelente cover Léo Wagner (que eu já conhecia por Wicked e além de talentoso é extremamente simpático) assumiu o personagem e deixou a história muito mais clara e emocionante.

No papel de Fantine está Kacau Gomes que pega a dura missão (e consegue!) de transmitir para a platéia a quebra do sonho de sua personagem. Ela é dona de um dos solos mais emocionantes da peça com a famosa “I dreamed I dream” (que com certeza você já ouviu e talvez não saiba). Apesar de ter sido colocado em uma ordem diferente e mais dramática no filme, vou deixar o vídeo aqui abaixo com o solo da Anne Hathaway para vocês relembrarem (Mas só porque não tem nenhum da Kacau disponível).

Preciso dizer também sobre a Éponine, o membro mais antigo da friendzone que você respeita (quem nunca, não é?!). Laura Lobo, que fez a Cosette criança na primeira adaptação, faz um trabalho sensacional no papel da pobre garota que sofre de amor (vou deixar o vídeo de seu solo aqui abaixo); O Javert de Nando Pradho é excelente, e talvez seja melhor e mais real que eu tenha visto até hoje; Filipe Bragança, o jovem de 16 anos conhecido pelo filme “Eu Fico Loko” (onde interpretou o youtuber Christian Figueiredo) surpreende e arrasa no papel de Marius, juntamente com a doce Cosette de Laura Verdier.

Os destaques da noite, com certeza, foram o casal Thénardier e o esperto garoto Gavroche. Matheus Leandro interpreta Gavroche e sua sagacidade e eficiência são impressionantes. Super futuro pela frente! Agora eu não tenho palavras para expressar a experiência de assistir Ivan Parente e Andrezza Massei no papel do casal de trapaceiros. Com uma versão maravilhosa da cômica “Master of House”, você tem vontade de apertar replay infinitas vezes.

Eu conheci o Ivan alguns anos atrás por sua participação na banda “O Teatro Mágico” e a cada dia fico mais impressionada com seu trabalho. Existem boatos de que ano que vem a peça “A Pequena Sereia” virá ao Brasil, então alguém dá logo papel de Úrsula para Andrezza e faz esse coração de musicais aqui feliz (Estão dizendo que será a Cláudia Raia, mas apesar dela ser muito talentosa eu ainda prefiro a Andrezza. Até porque a Úrsula é metade polvo e não metade Raia. NOSSA!!!).

Peço desculpas por me alongar mas eu PRECISAVA falar isso tudo para vocês. O teatro musical brasileiro é forte e talentoso e muitas vezes pouco valorizado, mas isso se deve principalmente à falta de incentivo e de estrutura para receber obras desse porte. Um exemplo é que aqui em BH não existe um teatro que suporte este tipo de produção, o que nos deixa fora desta rota cultural e dificulta o engajamento e interesse do público mineiro. Mas que experiência grandiosa estamos perdendo…

LesMis

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Peça: Les Misérables
Local: Teatro Renault – SP
Duração: 160min
Gênero: Drama
Preço dos Ingressos: R$ 25,00 a R$ 330,00
Previsão de Apresentações: Até 10/12/2017
Compra de Ingressos: www.lesmis.com.br/ingressos/