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JUDY – ALÉM DO ARCO-ÍRIS | ALERTA OSCAR

30 janeiro, 2020 por

Estreia hoje nos cinemas o filme “Judy, Muito Além do Arco-íris” e eu confesso que estava extremamente ansiosa para assistir. Primeiro porque sou muito fã de musicais e a Judy Garland foi, e sempre será, um ícone. Mas também por saber sobre a vida conturbada e opressora que ela viveu por trás das câmeras e holofotes. Estava na hora de ser retratado.

O filme aborda aproximadamente os dois últimos anos da vida de Judy, que morreu aos 47 anos. Divorciada de 03 casamentos, com várias dívidas acumuladas (somas muito altas), sem ofertas de trabalho devido à má conduta anterior e sem nem mesmo uma casa pra morar, ela acaba tendo que optar por deixar seus filhos mais novos com o ex-marido e partir para Londres.

Sendo assim, ela é contratada para uma série de shows em uma casa famosa, pois ainda é muito amada na cidade. Os ingressos logo esgotam e ela começa a sentir a pressão do compromisso que assumiu, tendo vários problemas relacionados a sua insegurança e ao vício em medicamentos. Ela ama a vida nos palcos, ganha luz quando entra em cena, mas algo muito errado aconteceu em sua trajetória e a marcou para sempre.

Se você é um fã do filme “O Mágico de Oz”, ou assistiu na infância e achou lindo, cuidado com esse post e esse filme. Você corre um sério risco de ficar decepcionado. Isso porque a Judy que dá nome ao filme é, nada mais, nada menos, que a doce Dorothy que quer voltar pra casa. A menina inocente e de vozeirão!

Judy Garland foi um produto da mídia. Inicialmente uma artista de Vaudeville, aqueles teatros onde você comprava um ingresso e assistia diversas atrações diferentes, foi descoberta ainda bem nova e contratada pela MGM aos 13 anos, entrando assim no mundo do cinema que estava em seu início. Ela estava então no mesmo universo que outras famosas, como Elizabeth Taylor, Ava Gardner e Shirley Temple.

Ali na MGM, na Era de Ouro do cinema, sua fama e declínio pessoal tiveram início. Desde o início eles a consideravam um grande ganho financeiro para a empresa, porém criticavam bastante sua aparência, a enchiam de remédios para emagrecer e não permitiam que comesse nada, em sequência a enchiam de remédios para dormir pois os anteriores a atrapalhavam nisto, além de a obrigarem a usar moldes nos dentes e modelador no nariz.

Judy teve uma infância e adolescência de pesadelo nas mãos dos produtores e isso a marcou pelo resto da vida, pois até sua morte não conseguiu se livrar do vício em anfetaminas e barbitúricos. E foi justamente esse vício que a fez perder diversos trabalhos na vida adulta e contribuiu para sua morte. Ela sempre demonstrou extrema insegurança com sua aparência e até mesmo com seu talento. Uma ironia, visto que sempre foi fantástica.

No entanto, o filme não aborda essa jornada inicial de fama e tragédia na vida de Garland. Como disse, ele aborda seus dois últimos anos de vida, e sua última tentativa de se reerguer frente ao fracasso pessoal e profissional que vivia. Ressalta como ela lutou contra o vício até os últimos momentos, mas não conseguiu vencer. Caso você não tenha esse conhecimento prévio de sua carreira, talvez fique um pouco perdido. Apenas alguns flashbacks surgem para situar o telespectador.

A escolha da atriz principal não poderia ter sido melhor: Renée Zellweger! E não digo isso por ser fã da atriz, porque tenho severas críticas à sua atuação em filmes anteriores. Sempre me incomodei com seus trejeitos sempre presentes, um franzir dos olhos, biquinhos… No entanto, assim como Judy, Renée sofreu e vem sofrendo diversas críticas por sua aparência, o que a fez sumir das telonas por um bom tempo.

E seu retorno não poderia ser em melhor estilo. É quase um tapa na cara da indústria do cinema, uma lembrança de que isso já aconteceu antes e o resultado foi trágico. Renée, realizou diversos procedimentos estéticos nos últimos anos e está irreconhecível comparada à atriz lá do início, da sequência “Bridget Jones”. No entanto, aqui em “Judy” ela surge como a própria atriz E CANTORA em declínio.

Renée Zellweger incorporou Judy Garland de uma forma sensacional, tanto na leve postura corcunda, quanto nos trejeitos e até na voz, porque é ela quem canta todas as músicas (no filme “Chicago” ela já havia mostrado que podia cantar). Inclusive a icônica e emocionante “Somewhere Over The Rainbow”. Ela brilha sozinha no filme, que embora apresente outros personagens coadjuvantes, não deixa com que estes tenham qualquer destaque ou atenção de quem está assistindo. Toda a atenção para Judy e Renée!

E foi isto que o filme significou pra mim, uma retratação dupla. Fiquei extremamente emocionada em vários momentos e acredito que já passou da hora da cortina de ouro ser aberta e todos os casos de abuso serem revelados. É necessário evoluir! Estamos vivendo uma época muito importante, uma transição na visão de respeito, principalmente em relação às mulheres, em assuntos que nunca vieram à tona até pouquíssimo tempo atrás como críticas à aparência, talentos subestimados e assédio sexual.

Judy - Renée Zellweger

O filme concorre ao Oscar na categoria de (óbvio) Melhor Atriz e eu nem preciso dizer que tem 100% a minha torcida! O trabalho de Renée como Judy Garland é tão sensacional que você não consegue separar as duas na tela, e acredito que seja um reconhecimento de que estamos seguindo pelo caminho certo!

“Somewhere over the rainbow
Way up high
And the dreams that you dream of
Once in a lullaby
Somewhere over the rainbow
Bluebirds fly
And the dreams that you dream of
Dreams really do come true”
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Estreia: 30 de janeiro de 2020
Duração: 1h58min
Gênero: Biografia, Drama
Direção: Rupert Goold
Elenco: Renée Zellweger, Jessie Buckley, Finn Wittrock
Distribuidora: Paris Filmes

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