It é um longa metragem, do diretor Andy Muschietti, baseado em uma das maiores obras do autor Stephen King (tanto em número de páginas como em expressão dentro do universo ‘kinguiano’). Em 2017 tivemos a oportunidade de acompanhar a primeira parte dessa aventura. Andy escolheu por bem dividir a história entre dois longas, onde na parte 1, o enredo se dá através da perspectiva das personagens principais quando crianças. It – Capítulo 1 arrecadou mais de US $ 700 milhões ao redor do mundo, e transformou a configuração dos filmes do gênero – filme de terror com maior bilheteria de todos os tempos.

  • Caso você não tenha assistido a primeira parte do filme, clique aqui para entender um pouco mais sobre It – Capítulo 1.

O ‘hype’ sobre esta produção está altíssimo, e obviamente como não poderia deixar de ser, eu estava há exatamente 2 anos, LOUCA para que chegasse o momento de estreia da continuação da saga entre O Clube dos Otários (Losers’ Club) versus Pennywise (Bill Skarsgård). Quebrando rapidamente alguns tabus, Pennywise não é tão somente um ‘palhaço assassino’ que gosta de devorar criancinhas. Como se dizem, o buraco é mais embaixo. Nesse caso, no submundo dos esgotos da cidade de Derry, Maine – uma das cidades fictícias mais ‘ferradas’ que King já criou.

Essa trama se inicia quando Mike (Isaiah Mustafa) percebe alguns fatos pela cidade de Derry, que indicam atividades da entidade Pennywise. Corpos encontrados esquartejados (ou aos pedaços) e crianças desaparecidas são todos os indícios de que esse único “Loser” que continuou em Derry precisava. Pennywise vinha fazendo novas vítimas. Pennywise voltou. Chegou a hora do Clube dos Otários se reunir novamente.

Essa era uma promessa antiga entre os 7 integrantes do grupo, sendo eles – quando adultos: Bill Denborough (James McAvoy), Bev Marsh (Jessica Chastain), Richie Tozier (Bill Hader), Mike Hanlon (Isaiah Mustafa), Ben Hanscom (Jay Ryan), Eddie Kaspbrak (James Ransone) e Stan Uris (Andy Bean). A tônica maior é a que quem deixa Derry, acaba por se esquecer dos detalhes da vida vivida por lá. Os membros do grupo não se lembravam mais uns dos outros, da sua infância na cidade, muito menos do confronto desesperador contra a entidade Pennywise.

  • Você já leu It? Eu já li duas vezes e não estou pronta pra me desapegar da leitura desse clássico! Acompanhe aqui a resenha de It, A Coisa.

Todas as crianças do primeiro filme semelhantemente cresceram e aparentam ser muito bem sucedidas por onde resolveram levar suas vidas. Alguns deles repetindo padrões da infância – como Bev casando com uma pessoa tão tóxica quanto seu pai, ou Ben seguindo carreira de arquiteto, pois demonstrava essa aptidão desde criança. Menos Mike. Ah, Mike não teve essa força motriz para deixar Derry. Ele é o bibliotecário da cidade. Todavia, ele nunca se esqueceu NADA do que aconteceu quando eles eram criança, e ele é obcecado por tudo que envolva Pennywise. Sua obsessão é monitorar quaisquer chances do ser cósmico estar novamente em atividade.

Então dessa forma, Mike resolve que chegou o momento de seus antigos amigos revisitarem Derry. Ele faz as ligações, e paulatinamente, cada um dos Losers irá relembrando fatos do passado. E é aqui que eu começo a falar como uma fã apaixonada, tanto da obra, quanto do que esse filme se tornou nas mãos de Muschietti. Segura firme aí, que eu prometo não dar spoilers ou acima de tudo, roubar experiências marcantes para quando você assistir It – Capítulo 2.

Primeiramente falando de It, o livro lançado por King no ano de 1986. Ele possui mais de mil páginas e uma história muito intrincada. Adaptar essa obra é uma questão de honra! Que desafio… E por ser uma das Magnum opus do autor, todos os fãs ao redor do mundo estavam tensos, aflitos e ansiosos por ter a oportunidade de se sentar em frente à tela, e aproveitar essas 2h 50min de filme. E eu não me decepcionei. A adaptação não é totalmente fiel ao livro, mas não senti aquele sentimento dúbio e às vezes revoltante de dano à obra original. Achei tudo muito ‘respeitoso’, e até com um tom poético.

No filme também tiveram vez os atores que interpretam o Clube dos Otários quando ainda crianças, sendo eles Bill Denborough (Jaeden Martel), Bev Marsh (Sophia Lillis), Richie Tozier (Finn Wolfhard), Eddie Kaspbrak (Jack Dylan Grazer), Ben Hanscom (Jeremy Ray Taylor), Mike Hanlon (Chosen Jacobs) e Stan Uris (Wyatt Oleff). Conseguimos sentir o pouco do clima do livro quando vemos as intercalações entre o grupo adulto e o infantil. Essa foi uma boa escolha do diretor. Não tem como não agradar aos fãs.

Decerto para mim a grande sacada foi acompanhar o drama e os medos individuais de cada Loser. Isso se deu tanto quando eram crianças, quanto agora, adultos e de retorno a Derry. Pennywise configura-se naquilo que mais atormenta sua vítima. E essa entidade cósmica e maligna busca com todos os seus métodos, atrair para destruição àqueles que conseguiram feri-lo há 27 anos – seu tempo de hibernação.

Algo que me agradou bastante, porquanto não fugiu do clima do livro, foi a primeira reunião do grupo. A química e amizade que eles sentiam entre si não foram perdidas, mesmo após 27 anos de esquecimento. Eles conseguiram representar na cena do restaurante o clima de amizade – da mesma forma que quando crianças – e que pra mim, é a tônica maior do livro It, e não a fama de ser “a obra prima do medo”. Eles são amigos, são companheiros unidos pela batalha, são pessoas desconstruídas por seus medos e inseguranças. A personalidade de cada é espelhada no outro, e refletida seja através do amor, da zoação, ou do respeito pele seu verdadeiro medo.

“Seu cabelo é fogo de inverno. Brasa de janeiro. Meu coração queima também”.

Eu pareceria uma verdadeira fangirl se dissesse que não achei que o longa tenha perda de ritmo? Eu não achei às 2h 50min cansativas, sonolentas, ou coisa que o valha. Sinceramente, estar diante da tela acompanhando a pré-estreia para convidados foi um dos melhores momentos de 2019. Eu sou declaradamente fã do autor, e o livro figura no meu top five de livros preferidos escritos por Stephen King.

E no caso de It – Capítulo 2 eu não fui purista, e não fui taxativa. As alterações que o diretor optou para a adaptação ficaram inegavelmente encaixadinhas. Desviaram bastante da história do livro, mas assim como a obra impressa, o longa terminou de forma poética, tocante, e com aquela sensação de que o Clube dos Otários ficará para sempre nos nossos corações. Pelo menos no meu sim!

Como adendo, quero deixar registrado aqui minha plena satisfação com o autor que interpreta Richie ‘Boca de Lixo’ Tozier quando adulto. Ele ganhou um espaço muito bom nessa segunda parte do filme. Brilhou no papel do meu ‘Loser’ preferido ao lado de Ben ‘Monte de Feno’ Hanscom. E eu que estava em dúvida quando escolheram o ator… Bobagem! Ele deu aquele alívio cômico necessário que todo filme dito ‘de terror’ carece.

Outra ressalva que faço, aliás, é na esplendida escolha e escalação do elenco. Não vejo outra pessoa nos dias de hoje senão Bill Skarsgård para interpretar de forma tão marcante nosso assustador Pennywise, o palhaço dançarino! A interpretação continua fascinante, assim como seus olhos assustadoramente desconexos. Os atores escolhidos como integrantes do Clube dos Otários também foi na medida. Fiquei deslumbrada conforme apareciam os flashbacks, com a aparência física dos atores em comparação com o elenco infantil, bem como embevecida pela atuação dos mesmos. Para mim o filme não deixou nada a desejar. E ainda fui brindada com uma GRANDE surpresa, visto que temos uma participação especial e tanto em meio às desventuras de Bill!

Finalizando, por falar em Bill Denborough, achei interessante ressaltarem no filme a incapacidade do então autor de sucesso não conseguir finalizar um livro de forma a agradar os leitores. Essa é uma crítica latente a algumas obras escrita pelo mestre do horror, Stephen King. Contudo, em todo o seu brilhantismo, King sempre responde que não se importa muito em como o livro termina. Mas certamento em como ele se desenvolveu até chegar àquele final. Faz sentido pra ele. E eu, que já li mais de 50 livros do cara (e reli mais de 20, inclusive It), não deixo de me surpreender a cada escolha dele, sendo duvidosa ou não.

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Data de lançamento: 5 de setembro de 2019
Duração: 2h 50min
Direção: Andy Muschietti
Elenco: Bill Skarsgård, James McAvoy, Jessica Chastain, Bill Hader, Isaiah Mustafa, Jay Ryan, James Ransone, Andy Bean
Gênero: Terror, Horror, Adaptação
Distribuidora: Warner Bros. Entertainment