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FRAMING BRITNEY SPEARS | Globoplay

21 março, 2021 por

“Framing Britney Spears”, o polêmico e aguardado documentário feito pelo New York Times enfim chegou ao Brasil. A Globoplay comprou seus direitos e o incluiu ontem em formato de filme no seu catálogo. Mas o que o documentário tem de especial? Ele faz uma abordagem inicial sobre o decorrer da carreira de Britney, desde seu início no Clube do Mickey (Disney), até os conturbados dias atuais que ela está vivendo. E principalmente, ele aborda e detalha as motivações do movimento “Free Britney”, criado pelos seus fãs, e que vem ganhando força no cenário americano. ATENÇÃO, esse não é apenas mais um documentário sobre cultura pop, ele traz uma excelente reflexão sobre saúde mental e pressão social.

E pra entender o movimento, é realmente necessário relembrar passo a passo da carreira da cantora. E é isso que “Framing Britney Spears” faz. Começamos conhecendo a criancinha prodígio que agarra com muita luta todas as oportunidades que surgem até a adolescente recém contratada de uma gravadora para divulgar o single “Baby One More Time” (que ainda hoje é icônico e referência pra muitos clipes e cantoras). Acompanhamos suas apresentações improvisadas em shoppings, até que o boom aconteceu!

Britney Spears

E é aí que você é convocado a participar do turbilhão de emoções, assédios, invasões de privacidade, medos, machismos e exposições da vida de Britney. Relacionamentos amplamente expostos, imagem sendo absurdamente explorada, todo mundo queria tirar uma fatia de seu sucesso. Ainda muito jovem, no final dos anos 90, tinha que se sujeitar a responder comentários de que seus seios estavam se destacando, confirmar sua virgindade, ver programas inteiros de TV discutindo que suas roupas curtas não correspondiam a sua imagem “inocente”. Em uma das entrevistas, inclusive, é lida para ela a mensagem de uma mulher que diz que se pudesse lhe dava um tiro, por causa da influência negativa que exercia sobre seus filhos. Britney até tenta responder, mas cai no choro.

O importante do documentário é que ele é feito por uma mídia de confiança e de respeito, o The New York Times juntamente com o canal FX, além de incluir entrevistas importantes de pessoas que participaram ativamente da carreira da cantora. E não pense que eles passaram pano pra alguns ou ocultaram fatos. Nem mesmo o queridinho dos EUA, Justin Timberlake, deixou de receber sua parcela (GRANDE) de culpa no declínio emocional e mental da garota. O documentário mostra suas várias entrevistas pós-término, dando a entender que foi traído e fazendo piadas de que havia sim transado com Britney (que até então alegava virgindade na imprensa). Como cereja do bolo, ele eterniza seu vitimismo e “culpa” da cantora com o clipe “Cry me a River” que tem a participação de uma sósia dela. Vou deixar traduzida aqui abaixo:

Bom, a questão é que Britney Spears teve vários homens de caráter duvidoso em sua vida, acumulou decepções e chegou em um ponto de ter a infelicidade das desgraças de sua vida valerem muito dinheiro. Se casou, passou a ser julgada como esposa de respeito, engravidou, passou a ser julgada como mãe ruim, se separou e foi taxada de surtada, perdeu a guarda integral dos filhos e passou a ser chamada de louca. Nada de novo sob o sol, uma mulher em desespero ter suas fraquezas e inseguranças reduzidas a “histeria e surto”. Os paparazzi não a deixavam em paz, sua imagem valia muito. Em alguns momentos é possível ver ela relatar estar com medo de tanta gente a perseguindo e ficando tão próxima do seu carro.

Quando eu falo o que sinto, eles ouvem, mas não prestam atenção. Eles ouvem o que querem, não escutam o que eu digo. Então… é ruim. Estou triste.

Pictured: Britney Spears. CR: FX

Um dos paparazzi que a perseguiam participa de “Framing Britney Spears” e dá seu relato. Em sua opinião, o trabalho dos paparazzi sempre esteve em equilíbrio com as necessidades de Britney, e que a cantora gostava de certa exposição. Este tal profissional é o responsável pela foto mais cara tirada da cantora, uma em que ela está careca e parte pra cima dele com um guarda-chuva. Ele recebeu 01 milhão de dólares pelo click e finaliza a entrevista dizendo que “tirou a sorte grande”. Detalhe, Britney estava super nervosa e frustrada voltando da casa do ex-marido, que havia proibido suas visitas aos filhos, e este nem a recebeu. O próprio ato de desespero de raspar os cabelos eu consigo ver como um pedido de ajuda, algo estava se partindo e ela não importava mais.

Enfim, após vários momentos conturbados, o pai ausente de Britney, Jamie Spears ressurge com um pedido de tutela para cuidar de TODA e QUALQUER decisão financeira e de vida da cantora. Este é autorizado, supostamente através de negociações de visitas a seus filhos, e a cantora passa algumas temporadas em clínicas de reabilitação antes de ressurgir em sua carreira, trabalhando e rendendo lucros tanto ou mais que antes. Ela participou de séries de TV, foi jurada do X-Factor e lançou uma residência (shows em sequência durante um tempo longo) em Las Vegas. Estava faturando cerca de $1 milhão por semana.

Se eu não tivesse as restrições que tenho agora, com advogados, médicos e pessoas me analisando todo dia e tal, se não tivesse isso, eu me sentiria muito livre, como eu mesma!

Mas os fãs da princesinha do Pop começaram a notar sinais de que essa tutoria só não era benéfica pra ela. Que visava seus lucros e fama, e que ela estava presa em uma situação da qual não conseguia sair. Por estar interditada, não tinha (e não tem) autonomia pra decidir nada em sua vida. E assim surgiu o “Free Britney”, um movimento que busca a libertação da cantora deste controle exercido por seu pai, para que volte a tomar conta de suas ações. O movimento tem ganhado força entre fãs e famosos, inclusive já tendo recebido um discreto aval de Britney e desdém e deboche de seu pai. A cantora tem ganhado força pra se rebelar e desde o ano passado se recusa a trabalhar enquanto essa situação não for resolvida.

A importância de um documentário assim está além de contar a história de vida de uma cantora de sucesso. “Framing Britney Spears” vem pra humanizar e iniciar uma reflexão acerca dos fatos da vida de alguém que é ridicularizada e taxada de louca há anos. Nos faz questionar se evoluímos daquele tempo pra cá ou ainda repetimos o mesmo padrão de não comprometimento com a saúde mental do outro, se continuamos fazendo piadinhas, questionando roupa, cabelo, caráter, aceitamos que este outro seja humilhado e assediado em entrevistas e trabalhos “porque merece”.

Contrariando todas as estatísticas, Britney Spears permanece viva e lutando. Estarei aqui na torcida por ela e digo com toda certeza que muito provavelmente eu também surtaria! No entanto, não vamos nos esquecer das próximas Britneys, aquelas que estão por vir. Estaremos preparados ou usaremos a máxima  presente no documentário: “Nada como colocar em desgraça uma mulher que se destaca”.

It’s Britney, bitch!

 

 

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8 Comentários

  • Letícia Guedes
    abril 06, 2021

    Eu admiro muito a Britney, ela passou por poucas e boas. Então, eu sei bem como esse documentário vai ser importante para nossa geração, principalmente para os fãs que a acompanharam todo esse tempo. Fiquei feliz quando saiu a notícia!

  • Camille
    abril 05, 2021

    Considerando todo o passado e histórico da Brtiney, esse documentário deve ser bem mais do que aquele comum e do mesmo dos documentários de outros artistas. Eu não era muito fã dela, mas fiquei interessada, viu?

  • Isa do Le Portraitdeisa
    abril 05, 2021

    Eu sempre gostei das músicas da Britney e acho realmente muito triste tudo o que aconteceu e o que acontece com ela. Eu não sou muito de acompanhar a carreira dela , mas fiquei interessada em ver esse documentário para conhecer melhor sobre a trajetória e o que ela passa. Espero que esse movimento free britney de certo e que ela consiga a tão esperada liberdade e que ela continue com os tratamentos , porque saúde mental é tudo principalmente nesse meio em que ela vive.

  • Valeria
    abril 05, 2021

    Confesso que nunca fui fã de Britney. Só gosto de uma música, mas claro que isso não significa que eu acho merecido tudo que a mídia e o pai fez com ela. De forma alguma. Conheço a trajetória até quando ela retornou aos palcos, depois do episódio em que ficou careca, mas de lá pra cá não vi mais nada a respeito, recentemente foi que li sobre esse movimento free Britney. QQ hora dessas vou ver se assisto. Pena que foi pro Globo play e não tenho essa plataforma.
    A história dela me lembra um pouco a de Amy Winehouse, infelizmente a segunda não aguentou a carga toda e não está mais entre nós…

  • Debora Sapphire
    abril 05, 2021

    Apesar de não conferir muitos documentários, achei muito curioso e interessante ficar sabendo sobre esse polêmico e aguardado documentário que faz uma abordagem inicial e especial sobre o decorrer da carreira da famosa Britney. Lembro de acompanhar algumas músicas dela. E não sabia de sua passagem pelo Clube do Mickey (Disney).

  • Lilian Farias
    abril 05, 2021

    Eu não sabia desse documentário, lembro-me que gostava das músicas dela na adolescência, e recentemente acompanhei algo relativo ao dinheiro dela que é administrado pelo pai, que isso está gerando um rolo. Gostaria de ter a oportunidade de assistir ao documentário ^^

  • Joyce
    abril 04, 2021

    Esse documentário tá ótimo. Acompanhei Britney por muito tempo, não cheguei a ser fã dela, mas admirava muito. Dói ver a situação que a mesma se encontra, muito triste.

  • Carol Nery
    abril 04, 2021

    Eu sou meio que um bicho estranho no que condiz à cultura pop dos anos 90. Não sei por onde andava, ou o que fazia da vida… Porque sério, fora umas músicas do BSB e Westlife, eu não via graça em Britney e nenhuma boys band contemporânea. hahahahhaa Que peixe fora d’água eu deveria ser.
    Mas, é óbvio que conheço muito da história de vida dessa mulher. E concordo com vc, amiga. Não tem como não surtar. Tenho pena do psicológico dessas pessoas que são estrelas e milionárias desde muito novas. Têm todo um conforto, uma condição superior e invejável aos nossos olhos “pobres”. Só, que nossa… QUE BARRA. Quanto julgamento. Que vitrine… Que cansativo.

    Beijocas. Saudades!