Eu Sou Todas as Meninas (I Am All Girls), é o tipo de filme que faz o público atraído e apreensivo na poltrona. Com uma história quase inacreditável – baseada em fatos – se desenrola com uma direção precisa e mostrar toda a intensidade dessa premissa violenta.

O tema pesado é o tráfico internacional de meninas e mulheres por cartéis de milionários que fazem milhões, raptando meninas em países de terceiro mundo e vendendo-as como escravas sexuais para potentados, sheiks, empresários ou bordéis ao redor do mundo.

Desde os minutos iniciais, o espectador é adornado com um enredo corajoso que aborda assuntos complexos e densos, o filme possui uma trilha sonora pessimista, que murmura sob as cenas, desde as mais sanguinolentas até os diálogos simplistas.

EU SOU TODAS AS MENINAS

O filme do sul-africano Donovan Marsh, escrito por Wayne Fitzjohn e Marcell Greeff, e estrelado por Deon Lotz, Erica Wessels e Masasa Mbangeni é situado em 1994, em Joanesburgo, na África do Sul, a trama acompanha Jodie (vivida por Erica Wessels), uma investigadora de crimes especiais que, depois de uma sequência de mortes, suspeita que um temido assassino em série está dando dicas para ajudar as autoridades a derrubar uma quadrilha global de tráfico sexual infantil.

Dessa premissa, o suspense se constrói em torno desse mistério central, no entanto, o roteiro perspicaz consegue contornar a típica história de investigação para fazer uma reflexão bem-vinda sobre o quão corrupto é o sistema e até mesmo as autoridades que está tentando capturar predadores sexuais.

Não são raras vezes que o filme assume um tom documental, exibindo fotos e nomes reais de meninas desaparecidas. Embora o filme não mencione definitivamente a incidência exata em que se baseia, parece que o crime central do filme, o sequestro de 6 meninas por um suspeito de tráfico de crianças e o fato de que nunca foram encontradas novamente se baseia em o caso da vida real de Gert van Rooyen, o que choca ainda mais as imagens.

O elenco é ótimo em sua totalidade e consegue muito bem manter o nível de emoção sempre no topo, especialmente Masasa Mbangeni e seu olhar penetrante, que passa veracidade. Uma pessoa para ficar atento nos próximos anos.

Ao longo da jornada de angústia da protagonista por um mundo majoritariamente masculino, que a oprime diante das suas convicções, torcemos por Jodie enquanto ela desenterra uma tonelada de crimes horríveis, hediondos e cobertos de ganância.

Eu Sou Todas as Meninas surpreende com um roteiro corajoso e perspicaz, que soma atuações excelentes à uma direção satisfatória, que sabe o teor de importância do assunto proposto e que promove uma necessária reflexão sobre o sistema que acoberta crimes sexuais e tráfico humano. Um boa pedida para boas discussões sobre o assunto.