Entrevista com o Vampiro ganhou no final do ano passado uma roupagem nova feita pela Editora Rocco. A edição de luxo lançada é tudo aquilo que todo o fã sempre precisou e mereceu. Tendo Anne Rice como uma diva norteadora das minhas leituras desde a adolescência, eu obviamente SURTEI! E é sobre essa releitura que vou falar hoje, então já me desculpo por possíveis exageros no drama, estou bem influenciada pela narrativa do Louis.

A história é exatamente o que o título diz, pois após centenas de anos, o vampiro Louis decide contar toda sua história para alguém. O escolhido é um rapaz que coleciona vivências e casos especiais. Logo na primeira página somos ambientados ao teor sombrio e envolvente que irá conduzir todo o livro. Louis é calmo e controlado, no entanto suas feições não escondem aquilo que ele é. Ele vai começar seu relato lá por volta dos anos 1800, quando sua vida vampírica, ou maldição, começou.

Louis era um jovem rico, de família tradicional e religiosa, porém sofreu um grande trauma por luto. Passou a vagar embriagado e perdido pela cidade, ficou distante da família e, como ele mesmo diz, virou um alvo fácil para qualquer um. Mas nesse caso quem o encontrou primeiro foi um vampiro, Lestat! O que este último queria era a fortuna de Louis, para manter seus caprichos e estilo de vida extravagante. O problema foi ainda maior, pois Lestat era completamente impulsivo, irritante e cruel.

Poderia ter sido qualquer um – eu era um convite para marinheiros, ladrões, maníacos, qualquer um. Mas foi um vampiro.

ENTREVISTA COM O VAMPIRO

A partir daí começamos a entender toda a reflexão de Louis a respeito da imortalidade, de sua existência sobrenatural e toda a questão de matar para se alimentar. Ele precisava de um tutor presente e participativo, alguém que o ajudasse na transição, mas Lestat não parecia saber muito mais que ele. Desprendido da vida humana, ele só queria saber de aproveitar todos os prazeres que pudesse extrair. E assim a dúvida e a melancolia se instalaram por definitivo na cabeça de Louis. Ele queria abandonar Lestat, seguir sua vida e buscar as informações por conta própria, mas fácil não ia ser.

Em uma de suas tentativas de ir embora, o outro faz o inimaginável: o força a transformar uma criança de 5 anos em vampira. Cláudia passa ser criada pelos dois como uma filha. No entanto, após vários anos de convivência, essa situação se mostra como a bomba-relógio que aparentava desde o início. A garota é agora uma mulher formada, com vontades, desejos e sonhos, ainda que eternamente presa em um corpo de criança. Somado às inúmeras dúvidas e uma personalidade bem próxima à de Lestat, a vida do grupo se torna um caos.

Para ele, ser vampiro significava vingança. Vingança contra a própria vida. Cada vez que acabava com uma vida, estava se vingando. Não era estranho que não apreciasse nada. Nem podia perceber as nuances da existência como um vampiro, pois só se preocupava com uma vingança maníaca contra a vida mortal que tinha abandonado.

Eu sou apaixonada por “Entrevista com o Vampiro”, assim como por toda a série. Este é o primeiro volume das “Crônicas Vampirescas”, que hoje conta com aproximadamente 15 livros (varia muito, porque a série se entrelaça com outras histórias da autora). O último lançado foi “Comunhão de Sangue: Uma História do Príncipe Lestat”, publicado em 2018, e trazido para o Brasil no ano passado também pela Editora Rocco. É muito provável que você conheça a história deste pioneiro (de 1976) por sua extremamente famosa e icônica adaptação para o cinema (1994). Se não viu, por favor, faça-se esse favor! É necessário ver Brad Pitt, Tom Cruise e Antonio Banderas interpretando esses vampiros!

Bom, então como eu disse, já havia lido a série na minha adolescência e foi um prazer revisitar o começo de tudo. O livro é todo tomado por uma névoa sombria, envolvente, erótica e instigante. Particularmente, eu não tenho a menor dificuldade com o desenvolvimento da narrativa, mas entendo o motivo de algumas pessoas relatarem problemas de morosidade e cansaço. É importante lembrar que toda a história é narrada por Louis, e ele está passando por uma imensa crise existencial. Através dos séculos ele tenta entender o sentido do bem e do mal, e da sua própria condição. Ele é extremamente melancólico, possui um bom coração e não consegue se desprender tão facilmente dos valores e dilemas de sua vida humana.

Portanto não espere uma história repleta de ação, seres manipuladores e completamente aterrorizantes. Ainda que tenha seus momentos, em “Entrevista com o Vampiro” você vai encontrar um relato reflexivo. Vai entender a complexa situação de Cláudia, apesar de toda sua inconstância e dissimulação. Acompanhará o grande desenvolvimento de Lestat e mudar várias vezes de opinião sobre ele. Vai conhecer Armand…

O mal é um ponto de vista..

ENTREVISTA COM O VAMPIRO - ANNE RICE

A tradução dessa nova edição permanece a mesma da anterior, feita por nada mais, nada menos que Clarice Lispector. Sente o poder! E realmente não encontrei necessidade de mudar, continua fiel, de fácil entendimento e completamente de acordo com o clima do livro e seu período de ambientação. “Entrevista com o Vampiro” de luxo já tem uma companhia: o segundo volume da série “O Vampiro Lestat” também já foi lançado com a nova roupagem. Em breve trago a resenha dele aqui! E a vida do fã é essa, minha gente. Agora estou aqui aguardando o próximo lançamento, claro, que seguindo a ordem provavelmente será “A Rainha dos Condenados” (que também tem filme, mas isso é conversa pra mais tarde).

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Crônicas Vampirescas:

1. Entrevista com o Vampiro

Autora: Anne Rice
Ano: 1976 / 2020
Páginas: 320
Editora: Rocco
Gênero: Romance, Suspense
Nota: 5/5
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