Em “Dor e Glória”, acompanhamos Salvador Mallo, um cineasta que se vê enfrentando lembranças do passado, enquanto surgem problemas e desafios no presente. Sinopse simples? Mas o filme é basicamente isso e é nessa simplicidade que Almodóvar consegue fazer uma obra digna de entrar na lista do Oscar.

A primeira coisa que preciso dizer sobre o filme é: não o vejam quando estiverem cansados. “Dor e Glória” tem um ritmo mais lento, mesclando presente e passado, por isso, não aconselho que ele seja visto quando se está cansado. Também não vá esperando um longa em que há cenas agitadas, coisas acontecendo, porque não.

Particularmente, eu gosto muito de filmes que tem esse ritmo e sempre me dou bem assistindo eles, com “Dor e Glória” não foi diferente. O meu sentimento enquanto estava assistindo o filme, não era de assistir uma história previsível, eu não conseguia prever ou saber o que estava por vir. Apenas acompanhava a história de Salvador e o desenrolar de seus problemas.

“As noites que coincidem com várias dores, aquelas noites em que acredito em Deus e oro a ele. Nos dias em que sofro apenas um tipo de dor, sou ateu. ”

Dor e gloria

O que sempre chama a minha atenção em filmes que mesclam passado e presente é a possibilidade de conhecer mais dos caminhos que levaram os personagens até o presente. Qual escolha que fizeram? Qual drama que enfrentaram? É possível acompanhar fatos marcantes da vida de Salvador que de certa forma, tem alguma ligação com o que ele se tornou.

Não espere que os flashbacks venham em ordem cronológica, porque isso não acontece. As cenas são postas em momentos que foram importantes para o personagem, como a mudança de casa e a entrada na escola.

Algo que achei bacana na película é que Almodóvar conseguiu colocar os personagens bem próximos da realidade. Eu conseguia ver Salvador como um personagem real ao invés de fictício. Consegui enxergar os dramas da vida dele, como dramas reais. Isso fez com que o filme fosse mais leve e mais fácil de assistir.

“O amor não é suficiente para salvar a pessoa que você ama. ”

Durante o filme Almodóvar fala sobre temas importantes, como homossexualidade. Tratando o tema de forma natural e íntima. Além disso, o diretor traz decisões contraditórias do personagem, como o desprezo pelas drogas, logo depois a curiosidade por elas e a decisão de sair antes que o vício tomasse conta.

“Dor e Glória” foi escrito e dirigido por Pedro Almodóvar (“Tudo sobre a minha mãe”, “A pele que habito”). Estrelando o filme, podemos ver Antonio Banderas, Penélope Cruz, Julieta Serrano e Leonardo Sbaraglia.

“Dor e Glória” está nominado no Oscar nas categorias “Melhor Filme Internacional” e “Melhor Ator”, onde Antonio Banderas está concorrendo. Além do Oscar, o filme também foi nominado para o Globo de Ouro, nas categorias “Melhor Ator de Drama” e “Melhor Filme de Língua Estrangeira”. Já no Festival de Cinema de Cannes, Antonio Banderas ganhou o prêmio de melhor ator. Além de Cannes, Dor e Glória levou sete prêmios no Goya (Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Original, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Montagem).

Você já viu “Dor e Glória”? Acha que o filme vai levar alguma estatueta para casa? Conta para a gente nos comentários.

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Estreia: 13 de junho de 2019
Duração: 1h53min
Gênero: Drama
Direção: Pedro Almodóvar
Elenco: Antonio Banderas, Penélope Cruz, Nora Navas, Asier House.
Distribuidora: Universal Pictures