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DONA DO PODER – KIERSTEN WHITE | RESENHA

31 dezembro, 2020 por

Dona do poder é a continuação de Filha das trevas, segundo livro da trilogia Saga da Conquistadora, da autora Kiersen White, que também assina os livros A Farsa de Guinevere, A sombria queda de Elizabeth Frankenstein – ambas com resenha no blog, além de A Caçadora, todos do gênero fantasia e ficção histórica – Dona do poder tem como pano de fundo a queda de Constantinopla.

Gostaria de lembrar que, como trata-se de um segundo livro, se não leu Filha das trevas poderá encontrar spoiler do primeiro livro.

Vamos continuar seguindo a trajetória de Lada Dracul – lembrando que a autora se baseou na história de Vlad, o empalador, um personagem real que era o voivoda (príncipe) da Valáquia, no sul da atual Romênia, no século 15 e ficou conhecido como O empalador por sua tática cruel durante as batalhas. A autora transformou Vlad Dracul em Lada Dracul, mas que tinham o mesmo objetivo: reconquistar a Valáquia e retomar seu trono de direito.

Filha das trevas finaliza com Lada partindo para a Valáquia para tomar o poder, deixando seu irmão Radul com Mehmed, o sultão turco, que está de olho em Constantinopla. Mas, quando ela chega à Valáquia com seus homens, percebe que não será tão fácil retomar o trono, pois encontra muita resistência. Por isso, entende que terá de buscar aliados e forjar alianças, um trabalho que é especialidade de Radul, não dela! Mas ele optou por ficar ao lado do sultão, e Lada não quer pedir ajuda ao irmão para não demonstrar fraqueza.

“Ela era um dragão. Era um príncipe. Era a única esperança que a Valáquia tinha de prosperar.”

Dona do poder

Entretanto, ela acaba escrevendo a carta pedindo a ajuda de Radul, que escolhe mais uma vez permanecer com Mehmed, por quem tem uma paixão platônica… Para evitar intrigas, Radul até se casa, mas sua esposa é apaixonada por sua criada, então mantêm-se as aparências. Mehmed, intuindo um sentimento profundo por parte de Radul, e estrategista como é, resolve fazer com que ele viaje até Constantinopla para ser seu cavalo de Tróia! A obsessão do sultão pela conquista de Constantinopla permanece, e uma batalha final pela cidade parece cada vez mais próxima.

E assim, alternando entre Lada e sua tentativa de tomar a Valáquia e Mehmed e sua tentativa de tomar Constantinopla, vamos acompanhando o impasse que só pode estourar em um conflito de grandes proporções, bem como o rompimento da amizade que surgiu entre os irmãos e o sultão em Filha das Trevas!

Eu estava bem ansiosa para dar continuidade a trilogia, principalmente ao terminar Filha das trevas ao entender toda a pesquisa que a autora fez para a construção da sua história. Muitos personagens – muitos, mesmo, existiram de fato, e mesmo a cronologia dos fatos era baseada na história dessa região.

“Aquele era seu povo. Seu país. O trono era seu. Ela não precisava de intrigas nem de planos elaborados. A Valáquia era sua mãe. Depois de tudo por que passar, de tudo o que fizera em sua busca pelo trono, só lhe restava uma coisa: ela mesma.”

Saga da Conquistadora 

Dona do poder não ficou para trás, trazendo a tomada de Constantinopla em cores vívidas. Justamente por isso, permaneço encantada com a narrativa da autora, que continua impecável.

Para além da representação histórica, também gosto de como a autora utiliza o romance nessa história. Radul ama Mehmed que ama Lada, que ama Mehmed. Mas Mehmed e Lada são duas forças da natureza, e nunca colocam esse sentimento à frente de seus objetivos, que estão bem definidos: os dois amam suas conquistas, e não renunciam isso para ficar juntos. Já Radul ama desesperadamente o sultão, mas enquanto mulçumano, se vê como pecador e não merecedor de amor, principalmente um amor proibido, ainda que prefira ficar ao lado do sultão ansiando por sua atenção.

Acho interessante como a autora inverte clichês, porque temos toda a suavidade em Radul e a agressividade em Lada. Mas isso não quer dizer que Lada seja uma pessoa fria; ela ama, mas ama mais seus objetivos. Ama tanto, que entender que o sultão tem um harém deixa claro que ele não renuncia a seus privilégios, então por que ela o faria?

“Lada viu-se outra vez na cerimônia de casamento de Mehmed. Sozinha, sempre sozinha, deslocada e sem utilidade. Ela respirou fundo. A situação era outra. Ela não era mais a mesma pessoa. Tinha mais com quem contar além de Mehmed e Radu agora.”

Dona do poder traz uma Lada que caminha para se tornar o sanguinário Vlad real, mas aqui ela aprende muito da estratégia que observou de Mehmed e entende que precisa mexer suas peças para alcançar o trono. Ao seu lado temos uma outra personagem feminina que cresce bastante, e que acredito ser mais decisiva no próximo livro. Achei incrível como a Lada resgata e acredita na força das mulheres, que sempre ficaram unicamente com o papel reprodutivo, mas que terão uma chance – ao menos na Valáquia.

Do lado de Radul, temos sua esposa Nazira, uma mulher forte e com uma presença sempre plena e constante, resiliente e parceira, além de Urbana, que transita entre os dois grupos e é quem vai trabalhar com pólvora, um trabalho masculino que ela vai ter mais desenvoltura que todos os homens, podendo ser decisiva em alguns momentos. Mais uma vez percorrer Constantinopla ao lado de Radul, conhecer a catedral de Hagia Sofia foi extremamente visual!

“Mas a Hagia Sofia, como era chamada em grego a Basílica de Santa Sofia, a joia de Constantinopla, uma igreja tão majestosa que segundo a lenda havia convertido toda a população da Rússia ao cristianismo ortodoxo, estava fria e vazia como um anoitecer chuvoso.”

Dona do poder

Ao final, percebe-se que ainda há um percurso em aberto, mas já espero uma evolução do Radul, para que deixe der ser marionete do sultão, e ao mesmo tempo, imaginando quanto tempo Lada conseguirá se manter no poder. Dona do poder continua a história dos irmãos de uma forma incrível, sendo mais ágil que o primeiro em alguns momentos. Acredito que teremos um grande final para Lada Dracul!

Dona do poder traz uma ótima diagramação, com mapa, uma lista dos personagens, glossário e nota da autora ao final. Agora é partir para a leitura de Senhora do fogo, a finalização da trilogia.

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Saga da Conquistadora 
01 – FILHA DAS TREVAS 
02 – DONA DO PODER
Autora: Kiersten White
Tradução: Alexandre Boide
Ano: 2018
Páginas: 476
Editora: Plataforma 21
Gênero: Fantasia, Jovem adulto
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