Temos várias opções de entretenimento nos canais de streaming, nesse período que ficar em casa é uma excelente escolha. E para quem quer se aventurar em um mundo mágico, cheio de deuses e uma guerra, Deuses Americanos  (American Gods) é uma excelente opção disponível na Amazon (Prime Vídeo). A série possui todos esses elementos, sendo uma série homônima de um livro do autor Neil Gaiman, que é o maior escritor de fantasia vivo de acordo com a crítica (e por mim também que tenho várias publicações dele).

A série produzida pela Starz e desde 2017 sendo composta por duas temporadas, cada uma com 8 episódios de aproximadamente uma hora de duração inspirada no livro que foi publicado em junho de 2001 sendo o mais conhecido e aclamado do autor. Ganhou os prêmios: Bram Stoker em 2001, Hugo em 2002 e Nebula em 2003 (os mais prestigiados prêmios para livros do gênero de fantasia e ficção científica) na categoria de “Melhor Romance”. Vale muito a pena a leitura!

Gaiman é o mestre em misturar fantasia com vida real, logo Deuses Americanos não fugiria disso. Deuses caminham livremente sobre a Terra e vivem suas vidas como qualquer ser humano, somos confrontados com questões complexas presentes em nossas vidas. Então, podemos ser atendidos naquela lanchonete que frequentamos por uma dessas divindades, já que que nesse cenário, elas imigraram para os Estados Unidos e vivem como nós, mortais.

Foi realizada uma pesquisa incrível pelo autor, que trouxe para nós muitos deuses esquecidos. Um exemplo é Chernobog, uma entidade eslava mencionada de forma menor em textos do século XII, outro exemplo é Bilquis, a deusa do amor/sexo, dentre outras divindades, cada episódio começa com contos épicos que explicam a origem dos deuses, bem como ajudam a explicar suas personalidades, poderes e principais características. Dessa forma, os episódios nunca ficam estagnados, pois, em todos eles, o expectador recebe novas informações que auxiliam a compreender essa intrincada e complexa trama.

Shadow Moon (Ricky Whittle), o protagonista da história, sai da cadeia alguns dias antes de finalizar sua pena e na “volta para casa” conhece um senhor muito icônico chamado Mr. Wednesday (Ricky Whittle) que o convida para ser seu guarda-costas. Um guarda-costas muito útil para o momento, pois Shadow acabou de aceitar um emprego de alguém que está no meio de uma guerra. Wednesday está reunindo todos os velhos deuses que se sentem relativamente mais fracos por terem cada vez menos fiéis, pessoas que acreditam em sua existência, para enfrentar os novos deuses, que são os deuses relacionados à mídia e a tecnologia, que estão se fortalecendo nos dias de hoje. E é para o meio desse conflito que o protagonista Shadow Moon é sugado.

Duas cenas que me marcaram demais logo na primeira temporada foram, a apresentação da deusa Bilquis (Yetide Badaki) muito bem representada na sua atual profissão, me fez vibrar ao assistir e também não poderia deixar de citar a atriz Gillian Anderson que representou a Mídia na série que ficou fantástica Lucille Ball – I Love Lucy. A fotografia e maquiagem da série estão simplesmente fantásticas!

DEUSES AMERICANOS

Em sua primeira temporada Deuses Americanos teve como showrunners (termo em inglês que define um encarregado do trabalho diário de um programa ou série de televisão, e que visa, entre outros, dar coerência aos aspectos gerais do programa) Bryan Fuller (Hannibal) e Michael Green (Blade Runner), que deixaram a função logo após o fim da primeira temporada devido a projetos individuais. Mesmo que Craig Cegielski, o novo showrunner da série, tenha se esforçado para manter a identidade visual criada por Fuller, é possível notar como a saída do aclamado diretor influenciou nas decisões da segunda temporada.

A série se mantém bastante fiel ao livro e, no geral, há uma certa falta de momentos visualmente marcantes em sua segunda temporada, o que faz com que perca um pouco da qualidade mostrada quando estreou. Mesmo que o visual ainda seja extremamente bonito e consiga manter com perfeição a paleta de cores definida por Fuller para este mundo, há uma falta de cenas não apenas belas, mas poéticas — cenas essas que ajudaram a destacar Deuses Americanos das outras produções de sua época, por isso a leitura do livro fará uma certa diferença.

Por fim, minha dica é: leia o livro antes de assistir a série, dessa forma irá entender mais desse mundo mágico de Deuses Americanos e ser tão apaixonada pelo Gaiman como eu, mas, se você decidiu ver a série antes de se aventurar na leitura, não fique tão assustado e agarre-se ao Shadow Moon (o belíssimo Ricky Whittle), que entra na história entendendo nada. Ele é um sujeito bruto, basicamente ateu, vendo todo um novo mundo surgir diante de seus olhos. Nem ele mesmo sabe se acredita em tudo que está vendo.