Cruella” é o novo lançamento estourado da Disney e já conquistou a aprovação do público. Lançado dia 28 de maio na plataforma Disney+ e em alguns cinemas do país, o filme encanta e empolga com seu estilo transgressor e moderno de contar a história de origem da icônica e fashion vilã, que desejava enlouquecidamente fazer um casaco com a pele de pobres dálmatas. Seguindo a linha do sucesso “Malévola”, o estúdio continua sua missão de tentar humanizar suas megeras.

Conhecemos a garotinha Estella, que desde cedo percebeu seu talento para a moda. Achando tudo chato e comum, ela sempre quis inovar, sendo um destaque em ousadia. Mas essa personalidade fashionista nunca foi pacífica, sendo inclusive apelidada por sua mãe de Cruella. Desde cedo, Estella foi aconselhada a suprimir Cruella para não criar problemas, e assim ela o fez. Porém, devido a um sequência de infortúnios, a garota acaba ficando órfã.

Movie Cruella

Sozinha em Londres sem saber o que fazer, ela conhece os garotos Gaspar e Horácio e com eles cresce elaborando planos e realizando pequenos roubos para se sustentar. Seu sonho nunca foi ser uma ladra, ela deseja mais, deseja ser um sucesso na moda. No entanto aceita fazer o que for necessário para alcançar sua oportunidade. E ela surge quando menos espera, através de um emprego de faxineira na famosa loja Liberty consegue a atenção da Baronesa (Emma Thompson, conhecida por “Nanny McPhee”), uma estilista de grande sucesso e de quem sempre foi fã.

Mas esse convívio com a Baronesa e o início de seu sonho trarão à tona Cruella, há muito adormecida. Ela viverá desafios futuros e terá que confrontar o passado, descobrindo que nem tudo acontece de forma fácil e pacífica. Sua ousada personalidade surge como uma erupção de cores e extravagâncias, ganhando destaque e elogios pela cidade, no melhor estilo efervescente do punk rock londrino dos anos 70.

Pelo que podemos ver, a Disney continua na missão de revisitar seus clássicos de maior sucesso e dar a eles uma nova roupagem, ou até mesmo uma nova perspectiva. Temos então uma extensa lista de live actions que no geral são muito bons (não vou entrar nesse critério aqui porque seria uma discussão longa). No caso de “Cruella” é inegável compará-lo a “Malévola”, que foi a primeira vilã a ter sua origem revelada. Mas as semelhanças acabam aqui, pois diferente da antagonista da Bela Adormecida, Cruella não apresenta tantos sinais de bondade mal interpretada.

E na verdade esse se tornou o meu ponto favorito da história. Cruella tem pensamentos fortes e rebeldes desde sua época como Estella, apesar dos sonhos e do desejo pela fama. Vemos o crescimento da garotinha talentosa, mas nunca submissa, e sua vontade de melhorar o mundo fashion. Acompanhamos sua dor pelo duro passado e o momento de ruptura, onde nada mais importa. Onde ela passa a agir sem escrúpulos e sem pensar nas consequências. Veja bem, aqui você vai sim torcer pelas vitórias de Cruella, vai vibrar com suas aparições, no entanto em nenhum momento será enganado de que ela é uma mulher boazinha. Ela rouba, vandaliza, sequestra cães, engana pessoas… e até pensa sobre a possibilidade de um certo casaco de pele preto e branco…

Cruella Scene

O sucesso da conquista do público pela protagonista também tem uma enorme ajudante: a baronesa de Emma Thompson! Que essa atriz é fantástica eu nunca tive dúvidas, inclusive sou super fã. Mas seu duelo fashion e conceitual com Cruella, em um clima bem no estilo de “O Diabo Veste Prada”, jogam automaticamente o espectador para o lado oposto daquela personagem arrogante. Você precisa que a Baronesa aprenda uma lição, e conta com nossa famosa vilã para isso. E olha, que personagem insuportável.

Chegamos então ao ponto principal do filme que o faz ser o sucesso que é: a atuação de Emma Stone. Emma sempre foi muito boa em tudo o que fez, mas sempre seguiu um padrão romance/drama/comédia. Quando soube de sua escalação para o papel fiquei bastante preocupada, pois era bem difícil imaginá-la em um papel tão irreverente. Mas que grande surpresa! Ela se tornou a alma e o diferencial de toda a história. Você consegue saber através de seu olhar e expressão corporal se estamos lidando com Estella ou Cruella. Emma se jogou com tudo na personagem e elevou o nível , e olha, a missão não era muito fácil. Ela está mostrando a origem da imortalizada vilã interpretada por Glenn Close e você facilmente liga a linha do tempo das duas. Sou muito fã da Emma Stone romântica e vencedora do Oscar de La La Land, mas essa versão aqui chegou metendo os dois pés na porta.

Ambientado em Londres nos anos 70, não podia haver época melhor para retratar a ascensão de Cruella. Somos presenteados com uma personagem que representa todo o furor da cena punk e da quebra de padrões daquela década, além de figurinos belíssimos e ousados (feitos por Jenny Beavan de “Mad Max: Estrada da Fúria”), uma ótima fotografia e uma trilha sonora fantástica, com nomes como Queen, Nina Simone, The Doors, Blondie, Tina Turner, entre outros. Além disso conta com a faixa principal e inédita “Call me Cruella” gravada pelo Florence and The Machine.

São feitas várias referências à história da animação de 1961 (o live action com a Glenn Close é de 1996), então fique atento aos vários easter eggs. Inclusive, tem cena pós-créditos, ok?! Já foi confirmada uma sequência para o longa, então estou empolgada e receosa. Pra mim, a ligação entre “Cruella” e “101 Dálmatas” é possível e natural, mas entre as duas histórias não sei se terá tanto espaço. A não ser que a ideia seja um live action do live action. Rs.

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“Cruella” esteve disponível na plataforma Disney+ através do Premier Access, mas no momento está em pausa até 16 de julho, quando entrará de forma gratuita. Essa alternativa de lançamento do filme na plataforma mediante a uma taxa (que no caso deste filme foi 59,90) é inovadora e polêmica. Ao mesmo tempo que você precisa pagar um valor a mais além de sua assinatura, também não precisa se arriscar indo aos cinemas durante a pandemia. Pode inclusive dividir o valor com amigos e familiares e assistir quantas vezes quiser. É um momento difícil para todos, e não podemos ignorar os custos gigantescos de produções assim, “novos normais” serão criados. Mas essa é só a minha opinião. No mais, não deixe de conferir a origem dessa vilã bem diva fashion, punk e transgressora!

 

Eu realmente tentei porque eu te amava.

Mas a verdade é que eu não sou a doce Estella. Por mais que eu tentasse, eu nunca fui.

Eu sou Cruella! Eu nasci brilhante, eu nasci má e meio maluquinha.