Distribuidor: Fox Film do Brasil | Estreia: 3/08/2017 | Gêneros:  Ficção científica, Ação, Aventura Orçamento: US$ 100 milhões | Duração Direção: Matt Reeves 02:20h

Se você me perguntar o que eu vi ao assistir a pré-estreia de Planeta dos Macacos: A Guerra, eu posso te afirmar que havia política, crítica a cultura de militarização e aos coronéis desumanos e muitas pitadas acidas e nada discretas a perseguição e exploração dos menos favorecidos.

Quem conhece esse universo sabe que desde a trilogia original, iniciada em 1968, política e leituras raciais são fáceis de serem encontradas nos filmes, mas como isso não seria bem visto na atualidade, na recriação (a partir de 2011) essas questões foram consideravelmente diluídas.

Mas francamente, eu não quero enveredar por esses caminhos, quero na verdade te falar de todo o sentimento (acredita-se) humano que essa saga, focada em uma sociedade de símios e macacos me apresentou. Sentimentos profundos como indignação, compaixão, empatia e esperança apresentado principalmente nas cenas em que Cesar, o líder da resistência símea, tem “diálogos silenciosos”, cenas dramáticas voltadas unicamente para o desenvolvimento emocional do personagem, criado a partir de capturas digitais, gera profundas reflexões em quem assiste.

O diretor Matt Reeves demonstra grande sensibilidade ao fazer uso da tecnologia para explorar as expressões de rosto e as particularidades no olhar do ator que submerge nos sentimentos extremos apresentados por Cesar. É realmente grandiosa a atuação do ator Andy Serkis, Cesar é mais humano que muitos homens com quem ele se depara.

A Guerra e toda a desigualdade apresentada, os homens suas armas e conhecimento tecnológico e estratégico e os macacos lutando apenas para sobreviver – é tocante. E quando você vê macacos desertores trabalhando para os homens, tratados como animais de carga, chamados de jumentos, tendo sua força física e habilidades inerentes a espécie usadas como armas, sendo desclassificados e acreditando que estão protegidos por ter se rendido ao inimigo é degradante.

Mas vale falar também do charmoso sentimento de nostalgia criado em cenas que nos remetem a filmes de guerra ou de um tradicional faroeste e isso se deve aos efeitos que permitem feições e movimentos realistas, humanizados dos símios.

Termino essa crítica dizendo que a história é tocante, apesar de fragilizada pelo texto mediano e a industrialização da história, mas ainda assim “Planeta dos Macacos: A Guerra é uma conclusão respeitável para a trilogia e uma ótima indicação do que esse universo ainda é capaz.”
 
Crítica escrita pela convidada Laila Pimenta