CRÍTICA DE ESTREIA | O CASTELO DE VIDRO (THE GLASS CASTLE)

Distribuidora: Paris Filmes | Estreia: 24/08/2017 | Orçamento: U$ 10 milhões | Gênero: Drama, Adaptação Literária | Duração: 02:07h

” Os burgueses da cidade moram em apartamentos elegantes mas o ar é tão poluído que não conseguem ver as estrelas.”

Na próxima quinta-feira  (24/08) entra em cartaz nos cinemas o filme “Castelo de Vidro”, adaptação do livro homônimo da jornalista Jeanette Walls onde ela conta a história real de sua família e sua infância. Com um trailer que apresenta fortes semelhanças com o lindo concorrente da última edição do Oscar ” Capitão Fantástico”, confesso que estava ansiosa pela estreia e esperava me emocionar bastante, ainda mais depois que vi o elenco de peso que foi escalado, porém algo no meio desse caminho deu muito errado. Se a história da vida da jornalista era pra emocionar, talvez ela tenha sido bem mal contada.

Então vamos lá, o filme conta a história de Jeanette Walls (Brie Larson) que, após um jantar com seu noivo, encontra seus pais Rex e Rose Mary revirando lixo nas ruas. Sem parar o carro, ela volta pra casa e começa a lembrar de sua infância, a criação que ela e os 3 irmãos tiveram com os pais “fora do comum” e a vida praticamente nômade onde cada refeição era um desafio. Walls reencontra com seus pais para comunicar seu noivado, porém este contato fará com que ela repense tudo que está
vivendo e tudo que já viveu, e assim possa encontrar sua real felicidade.

Como eu já disse anteriormente, o filme conta com um time de peso. No papel de Jeanette está a vencedora do Oscar, Brie Larson (conhecida por “O Quarto de Jack”); como seus pais, nas duas fases do filme, temos Woody Harrelson (conhecido por “Truque de Mestre”) e Naomi Watts (conhecida por “King Kong”); seu noivo é o ator Max Greenfield, conhecido pelo papel do engraçadíssimo Schmidt na série de tv New Girl, e parece que representa o mesmo papel no filme (em alguns momentos eu fiquei realmente confusa). Representando as fases da infância e adolescência de Jeanette e seus irmãos foram escaladas várias e talentosas crianças.

O castelo de vidro

O filme intercala bastante a situação atual da protagonista, já adulta no ano de 1989, com flashbacks de sua infância e adolescência e isso faz com que o telespectador seja guiado por suas memórias e acompanhe suas emoções. Acredito esta tenha sido a parte que me deixou confusa e decepcionada, pois não é possível compreender as mudanças de sentimentos de Walls a partir das informações que são passadas. A personalidade e as atitudes de seus pais, vendidas como uma criação leve e amorosa, pra mim não passaram da romantização da negligência, tendo inclusive as atitudes de irresponsabilidade deles causado danos graves em seus filhos.

Em diversos momentos eu acreditei que o filme tomaria caminhos de superação e apoio familiar, onde juntos encontrariam uma solução para o problema do vício do álcool, o desemprego, o despreparo e descaso com o desenvolvimento das crianças, o abuso de autoridade… Porém, em mais de 2 horas de filme esta reviravolta não veio. O pai, figura de piores atitudes durante toda a história, é aclamado como “fora dos padrões” e irreverente, existindo até mesmo uma justificativa de trauma pra suas ações  (que visto suas atitudes posteriores não convence muito), e até agora eu não entendi a necessidade de se retratar com exaltação neste filme uma história de vida tão abusiva (mesmo pra época em que aconteceu). Após  uma série de atitudes horríveis do pai e omissão escancarada da mãe, fica difícil querer nossa empatia nos últimos 10 minutos, até porque não tivemos tempo e nem motivos para isso. O único ponto positivo que eu gostaria de retratar, além do elenco, é a bela fotografia. No fim das contas, acredito que não passa de uma tentativa de pescar um Oscar com a gasta fórmula: atores famosos + drama + apelo da história real que atinge várias pessoas.

O castelo de vidro

Então se você é fã de drama, talvez se anime em arriscar a conferir por si mesmo. Não é, certamente, um filme que eu indico, mas talvez as opiniões e conclusões podem ser diferentes de acordo com a percepção e experiência de cada um.