Filme: Entre Irmãs  | Distribuidora: Sony Pictures Estreia: 12/10/2017 Gênero: Drama |  Gênero Nacionalidade: Brasil |  Duração: 2h 40min

Chega aos cinemas dia 12/10/2017 o filme Entre Irmãs do diretor Breno Silveira (2 Filhos de Francisco, Gonzaga, de Pai pra Filho), com os atores Marjorie Estiano (O Tempo e o Vento), Nanda Costa (Gonzaga, de Pai pra Filho), Rômulo Estrela (Além do Tempo), Júlio Machado (Hoje Eu Quero Voltar Sozinho), entre outros. Confesso que não conheço todos pois não assisto novelas e nem muitos filmes nacionais mas para quem assiste é fácil reconhecer tais atores.

Baseado no livro “A Costureira e o Cangaceiro” de Frances de Pontes Peebles, o filme conta sobre a vida de duas irmãs, Luzia (Nanda Costa) e Emília (Marjorie Estiano), que moram com a tia Sofia no nordeste brasileiro na década de 30. A história tem início com as duas irmãs ainda crianças brincando, onde Luzia é a mais espoleta, e Emília a irmã “certinha”. Após um acidente ocorrido na infância, ocasionado por Emília, Luzia passa a conviver com uma deficiência no braço. Os anos se passam e as duas moças ainda moram com sua tia Sofia, no sertão nordestino. Temos Luzia convivendo com vergonha de sua deficiência e Emília sonhando com o príncipe encantado para abandonar a vida sofrida do sertão e se mudar para capital.

Certo dia surge o bando do cangaceiro conhecido como Carcará (Júlio Machado), ao mesmo tempo em que Emília encontra um rapaz, Degas (Rômulo Estrela), fica logo interessada e o interesse parece ser mútuo. Esse seria o ponto de separação na vida das irmãs, vamos acompanhar a vida de Luzia junto ao bando de cangaceiros com quem ela irá morar por vontade própria, vivendo assim as dificuldades, sofrimentos e alegrias dessa vida, e de Emília que após se casar com Degas, vai morar na capital e dar início a tão sonhada vida que deseja.

Luzia é relativamente feliz ao lado do Carcará, mas a vida no cangaço não é nada fácil já que o cangaceiro e seu bando estão sendo caçados pela polícia e por um político. Emília não está sendo tão feliz quanto imaginava que seria, seu marido sempre ausente não tem cumprido seu papel de esposo para com ela, o que a deixa bem chateada e intrigada. Em determinado momento da história ela descobre o porquê dessa ausência.

Pela fotografia dá para perceber nitidamente a troca dos cenários alternando entre a capital e o sertão. As atuações ficaram muito boas, Nanda Costa (Luzia), uma mulher forte, de fibra, decidida e corajosa mas que teme o futuro lhe reserva. Marjorie Estiano, (Emília) é mais sensível, inocente e cheia de romantismo. Júlio Macho (Carcará) nos mostra que até mesmo um cangaceiro pode ter um lado cruel e um lado bondoso. Rômulo Estrela (Degas) mesmo não tendo um papel de muito destaque, exerce bem seu papel mostrando a paixão que move seu personagem em busca de felicidade.

Mesmo o filme sendo bem longo, deu pra entender um pouco da história do povo sofrido do sertão e do cangaço. Vemos nitidamente o contraste entre a capital (rica) e o sertão (pobre), que foram muito bem retratados. Não precisaria ser tão longo, poderia ser menor, porém, como retrataram muitos detalhes da época fez com que ficasse extenso.

A trilha sonora alterna entre o barulho da máquina de costura, percussão e violino retratando a ausência de fala dos personagens. Em alguns momentos usam o som de metralhadoras que é bem perturbador, pois nos causa bastante tensão, principalmente nas cenas passadas no cangaço.

Uma coisa que me fez pensar nesse filme foi sobre a história de amor de um casal homossexual. Nesses tempos de cura gay, determinadas cenas do filme nos fazem parar pra pensar como algumas pessoas ainda pensam que ser homossexual é uma doença e que, para isso, a pessoa em questão deve ser internada para que receba tratamento, o que acontece numa cena do filme com um dos personagens. Isso me fez pensar em muito da nossa atualidade.

Confesso que não fui esperando nada do filme, mas me fez pensar bastante também sobre o laço entre as irmãs, porque no começo do filme a tia fala para as duas moças quando elas estão tirando sarro uma com a outra: “A única pessoa que você pode contar no mundo é com sua irmã” e no final o que aconteceu foi isso, Luzia só pôde contar com Emília.

Não sou muito fã de filmes nacionais mas esse me fez repensar sobre o conceito que tenho a respeito deles, porque pra mim filme nacional ainda é visto muito como pornochanchada e não como algo que contém história, por isso ainda tenho um certo preconceito. O final foi agradável, pois deu um tapa de luva em determinado personagem do qual tomei birra desde que apareceu pela primeira vez em cena. Sinceramente, queria que um final diferente do que foi, mas devido aos acontecimentos ele foi até satisfatório.

Se você for o tipo de pessoa que gosta de se emocionar, porque confesso que chorei em certas cenas do filme, e gosta de saber sobre a história do povo nordestino, recomendo que assista, vale a pena pela lição que ele nos passa, tanto sobre valorizar o laço entre irmãos quanto sobre temas que algumas pessoas julgam saber demais e na verdade não dominam…

 

Essa matéria foi escrita por Raquel Carvalho enquanto ainda era colunista do Coisas de Mineira